Quarta Colônia (173)

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Quarta Colônia

  • Data de Publicação: 12 de Fevereiro de 2010



Especial Cidades & Cotidiano

Solo fértil para a paleontologia

Tome cuidado ao caminhar pela Quarta Colônia ou você pode encontrar algum dinossauro Coelurosaurus ou Rincossauro. Calma, são só os fósseis deles. A Quarta Colônia é rica em sítios arqueológicos já explorados e inexplorados ainda. A ciência que trata, dentre outras coisas, dos fósseis é a Paleontologia. Elementos da Biologia e Geologia são usados pelos paleontólogos para entender como era a vida na Terra bem antes dos seres humanos. Quem conta o que acontecia, que plantas existiam e como se davam as relações no ecossistema é a análise dos fósseis, que podem ser de plantas ou animais.

“As pesquisas de campo são o foco principal de nossa atuação, no sentido de descobrir fósseis importantes e inovadores, que tragam novas informações”, conta Sérgio Furtado Cabreira, que trabalha no Projeto Ulbra Paleontologia e Museu de Ciências Naturais, da Ulbra de Canoas. O objetivo do Projeto é atuar em pesquisas na região central do Estado, na Quarta Colônia principalmente, com estudos sobre a origem e evolução de vertebrados do Período Triássico. Uma das últimas descobertas do grupo foi um fóssil que teria vivido na região de São João do Polêsine há cerca de 228 milhões de anos.

Cabreira comenta sobre o trabalho nos sítios da região: “Trabalhar com Paleontologia é difícil em qualquer parte do mundo, mas aqui na Quarta Colônia temos a compreensão da comunidade e recebemos todo o apoio que necessitamos”. O suporte oferecido pelos moradores da Quarta Colônia auxilia no desenvolvimento do turismo científico, grande gerador de emprego e renda. “Entretanto é necessário que todos se unam para o desenvolvimento deste segmento de atividade”, salienta Cabreira.

Para o Rio Grande do Sul, as descobertas auxiliam para estabelecer a importância da Paleontologia gaúcha e integrar as universidades e centros de pesquisa do Estado. “No contexto internacional, este achado [o último fóssil encontrado] define que a região se tornará nos próximos anos a maior fonte de informações sobre a origem e diversificação dos primeiros dinossauros que surgiram sobre a Terra”, espera Cabreira. O paleontólogo finaliza pedindo a contribuição da população, não só da Quarta Colônia: “A região deverá receber reconhecimento internacional e todos devem contribuir para a construção da Rota Paleontológica”.

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Cabreira comenta que trabalhar com Paleontologia é difícil, mas que na Quarta Colônia existe uma compreensão acerca da sua importância.

Créditos: Andrewes Koltermann


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No contexto internacional o último fóssil encontrado define que a região se tornará nos próximos anos a maior fonte de informações sobre a origem e diversificação dos primeiros dinossauros.

Créditos: Andrewes Koltermann


MAIS:

As partes encontradas do esqueleto (crânio, maxilar com dentes, mão e perna articuladas) pertencem a um animal adulto, carnívoro (se alimentava de outros animais, anfíbios e até insetos), bípede, tinha cerca de 1m30cm de comprimento e 60 centímetros de altura. Ele teria vivido na região há cerca de 228 milhões de anos, no período Triássico, quando surgiram os dinossauros na Terra. Em fevereiro do ano passado, outro fóssil da mesma espécie havia sido localizado no mesmo terreno, a cerca de cinco metros de distância. Ele era um jovem, tinha um metro de comprimento e cerca de 50 centímetros de altura. Conforme Cabreira, trata-se de uma nova espécie, ainda não catalogada. O estado de conservação dos esqueletos também contribui para a pesquisa.


Pesquisa & Realidade

SUASA DA QUARTA COLÔNIA

José Itaqui*

Em 2009, a Secretaria Executiva do CONDESUS apresentou, ao Território Central, o projeto SUASA/QUARTA COLÔNIA, que objetiva a criação do sistema único de inspeção sanitária para os municípios consorciados ao CONDESUS. Assunto que vem sendo tratado desde 2005, ocasião que reunimos técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Coordenadoria de Inspeção Sanitária de Produtos de Origem Animal (CISPOA), representantes dos governos locais e empresariais com o objetivo de discutir uma política comum para enfrentar este problema crônico que é a inspeção de alimentos. É necessário admitir que a inspeção deixou de ser; o que não é de hoje e por isto o seu estado crônico, um problema de ordem técnica para ser um problema de ordem política. Esta inversão não tem ajudado a ninguém, seja aos governos locais como aos empreendedores deste campo tão importante para a economia local/regional.

Os produtos coloniais fazem parte do acervo cultural de portugueses desde o século XVI na região Sul do Estado, mas são os alemães e italianos que revolucionaram, a partir do século XIX, não somente a economia da Região Central, como a do Estado. A passagem do artesanato à industrialização possibilitou às regiões, dos Sinos e a Nordeste, qualificar seus produtos e se enquadrarem à legislação. A Região Central, ao contrário, ficou presa a produção primária e a práticas tradicionais. E isto não se deu somente nas regiões clássicas de colonização, mas também em regiões de campos de baixo e de cima da serra.

Estamos em 2010 e é necessário colocar nos horizontes da Quarta Colônia a Quarta Colônia. A nossa realidade econômica é muito séria, maior ainda se associarmos, por exemplo, à questões climáticas. Hoje, a principal cultura, não em área, mas em valor do produto, é o fumo. O arroz está em segundo e com ganhos cada vez menores. Não possuímos área para a sua expansão, sem falar na fragmentação das propriedades e de outros aspectos que não são objeto deste artigo.

Uns dos nossos maiores entraves, quando se fala em produtos coloniais, são os de ordem política. Quero dizer, da ausência de programas articulados de curto, médio e de longo prazo, que sejam capazes de tirar esse segmento da informalidade e transformá-lo em indutor do desenvolvimento local e microrregional. Estudos promovidos pelo CONDESUS e desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Maria, confirmam o reconhecimento, de parte do público regional, dos produtos da Quarta Colônia como sendo de qualidade e de identidade. Em especial quanto aos seus vínculos com a cultura, com as pessoas e os lugares da região. Porque então a presença destes produtos na economia é tão frágil? O que nos impede de ter ou de unir qualidade e identidade e fazer disto um negócio bom para todos? Quero dizer: para os produtores, para os agroindustriais, para os comerciantes, restaurantes, para os órgãos públicos e, fundamentalmente, para o consumidor.

No meu humilde entendimento são necessários, basicamente, três fatores para que uma atividade econômica se desenvolva e tenha a incidência que deveria ter na economia local. Ponto primeiro é que haja uma cultura acumulada por parte dos empreendedores que tomam a iniciativa de desenvolver um determinado produto. Para se produzir bem um produto não é necessário que ele faça parte da história familiar e ou comunitária do produtor, mas que se tenha conhecimentos técnicos. Agora se ele faz parte das tradições de uma família, de uma cultura, muito melhor já que dá ao produto valores agregados que não se consegue numa linha de produção estandardizada, por mais qualidade que tenha o produto. Os nossos produtores desenvolvem produtos que fazem parte da sua cultura, dando-lhe continuidade a tradição, e isto faz a diferença. São produtos que têm identidade com as pessoas que o fazem e com o lugar que é feito.

Um segundo aspecto, é quanto ao processo de produção de alimentos para o consumo público. Sejam produtos de identidade ou não, as regras são as mesmas. A qualidade das matérias primas, rigor técnico e sanitário das práticas de fabricação, uso correto de embalagens, armazenamento e transporte compatível às necessidades dos produtos etc.. Não basta produzir bem, é necessário que a sanidade seja demonstrável, documentada e é neste momento que entra um terceiro elemento e que é de competência pública e que denomino de Programas. Carecemos de um Programa que tenha como objeto, não somente zelar pela inocuidade dos alimentos produzidos e comercializados num determinado lugar, mas que contribua com o desenvolvimento deste setor na geração de empregos e também de impostos. O que não se pode, neste campo, é confundir políticas de fomento e de promoção à industrialização, com a fiscalização dos processos de produção e suas especificidades técnicas e legais que habilitam a produção e a comercialização de alimentos.

Este assunto pela sua complexidade, desde o ponto de vista de práticas culturais e da comercialização a margem dos preceitos legais, foi formando no seu entorno uma cortina de fumaça que o matem num espaço obscuro. Tem-se olhado para o lado nos últimos cinquenta anos e isto não ajudou aos municípios, ao estado e muito menos aos produtores. A luta pelo mercado já não se dá somente nas grandes cidades, mas em qualquer rincão do Planeta, e a exigência de produtos de qualidade, frente a tal diversidade, é do consumidor. Os produtos deixaram de serem consumidos no local de origem, eles viajam e muito. Assegurar a sanidade das materiais primas, certificação de qualidade dos processos de produção são questões básicas e este papel é de responsabilidade pública e o SUASA/QUARTA COLÔNIA é um dos instrumentos necessários para a integração formal dos produtos coloniais na economia regional.

Secretario Executivo* condesus@quartacolonia.com.br


Quarta Colônia em Destaque

Meu Agudo, minha terra, meu chão

“Debruçada nas várzeas e matas, com cascatas e velhos juncais”: esse trecho do hino atesta a relação profunda entre a natureza e Agudo, que recebeu esse nome em homenagem a forma do Morro Agudo. Unida à natureza, a imigração alemã é mais um elemento formador do município. A região fazia parte da Colônia de Santo Ângelo, no século XIX, tendo sido emancipada em 16 de fevereiro de 1959. Portanto, é hora de parabenizar Agudo pelos seus 51 anos, mas mais do que a cidade, os cidadãos merecem parabéns.

Área de 536,12 km², índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0.786 e altitude de 83m. Esses dados definem a estrutura física de Agudo, mas o dado mais importante é esse: 17.455 habitantes. Quem nasce em Agudo é agudense, está na Igreja, está na Cascata, está no hino: “Nas calçadas e praças teu povo, que é novo do adulto à criança, traz nos lábios sabor de alegria e a fatia do amor, da esperança”. Na área da cidade, cerca de 6 mil moradores; no campo, quase o dobro. Pessoas que passaram por maus momentos no final de 2009, castigados pelas chuvas. “Devido às tragédias ocorridas, no aniversário do município vamos cumprir somente os eventos já assumidos”, conta Simone Cardoso, secretária da indústria, comércio e turismo e Agudo. Mesmo assim, a comunidade se une e comemora recitando o trecho do hino: “O teu riso de moça me diz: Sou feliz nessa terra eficaz!”.

(IBGE 2000. Fonte dos dados: www.agudo.rs.gov.br)


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A escolha do Garota Verão acontece no Balneário Drews.

Créditos: www.agudo.rs.gov.br


MAIS

Programação do aniversário de Agudo

13/02 – 17h

Escolha da Garota Verão Local: Balneário Drews - Linha boemia

19, 20 e 21/02

Rodeio Local: CTG Sentinela do Jacuí

27 e 28/02 I torneio municipal de bochas “Beto Boeck” Local: Sociedade de União Várzea do Agudo

28/02 – 8h

Torneio interseleções de futebol sub23 - copa Toyota Local: Grêmio esportivo Elite

Mais informações: Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo de Agudo (55) 3265 1144


Nossa Gente, Nossa Atitude

O Rei da folia na Quarta Colônia

Carnaval é a festa da alegria, das cores, da fantasia, do confete. Para combinar com essa mistura de elementos, o carnaval precisa de anfitriões a altura. Na corte, o Rei Momo é quem comanda a festa, tanto que recebe o nome de Dono do Carnaval, sendo quase tão indispensável quanto a música animada. Desde 2001, a Quarta Colônia conta com a presença e o entusiasmo de Jair Ângelo Cerezer, 37 anos, considerado o Rei Momo da região pela comunidade.

O envolvimento de Jair com o carnaval começou antes, em 1988, quando ele e a namorada na época, hoje esposa e grande incentivadora Adriane, já frequentavam a folia fantasiados em um clube de Santa Maria. O representante comercial começou a pular carnaval na Quarta Colônia em 2000, quando recebeu o convite para participar do Bloco Piratas do Trago. A sede do bloco fica no bairro Camobi, em Santa Maria, onde Jair e a família residem atualmente. O Rei Momo é natural de Três Mártires, distrito de Júlio de Castilhos, mas a terra onde nasceu foi Ivorá, mais uma marca da Quarta Colônia na vida dele.

Jair não é Rei Momo somente em fevereiro. Durante o ano ele precisa comparecer às reuniões do bloco, em que os integrantes são avaliados pelo seu desempenho, todo trabalho em prol da melhor qualidade no carnaval. “Já pensei em passar meu cargo, mas ao lembrar o olhar das pessoas, o carinho que me transmitem e de ser tratado como um rei, ah, isso eu não resisto”, comenta o monarca. Jair aproveita o espaço e decreta: “um feliz carnaval a todos, que possamos nos divertir com responsabilidade, nunca esquecendo: se beber não dirija. Faça como o Rei Momo vá e volte de ônibus (risos)”.


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Créditos: Arquivo Pessoal


Religião

68ª Festa da Gruta

Nada de confetes e serpentinas. No dia 14 de fevereiro, os devotos de Nossa Senhora de Lourdes aproveitarão o feriado de carnaval para mais uma Festa da Gruta em Vale Vêneto. Em sua 68ª edição, a festa tem extensa programação que inicia pela manhã e acaba só no fim da tarde. O dia 11 de fevereiro marca o dia de Nossa Senhora de Lourdes e dos enfermos. A data foi lembrada com missa na Igreja Matriz em Vale Vêneto. “É promessa, Mãe Querida, nesses montes sem suporte, onde a gente busca a vida, não permitas ache a morte” é a prece inscrita aos pés da gruta e repetida pelos protegidos por Nossa Senhora de Lourdes. A Gruta nasceu do desespero de moradores que sofreram com deslizamentos de terra dos morros de Vale Vêneto em 1941. A Festa da Gruta renova a gratidão e a fé dos protegidos por Nossa Senhora de Lourdes.


Acontece

Ô abre alas! É o Carnaval da Quarta Colônia!

Há os que relembrem das marchinhas antigas de Carnaval, há os que tentem relembrar de quantas cervejas tomaram. O carnaval é sempre marcante para quem frequenta. Na Quarta Colônia, é um dos eventos mais esperados e importantes do ano e atrai tantos os moradores da região, como os de longe. O Carnaval da região é tradicional, com uma pitada de modernidade, como conta melhor o Professor Arnildo Wendling, presidente da Associação Vale do Jacuí Centro de Entidades Sociais (Avajaces): “As músicas tradicionais de carnaval, com muito sopro, dão o tom. Está sendo mantida a tradição e nossos bailes não diferem dos de ontem”.

O toque de modernidade é dado pelos blocos, normalmente formados por jovens, vindos de várias localidades. As músicas mais tocadas de Axé, Frevo, Pop, estão presentes nas festas e animam não só os mais novos, mas todos os foliões. A música extravasa os salões, muitos clubes levam a festa para as ruas e tudo vira mesmo um grande carnaval. É uma verdadeira maratona, com direito a pré-carnaval, sexta-feira, sábado de carnaval, domingo, segunda-feira, pré-enterro e enterro dos ossos (confira programação).

Para a alegria não virar baderna é que a Avajaces foi criada. O Carnaval foi organizado e os locais das festas revezados. Wendling comenta o melhor do Carnaval: “É um tripé: organização, segurança interna e externa e custos acessíveis”. Para quem contou os dias para a data, ele faz o seu desejo: “Que seja tranquilo, como todos até hoje foram. Espero que consigamos mais uma vez, fazer uma grande festa organizada, sadia e de muita alegria”.


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O Carnaval da Quarta Colônia é tradicional.

Créditos: Divulgação Avajaces


Eles querem fazer história na região

Marcelo Cunha, 28 anos, autônomo, é folião e revela um pouco sobre o Carnaval, para ele, na Quarta Colônia. Apaixonado por carnaval, ele começou a aproveitar a grande festa em Santa Maria, mas chegou a frequentar por algum tempo a Quarta Colônia no seu famoso Enterro dos Ossos. Hoje, Marcelo atua na coordenação do Bloco Nagandaya, que fará pela primeira vez, depois de sete anos de existência, a folia por inteiro na região.

“Escolhi a Quarta Colônia porque é o Carnaval do momento e o local onde o pessoal mais comenta e procura ir”, diz o rapaz entusiasmado. Ele ainda revela que sempre desejou participar do Carnaval da Quarta Colônia e que foi uma viagem a Oktoberfest, em Santa Cruz do Sul, que o incentivou. Foram várias as pessoas que conheceu na oportunidade e que o aconselharam a oportunizar ao bloco a experiência do período na região.


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Foi do CD Kaya N'gandaia, de Gilberto Gil, que surgiu o nome do bloco.

Créditos: Arquivo pessoal