Santa Maria: Mitos, Lendas, Casos e Histórias

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Santa Maria: Mitos, Lendas, Casos e Histórias

  • Data de Publicação: 16 de maio de 2009



Santa Maria

Especial Mitos, Lendas, Casos e Histórias

  • Cada um conta um conto
  • É amanhã o dia da terra de Imembuí
  • Passado se mistura com o presente e revela emoção


Fez e aconteceu

Editorial

Feliz Aniversário

Quem não gosta de ouvir uma boa estória? Para quem não sabe, é importante e necessário que cada família e grupo procure resgatar a sua história, suas lendas e mitos. Em toda a história da humanidade os acontecimentos reais e os imaginários coexistem de maneira pacífica no campo da cultura. Todavia, segundo alguns historiadores radicais, que não compreendem ou não dão a devida importância aos mitos e lendas, insistem em pregar que os mesmos não deveriam ser ensinados ou divulgados por apresentarem "inverdades" ou "fatos fantasiosos", desviando a atenção dos fatos verdadeiros. Entretanto, um grande número de historiadores já encara a História, tida como oficial e "certinha", como uma montagem ideologizada de fatos e de situações, e que é tão fantasiosa quanto algumas lendas e mitos. Definições à parte, o importante é não deixar de lado a memória daquilo que merece ser lembrado. Para homenagear o aniversário de Santa Maria, alguns “causos” serão aqui relatados. Não dá para perder.

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Santa Maria comemora amanhã (17), 151 anos.

Créditos: Divulgação


A história fala

  • Varejo: Você tem idéia de como surgiu o comércio na nossa cidade? Não? O fato é que muita coisa aconteceu para que o centro da cidade tivesse todas as opções que tem hoje. De acordo com os registros históricos, foi no século XIX, com a formação dos primeiros núcleos urbanos, que começou a se perceber a importância de atender os desejos e necessidade de consumo da comunidade. E foi por isso, também pela chegada de paraguaios, argentinos, espanhóis, portugueses, paulistas, paranaenses e catarinenses que a Rua do Acampamento, tão conhecida, nascera. E tem mais: sabe de quem eram as primeiras lojas? De imigrantes franceses.

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Foto apanhada no início do século XX da Praça Saldanha Marinho e Rua do Acampamento.

Créditos: Divulgação


  • Comércio forte: A condição de coração do Rio Grande é mesmo valiosa. E nós temos alguns feitos para contar para você que lhe ajudarão a entender o porquê. A literatura revela que por estar situada em local estratégico, onde passavam trens que iriam para várias cidades e países, Santa Maria se tornou o maior entroncamento ferroviário do Rio Grande do Sul. É verdade. Mas o mais interessante é que essa situação foi a mola propulsora para que o município se tornasse um verdadeiro ponto de encontro de comerciantes. Dizem, inclusive, que era a Avenida rio Branco o lugar mais badalado. O motivo? A Gare da Estação, é claro.
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Imagem da Gare da Estação Férrea no ano de 1914.

Créditos: Divulgação


  • Braço forte, mão amiga: Por sediar a 3ª Divisão de Exército, Santa Maria tem hoje o segundo contingente militar do País e é exatamente por isso que ficou conhecida como uma das mais importantes áreas brasileiras nesse sentido. A divisão tem 17 unidades, totalizando 44 organizações militares. E para quem acha que estes números não dizem muito, basta andar pelas ruas de Santa Maria para perceber que são, sim, grandiosos.
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Não é à toa que Santa Maria também é chamada de cidade dos militares

Créditos: Divulgação


Conta a lenda

Era uma vez... Um história de amor

Uma das lendas mais tradicionais de Santa Maria conta a história de sua fundação. Ela diz que na tribo dos Minuanos, um grupo indígena que habitava as margens do riacho Itaimbé, havia uma índia muito bonita, que se chamava Imembuí. Um rapaz da tribo dos Tapes, que morava na outra margem do rio, Acangatu, apaixonou-se por ela. Mas a índia não sentia o mesmo e, um dia, contou-lhe a verdade. O jovem, decepcionado, entrou na floresta e não foi mais visto na aldeia. Foi nesta mesma época que um grupo de bandeirantes regressava da Colônia do Sacramento. No caminho, avistaram a aldeia dos Minuanos e decidiram atacá-la para apreender seus índios. Mas foram surpreendidos pela força dos nativos. Os bandeirantes, que não foram mortos, fugiram ou foram feitos prisioneiros. Um deles, Rodrigo, foi condenado à morte. O prisioneiro cantava uma música sobre a saudade de sua terra e seu triste destino. Imembuí comoveu-se com a canção e se apaixonou pelo rapaz. Sabendo do destino cruel que o aguardava, foi suplicar a seu pai, o Cacique Apacani, que o poupasse da dura sorte, e foi atendida. Os dois se casaram e, partir daí, Rodrigo passou a ser chamado de Morotin. Eles tiveram um filho, que se chamava José. O índio tornou-se um jovem forte e corajoso, mas um dia embrenhou-se na mata e se perdeu. Depois de muito vagar, conheceu um índio que, comovido com a história do menino, dispôs-se a ajudar e levou-o de volta à sua aldeia. Os pais de José ficaram muito agradecidos e resolveram dar uma festa. Durante a comemoração, reconheceram o homem que havia trazido seu filho de volta. Era o índio Acangatu, que antes era apaixonado por Imembuí. Esta é a lenda da fundação de Santa Maria, originada do amor entre uma índia e um branco, nas margens do rio Itaimbé.

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Alegoria - Rodrigo ("Morotin") e Imembuí

Créditos: http://nozaki.spaces.live.com/blog

Enquete

E você, conhece a lenda?

“Eu sei apenas que a índia Imembuí casou-se com um homem branco chamado Morotin, que chegou aqui e se instalou na atual Rua do Acampamento. Acredito que todo mundo sabe do que se trata a lenda, mas pouca gente conhece detalhadamente a história.”

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Bruna Porto, Jornalista


“Não conheço muito bem. Acho que quem é daqui, sempre morou aqui, conhece. Mas quem é estudante, por exemplo, e só passa por aqui, acaba não conhecendo, porque não se interessa pela historia da cidade ou nem tem oportunidade de conhecer.”

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Janaina Casanova, Assessora de Imprensa


“Agora que perguntou vejo que é importante saber um pouco mais sobre o lugar onde se vive”.

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Milton Rodrigues – Militar da Reserva


Gente que faz a história do amanhã

Nascimento e preservação

Conforme os registros históricos, a nossa cidade foi criada a partir de acampamentos de uma comissão demarcadora de limites entre terras de domínio espanhol e português que passavam pela região, em 1797. A cidade conserva prédios históricos de valor como a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, o Theatro Treze de Maio, a Catedral do Mediador da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, o Clube Caixeiral, o Banco Nacional do Commercio, a Sociedade União dos Caixeiros Viajantes e a Vila Belga.

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A Vila Belga (foto) foi construída no inicio do século XX, por iniciativa de brasileiros e belgas no início da instalação da ferrovia.

Créditos: Divulgação

Quem relembra isso?

Wilson Juchem, diretor médico da Clínica Multivacin, lembra que Santa Maria não foi apenas reconhecida como cidade coração do Rio Grande ou dos militares. “Santa Maria já foi reconhecida como cidade ferroviária. Com o declínio do transporte ferroviário e a ocupação natural que ocorreu pelos investimentos em educação, Santa Maria passou a ser reconhecida como cidade universitária”, ressalta. Paola Beltrami, sócia-proprietária da Ouvesom, também enfatiza esse como um dos fatos que mais lhe chama atenção. “Essa historia acerca do transporte ferroviário tem de ser preservada, lembrada, assim como a interiorização do ensino superior e a sua constante evolução, diz ela. Juchen conta ainda que no tempo de transição, na década de 60, havia momentos em que a cidade parecia ser maior do que é hoje. “Mas por outro lado, parecia ser uma Santa Maria onde todos nos conhecíamos”, recorda. Áureo Loreto, cirurgião-dentista, diretor da unidade de Santa Maria da Sociedade Brasileira para o Ensino e Pesquisa (Sobresp), conta que, apesar de não ter tido a infância na cidade, tem um assunto que lhe chama muito a atenção: a famosa Rua do Acampamento. “A história sobre a formação dela, que antigamente era local de acampamento de viajantes é atraente”, diz ele.

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Na foto, uma imagem da Rua do Acampamento na década de 20. Conta a história que as primeiras artérias delineadas em razão ao trânsito mais forçado pelo labor diário dos habitantes tomaram os nomes: de Rua Pacífica, a que descia a colina em direção ao Passo da Areia, e que hoje é a Dr. Bozano; e da Rua São Pedro. A essa, logo após a retirada da partida de Demarcação, foi dado o nome de Rua do Acampamento.

Créditos: Divulgação


Do grito de gol

O esporte é outro tema que garante boas lembranças para Juchem. “O basquetebol do Corintians Atlético Clube mobilizava a população de tal forma que os jogos realizados em sua quadra nos fundos do clube Caixeral eram eventos esperados e apoiados por massas de torcedores que ainda hoje dificilmente se observa em qualquer outra modalidade esportiva”, lembra. E o futebol também tem vez. Quem não vibra com o “Interzinho”?

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Para quem não sabe, o Esporte Clube Internacional de Santa Maria surgiu da idéia de se criar um clube de futebol que pudesse fazer frente ao Riograndense Futebol Clube, que na época era uma potência com reconhecimento em toda a região e no Estado, e que representava a comunidade ferroviária de nossa cidade. Nascia assim, a rivalidade das torcidas e o clássico Rio-Nal.

Créditos: www.esportesite.com.br


Geração saúde

O médico radioterapeuta da Radioterapia Santa Maria e do Hospital Universitário, Ricardo Akiyoshi Nakamura, lembra uma época difícil. Mas, felizmente, já superada. Ele conta que, no passado, os pacientes de Santa Maria e região que necessitavam de radioterapia com mais qualidade precisavam se dirigir à capital e ficar longe de casa por bastante tempo. Contudo, para contribuir com a história de conquistas da cidade, foi lançada a Radioterapia Santa Maria. “Apesar de estarmos iniciando os nossos serviços, já nos sentimos realizados e felizes por poder fazer parte de forma positiva da comunidade de Santa Maria e região”, relata.

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A tecnologia é de ponta. “Oferecer um tratamento com alta tecnologia de forma segura e eficaz, podendo trazer um pouco de alívio, conforto e esperança é um prêmio de valor incalculável para nós”, disse Nakamura.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann


Tudo por um Cyrilinha

“Hoje existe uma verdadeira orgia de bebidas. Mas quando eu era criança, a Cyrilinha era o xodó. Era fabricada aqui mesmo em Santa Maria, pela família Diefenthaler. Mas a gente só bebia em datas muito especiais! Havia até um anúncio em neon, no terraço do edifício Mauá, que era um show: o líquido da garrafinha era derramado sobre uma taça e aí entrava o ‘Beba Cyrilinha’. Depois apagava tudo e começava de novo. Numa manhã, após uma noite de festas só dos adultos, abro a geladeira e me deparo com um copo cheio de Cyrilinha. ‘Ah, meu Deus! Esse vai ser meu!’ Olhei pra um lado e pro outro, ninguém me cuidando. Faço um gut-gut. Só que a sensação do gosto e de prazer não foram as esperadas. Senti um gosto ácido e uma sensação de sufocamento. Eu havia bebido uma substância chamada Lysoform, que era comprada na farmácia e misturada com água. Servia, nos anos 50, para combater os cheiros fortes das axilas e era também usada nas geladeiras para absorver os odores indesejados. Mas a cor era de um amarelo brilhante, igual ao da Cyrilinha. Passei um bom mês perguntando, muito rouco, se eu ia sarar. Havia queimado minhas cordas vocais... por uma paixão!”

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Rogério Lobato – Professor universitário

Arquivo pessoal


Eles falam deles

Quem conviveu, conhece

JOSÉ MARIANO DA ROCHA

Santa-mariense nascido em 1915, foi bem mais que o fundador da nossa Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pai de família, amigo, companheiro, José Mariano da Rocha foi um exemplo. Buscando a democratização do ensino do País, ele tem importância nacional por ter sido o mentor da instalação da primeira universidade federal fora do eixo das capitais, luta iniciada na década de 1940 e consolidada em 1960. Além do papel exercido como educador, Mariano está na memória de Santa Maria como cidadão e nas lembranças de sua família como uma das pessoas mais entusiasmadas e dispostas. Quem conta é Eugênia Mariano da Rocha Barichello, sua filha e professora na UFSM. “Ele sabia apreciar detalhes do cotidiano e observava fenômenos da natureza que nos pareciam imperceptíveis. Lembro que nas férias, quando estávamos na fazenda, ele nos ensinou a chamar o vento, e tenho até hoje nos ouvidos esse som das folhas nas árvores”, relembra. Mariano também era organizado, planejando tudo e trabalhando arduamente para cumprir seus planos e sonhos. “Ele sempre me dizia que as coisas já estavam prontas na sua cabeça, era só realizar. Uma vez ele me falou: ‘o sonho de fundar a UFSM sempre viveu no meu pensamento’’’. Eugênia, professora na Comunicação Social, foi aluna da primeira turma do curso. “O curso tem uma história e um mito. A história é que ele criou o curso a pedido do Sindicato dos Jornalistas de Santa Maria, e o mito é que ele criou o curso para mim. Quando era aluna, ficava muito aflita quando me falavam isso, mas quando assumi, contei o mito como uma curiosidade divertida, e hoje o valorizo muito”, esclarece ela. Entre planos fantásticos, sempre cumpridos, e as histórias incríveis, lendas e mitos contadas ao pé do ouvido, Eugênia relembra com carinho a relação com o pai. “Sou muito grata por ser sua filha. Nós éramos muito amigos, conversávamos muito. Seus ensinamentos foram incríveis, e hoje são recordações maravilhosas”, finaliza.


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(Da esq. p/ a direita) Os filhos Maria Izabel, Zulmira, Julio e José. O bebê é Eugênia.

Créditos: Arquivo Pessoal


IVO LORSCHEITER

Bispo católico brasileiro e o sexto de Santa Maria, Dom Ivo era de família simples, religiosa e de origem alemã. Para quem não conhece sua história, ele foi o último bispo brasileiro nomeado pelo Papa Paulo VI e presidiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil durante o Regime Militar. O religioso, personalidades já destacada na edição especial "Brasileiros do Século" da revista Isto É, faleceu em 2007 mas a admiração por ele continua. Amigos do bispo lembram com carinho dos dias de convivência, como a irmã Terezinha da Silva. Ela o conheceu em 1978, em Brasília, defendendo os direitos dos trabalhadores. Dois anos depois se mudou para Santa Maria, onde se tornou Superior Geral das Irmãs Nossa Senhora Medianeira. Desde então, tornou-se colega e amiga de Dom Ivo. Ela lembra com saudade dos tempos de convivência. Caracterizava-o como uma pessoa única, inteligente e preocupada com os outros, principalmente os pobres. Terezinha conta que ele criou na diocese o Banco da Esperança, que ajudava estas pessoas através de doações e empréstimos.


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A Irmã conta que ele Dom Ivo (foto) até acabava esquecendo de si mesmo: “a gente sempre dizia pra ele, pra se cuidar, tomar remédios mas ele respondia que estava aqui à serviço de Deus e dos necessitados”.

Créditos: Divulgação


História Viva

  • José Bicca Larré: Mesmo sem ter nascido aqui, adotou Santa Maria como sua cidade. O jornalista atuou em Alegrete, Santa Maria, Porto Alegre e Caxias do Sul. Voltando para o centro do Estado, trabalhou em jornais e revistas locais, atuando também como assessor de imprensa e secretário de Comunicação Social no município. Tem vasta produção literária, sendo eleito o patrono da Feira do Livro do sesquicentenário de Santa Maria, em 2008.
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Créditos: Divulgação


  • Nelson Jobim: É um santa-mariense que ocupa posição de destaque na administração do País, sendo o atual Ministro da Defesa. Já foi Ministro do Supremo Tribunal Federal, e também atuou na política como Deputado Federal e Ministro da Justiça. Em Santa Maria, ministrou aulas no curso de Direito da UFSM.

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Créditos: Divulgação


  • Gustavo Assis Brasil: É um santa-mariense que faz bonito no exterior. Formado em Música pela UFSM, é aclamado por revistas especializadas, como a Guitar Player Magazine, e atualmente reside em Boston, EUA. Entre suas produções, destaca-se sua atuação com o Dig Trio, grupo de jazz contemporâneo, e suas misturas de jazz rock, música experimental e ritmos brasileiros.

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Créditos: Divulgação


História Extraordinária

Aconteceu mesmo

A história do peão Euclides Guterres, já falecido, deu o que falar. Esse sim é um “causo” que foi de Santa Maria para o mundo. No dia 20 de janeiro de 1952 ele tornou-se uma celebridade instantânea. Até aí tudo bem. O que impressiona é o motivo que fez dele famoso. Quando tinha 24 anos de idade, ele laçou um avião, o CAP4/Paulistinha (prefixo PP-HFP), que estava dando rasantes na fazenda de seu patrão. Quem pilotava o avião era Irineu Noal, com um histórico de apenas 20 horas de vôo. Ele decolou do aeródromo de Santa Maria com destino à fazenda de Cacildo Pena Xavier, pai de sua ex-namorada em Tronqueiras, onde ele terminaria seu relacionamento amoroso e devolveria as cartas à moça, que já estava noiva de outro. Ao sobrevoar a fazenda que ficava próxima ao vilarejo Arroio do Só, hoje distrito de Santa Maria, começou a fazer uma série de manobras rasantes próximas à cerca, onde estava Guterres, tudo para chamar a atenção da moça. Só que depois de três ou quatro tentativas, o peão conseguiu laçar a aeronave. O avião não caiu porque a hélice do motor cortou o laço. Na ocasião, o peão de Santa Maria chegou a aparecer na Time Magazine, em 11 de fevereiro de 1952 e em jornais da época. A revista Time narrou o acontecimento sob o título “The cowboy & the airplane”. A Base Aérea da cidade também mantém em seu acervo vários jornais e revistas da época, relatando a façanha do peão Euclides Guterres. O peão morreu de leucemia em 1981. E na época do acontecido disse não ter feito por mal.


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O site da Time Magazine registra o fato.

Créditos: www.time.com


Você sabia?

Que na época do Brasil Colônia e Império a exclusão de negros se fazia presente também no momento de praticar a fé? Convertidos para a religião católica, os escravos freqüentavam igrejas construídas para eles. Em Santa Maria existe um templo que foi construído com essa idéia: a Igreja Nossa Senhora do Rosário, Ela recebia nos dias de missa os escravos deixados por seus proprietários.


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A igreja que vemos hoje teve a sua pedra fundamental lançada em 1890, dois anos após a abolição da escravatura no Brasil. Foi construída em cima do cemitério Santa Cruz com os tijolos que formavam seu muro.

Créditos: Divulgação


Várias culturas fazem Santa Maria

Santa Maria, carinhosamente chamada de Cidade Cultura, é desde a sua origem uma mistura de diferentes culturas. Imigrantes vindos de longe misturaram seus hábitos, valores e tradições com aqueles já instalados aqui, e dessa aproximação, surgiu o grande caldeirão que é o povo santa-mariense. Conheça um pouco mais sobre aqueles que, de alguma forma, construíram a nossa Santa Maria.


  • Italianos: Chegados no estado a partir de 1875, os primeiros imigrantes italianos chegaram à região de Santa Maria em 1877. Aqui, dedicaram-se ao comércio, ao desenvolvimento industrial, suinocultura e à agricultura. Povo alegre e comunicativo, atualmente possuem representação através da Agência Consular de Santa Maria e organizam-se em entidades como a Associação Italiana de Santa Maria (AISM), corais e grupos de dança.
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  • Alemães: Estão no Rio Grande do Sul desde 1824, dirigindo-se especialmente às terras mais baixas. Contudo, durante os combates da Revolução Farroupilha, muitos imigrantes deixaram suas colônias, para se afastar dos combates. Santa Maria foi o destino de muitos deles, que vieram de São Leopoldo. Hoje, na cidade, a tradição alemã se mantém através de grupos de dança, como o Edelwiss, e de representações como o Instituto Cultural Brasileiro Alemão de Santa Maria (ICBASM).

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  • Indígenas: A lenda da origem do município de Santa Maria já os traz como personagens de grande importância. Morotin, bandeirante que regressava da Colônia do Sacramento, casou-se com a índia Imembuí, da tribo dos Minuanos.
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  • Portugueses: Principais colonizadores do estado, os portugueses marcam presença na cidade desde a sua fundação. Para garantir a posse das terras, aqui se instalou um acampamento militar que, evoluindo, transformou-se em uma vila. Esse povoamento deu origem ao município de Santa Maria.

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  • Negros: Os negros estão na história do estado desde o início, havendo registros desde o século XVII. Vindos para Santa Maria como escravos, após da abolição da escravatura, em 1888, um dos primeiros registros da comunidade negra na cidade foi a fundação do Clube Treze de Maio. Criado em 1903 pelos funcionários negros da Viação Férrea, o clube foi a resposta à segregação racial. Ocupando espaço na Rua Silva Jardim, o clube entrou em decadência na década de 1980, e hoje abriga o Museu Treze de Maio.

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