Quarta Colônia (171)

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Quarta Colônia

  • Data de Publicação: 29 de janeiro de 2010



Cidades e Cotidiano

Atoque leva a batida da percussão à Quarta Colônia

A música italiana na Quarta Colônia não é mais a mesma desde que meninos e meninas passaram a mesclar o som tradicional com a batida de tambores e pratos. A responsabilidade dessa mistura musical é do Grupo Atoque, que utiliza a percussão como elemento educador. O coordenador é o professor Márcio “Kbecinha” Tólio, que fundou em 2002 um grupo de percussão em Santa Maria. O projeto cresceu e se expandiu até a Quarta Colônia, em 2005, com o grupo Tambores do Vale, em Vale Vêneto. Desde o ano passado, foram acrescentadas mais três turmas, uma de percussão social na Escola Municipal La Salle e o Atoque João XXIII, da Escola Estadual João XXIII, ambos em São João do Polêsine. De uma parceria com o Grupo de Danças e Pesquisas Afro-Brasileiras Linguerre, foi criado o Atoque Linguerre em Dona Francisca. “A minha maior motivação foi ver o interesse dos alunos dessa região, pois as atividades musicais são bem restritas”, relata Tólio. Aproximadamente, 75 alunos participam das atividades. Os benefícios na formação cultural do participante do projeto são visíveis, como cita Tólio: “aumento da concentração, aumento da coletividade, pois o aluno tem a consciência da importância das funções realizadas por seus colegas e que o resultado depende do grupo como um todo, aumento da auto-estima e da capacidade de apresentação ao público, entre outros”. Além do entretenimento proporcionado pela música, há ainda a possibilidade do participante aprender uma profissão e seguir carreira no meio musical. O ano de 2010 promete ser de novidades para o Atoque. Tólio conta que Silveira Martins receberá o grupo também. O professor comenta a importância do projeto para a região: “O projeto esta ampliando os horizontes culturais, que até então tinha o Festival Internacional de Inverno como referência. Hoje somos convidados para representar a localidade em inúmeros eventos”. Para levar a música à Quarta Colônia, Tólio usa o próprio carro para carregar os instrumentos. E garante que vale todo o trabalho. “A Quarta Colônia é uma região muito fértil para a música. As crianças valorizam muito essa oportunidade, constatei que é pelo fato de que não se tem acesso a tantas opções como aqui na cidade. A inadimplência nas aulas é quase zero”, conta o professor.


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Créditos: Divulgação Grupo Atoque

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João XXIII na Semana da Pátria

Créditos: Divulgação Grupo Atoque

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Tambores do Vale no concerto do Atoque Percussão em Movimento;

Créditos: Divulgação Grupo Atoque


Pesquisa & Realidade

O cinema do Irmão Ademar

Pouco mais de um ano faz, depois de completar cem anos, morreu em Santa Maria o Irmão Marista Ademar Rocha. Sua vida é importante para toda a Quarta Colônia porque foi ele o primeiro a trazer o cinema aos pequenos vilarejos, no entorno de Faxinal do Soturno, nos anos 40, 50 e 60 do século passado. Também eu morava lá.

Temos de agradecer-lhe por ter trazido aquela maravilha. Imaginem só, naqueles tempos, cinema era mesmo uma novidade de deixar alguns abobados. Agora as minhas memórias daqueles tempos parecem aos meus filhos uma coisa de mentira, nem acreditam, não podem dar-se conta de como era a vida.

É preciso tornar atrás mais de meio século. Em Santos Anjos, onde eu morava, o centro da vila era a igreja e duas ou três lojas (bares, armazéns). Havia outra igreja, não esta que existe agora. Junto à igreja, havia uma casa de alvenaria (tijolos), velha ela também. Era a Casa Canônica onde o padre e os sacristãos entravam para trocar-se (ou vestir os paramentos) antes da missa. Atrás havia o Salão Paroquial, pequenino e pobre. Nesse salão Irmão Ademar trazia suas máquinas que nos pareciam uma coisa do outro mundo e nos proporcionava ver filmes que ninguém queria perder. Alguns mais velhos e também os padres mais antigos não gostavam porque diziam que o cinema era uma invenção do diabo para fazer os cristãos esquecerem-se da salvação.

Nós sabíamos dos filmes porque falávamos um ao outro depois da missa nos domingos ou também nos armazéns... Assistíamos aos filmes, ao menos uma vez por mês, no sábado à noite, domingo cedo da noite ou dia festivo. Sempre à noite porque não tínhamos como escurecer o salão enquanto estivesse dia claro. Os lugares para se sentar não tinham nenhuma comodidade. Num lado do salão, uma parede fazia divisão com a cozinha, noutro lado havia um palco onde se pendurava um pano branco que fingia ser a tela. Os seus apetrechos, para mostrar-nos o filme, Irmão Ademar os colocava no meio do salão onde giravam grandes rolos de filmes, que ele trocava muitas vezes, enquanto dizia que precisávamos repousar os olhos que estavam cansados. Muitas vezes as fita de celulóide se rasgavam; ele as consertava enquanto nós nos sentíamos extenuados. Depois de um tanto de tempo, o filme continuava sem a partezinha perdida na emenda. Às vezes faltava luz e, no escuro, os namorados se apertavam, as criancinhas choravam; os maiorzinhos gritavam, mas Irmão Ademar e também os homens levavam uma lanterna para segurança.

Como o salão era feito de tábuas e sem pintura, perto do chão faltavam pedaços de madeira. Pelos buracos entravam, enquanto o salão não era usado, porquinhos, galinhas, sapos, cobras e, certamente, cães e gatos que traziam pulgas. Antes de fazer qualquer coisa no salão, alguns encarregados respingavam água no chão para varrê-lo bem e sem tanta poeira. As tábuas e os cavaletes, que faziam de mesa nas festas, eram amontoados num canto; os longos bancos feitos de ripas e cavaletes eram colocados em fila na frente da tela branca. Como não se tinha declive, a ordem era: na frente a meninada, aqueles mais baixos, os namorados e todos os outros. Alguma cadeira para sentar-se melhor sem dobrar as costas, só para os que a levavam de sua casa para manter os bebês nos braços enquanto dormiam.

Irmão Ademar nos trazia os filmes que lhe pareciam mais instrutivos, sem censura. Ele sabia quando faltava pouco para uma cena de um beijo de amor ou de uma mulher com as vestes que deixavam o corpo desnudo. Ele dizia: os pequenos devem fechar os olhos para não assustarem-se porque agora vai uma cena mesmo feia. Mas nós mantínhamos as mãos na frente dos olhos, e víamos tudo pelos furos entre os dedos.

Nos idos de então, nem na cidade se via um filme sem a idade permitida pela censura que vinha escrita com letras tão grandes como o nome do protagonista. Naquele primitivo cinema me diverti muito com “Gordo e Magro” do cinema mudo; fui torcedora pelos índios nos primeiros “far-west”; me enchi de religiosidade e também chorei com filmes como “ A vida de São Francisco de Assis”, “Marcelino pão e vinho” e também ví o primeiro Tarzã do cinema.

Me parece ainda escutar Irmão Ademar, todo vestido de preto como os padres, com um boné na cabeça, enquanto mencionava o enredo, antes de começar, porque alguns não conseguiam ler a tradução do que os artistas falavam.

Todos nós nos envolvíamos com a história; as crianças jogavam coisas na tela para ajudar a defender seus heróis; os adultos se deixavam levar ao mundo dos personagens e, com eles, se emburravam, suspiravam, choravam e riam. Era com dificuldade que, quando as luzes se acendiam, eles voltavam à sua vida real.

Irmão Ademar ia embora com os seus filmes na sua camionete que nos parecia uma cristaleira de vidro e madeira porque era de um modelo dos anos trinta. Ele deixava para trás a alegria de ter trazido a emoção e, com certeza, o encantamento da sétima arte a um vilarejo do interior.

  • Texto de Rosita Coradini Fontoura da Silva.

(Rosita escreve memórias de sua infância e juventude no interior de Faxinal do Soturno. Ela escreve em dialeto Vêneto e em Português).


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Créditos: Divulgação Stock


Quarta Colônia em destaque

Fruticultura é opção de desenvolvimento econômico

Culturas como soja, arroz e outros grãos são tradicionalmente cultivadas nas propriedades rurais da Quarta Colônia, trazendo renda e desenvolvimento para os municípios. Contudo, a região também ganha visibilidade através de outros produtos. São João do Polêsine, por exemplo, tem na Fruticultura uma opção de desenvolvimento econômico, e sua produção é destaque na região. A banana tem produção anual na cidade, e divide as atenções com outras frutas, como o pêssego, o cáqui, o figo e a uva. Além de fonte de renda significativa para São João do Polêsine, as frutas são fundamentais para os moradores da cidade. “A Fruticultura tem valor significativo para todo o município”, como destaca o secretário de agricultura local, Assis Cadore. Tal relação se prova especialmente através de eventos que reúnem e envolvem os produtores e a comunidade.

Hoje e amanhã, a cidade de São João do Polêsine está envolvida com o 6° Seminário da Banana e com a primeira edição da Festa das Frutas. O primeiro é dedicado mais especificamente para produtores e técnicos agrícolas, contudo, a programação dos eventos envolve exposição e comércio de frutas e derivados, aberto para toda a comunidade. No encerramento das atividades, programado para sábado à noite, acontece a escolha das Soberanas da próxima edição da Festa do Arroz, que acontece em maio deste ano. A Rainha e as Princesas do evento serão escolhidas pela comunidade, durante o jantar.


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Hoje e amanhã, a cidade de São João do Polêsine está envolvida com o 6° Seminário da Banana e com a primeira edição da Festa das Frutas.

Créditos: Divulgação


Nossa gente, nossa atitude

Para sempre soberana

Lorena Maria Felice Vidal é a cara da região nesta edição do Caderno Quarta Colônia. Ela foi uma das soberanas da tradicional Festa das Frutas de São João do Polêsine. No entanto revela: “Não tenho certeza do ano em que fui princesa, acredito ter sido em 1963”. Quando convidada por nossa equipe para falar um pouco de sua trajetória, a voz denunciava a timidez e o tempo que já não falava sobre o seu reinado. “Naquela época somava-se à beleza força e garra”, completou retraída.

As lembranças foram vindo aos poucos: “A escolha da rainha e das princesas era feita na Festa do Padroeiro, São João Batista e quem ganhasse acenderia a fogueira e, automaticamente, essas pessoas seriam as representantes da festa do arroz no ano seguinte”.

Lorena ainda diz que as candidatas entravam na disputa para colaborar com a Paróquia. “Nós íamos de casa em casa ‘comprar votos’. A que arrecadasse mais dinheiro seria a rainha e na sequência as princesas”, conta. Sobre as roupas Lorena lembra que eram simples. As próprias beldades combinavam um modelo similar e mandavam este ser confeccionado. “Tenho boas recordações da época porque todas nós éramos pessoas simples, sem nenhuma pretensão a não ser colaborar com a comunidade”, diz ela.

A sempre soberana diz que atualmente o formato mudou. Cada entidade indica uma candidata entre 16 e 24 anos e elas passam por testes culturais, assistem a palestras, desfilam e, ainda, participam de um jantar onde os participantes escolhem as suas preferidas. “Hoje, nessa escolha, se visa a beleza, desenvoltura e cultura. As assistindo, sinto saudades daquela época”, diz saudosa a dona Lorena.


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“Tenho boas recordações da época porque todas nós éramos pessoas simples, sem nenhuma pretensão a não ser colaborar com a comunidade”, disse Lorena.

Créditos: Arquivo pessoal

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Lorena nasceu em Polêsine e lá reside até hoje. Na sua opinião, a Quarta Colônia é um pólo turístico e cultural incomparável. Na foto, está acompanhada do marido.

Créditos: Arquivo pessoal


Quarta Colônia Viva

Doçuras que vem do quilombo

Que tal uma geléia de abacaxi com pimenta? Ou de gengibre com erva mate? Essas delícias são resultado do trabalho da comunidade negra rural do Quilombo de Barro Vermelho, em Restinga Seca. A comunidade aprendeu as técnicas de produção de geléia através de uma oficina ofertada pelo Programa Pilão – Presença Negra no Campo. O programa atua a cinco anos no desenvolvimento da qualidade de vida nos quilombos da região central e nasceu do Grupo de Trabalho, Cidadania e Ação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e hoje é formado por representantes da instituição, ativos e aposentados, e componentes da sociedade civil.

Desde o ano passado, o Programa atende a comunidade de Barro Vermelho, composta aproximadamente por 90 pessoas. A agricultura e a economia solidária são incentivadas pelo Programa. “Eles têm a técnica que aprenderam com os pais e avós, o que fazemos é atualizá-los, levar novidades”, conta Vânia Paulon, a coordenadora executiva do Programa. O programa oferece oficinas de saúde bucal, segurança alimentar e conscientização ambiental. O trabalho em Restinga Seca iniciou a pouco menos de um ano, por isso há ainda muito que fazer. Beatriz Rigon, coordenadora do programa aponta algumas deficiências, como a falta de poços artesianos, problemas burocráticos, falta de luz, infra-estrutura das casas e equipamento rural. “Todas as comunidades que a gente trabalha, inclusive a do Barro Vermelho, são pessoas que têm o direito, mas nem sempre se sentem incluídas. Tentamos estimular o comércio e a participação na sociedade”, relata Vânia.

Unindo a tradição da “chimia” gaúcha à gastronomia africana, as geléias de Barro Vermelho fazem muito sucesso. Vânia conta que foi preciso dobrar a produção para atender a demanda. As geléias são produzidas nos laboratórios da UFSM, gerando um intercâmbio entre universidade e o povo quilombola da Quarta Colônia. “Queremos ter uma unidade de produção de geléia em cada comunidade da região”, explica Vânia. Além de promover a sustentabilidade nutricional e econômica, as geléias do Quilombo de Barro Vermelho auxiliam no intercâmbio entre culturas e no fortalecimento da cultura das comunidades negras rurais. “Se o italiano, o alemão, o japonês mostram sua cultura, por que o negro não pode mostrar a dele? Se o outro valoriza e conhece a minha cultura, ele vai me conhecer e não vai me discriminar”, finaliza Vânia.


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Empenho e dedicação são marcas registradas do trabalho das coordenadoras.

Créditos: Andrewes Koltermann


Acontece

Esporte movimenta Silveira Martins

O esporte se faz presente na Quarta Colônia, conquistando espaço dentre as tradições da região. Sábado e domingo, uma série de eventos esportivos anima e envolve as comunidades de Val Feltrina e Val de Buia, em Silveira Martins. As atividades são integrantes da do 5° Festival da Uva e das Águas, evento que acontece neste final de semana. A programação esportiva do evento inclui Torneio de Vôlei de Areia, Torneio de Bochas e Torneio de Tressete. As competições acontecem no Balneário Portal do Roio e na Sociedade Val Feltrina, na localidade de Val Feltrina, e na Sociedade Val de Buia, em Val de Buia. Os torneios são para equipes masculinas e femininas, e os jogos acontecem nos turnos da manhã e tarde. As informações são do blog Esporte Silveira Martins.


Torneio de Vôlei de Areia

Data: 30/01/2010

Horário: 9h

Local: Balneário Portal do Roio - Val Feltrina


Torneio de Bochas – para Equipes Convidadas

Data: 31/01/2010

Horário: 9h

Local: S.A.R.E. Val Feltrina e S.A.R.E. Val de Buia


Torneio de Tressete

Data: 31/01/2010

Horário: 13h30min

Local: S.A.R.E. Val Feltrina

Categoria: dupla livre