Quarta Colônia (154)

De Doisac
Ir para navegação Ir para pesquisar
Erro ao criar miniatura: Arquivo com dimensões maiores que 12,5 MP

Quarta Colônia

  • Data de Publicação: 02 de 2009



Especial Cidades & Cotidiano

Pinhal pela memória

Município mantém espaço para preservar história local

A história conta que diversas tribos indígenas, com destaque para os Tapes, viveram nas terras que hoje constituem Pinhal Grande. Da Europa, vieram outros homens – os primeiros vindos do velho continente foram os jesuítas, e pelas primeiras décadas de 1900, também os imigrantes subiram a serra. Lá, diferentes culturas coexistiram, e hoje, vê-se que o município de Pinhal Grande é resultado de uma grande mistura. Para contar essa história, a cidade mantém o Museu Municipal de Pinhal Grande, espaço capaz de contemplar as diversidades do município.

“Há peças representativas da cultura indígena, destacando urnas funerárias de cerâmica utilizadas nos rituais de enterro e pontas de lanças de variados tamanhos”, destaca a diretora do departamento de Cultura e Turismo de Pinhal Grande, Cristina Dalmolin. Também há no museu um rico acervo referente aos imigrantes italianos – instrumentos de trabalho, peças utilizadas antigamente pelas nonas na cozinha, e principalmente, retratos de família.

O Museu Municipal de Pinhal Grande foi criado em 1999 com a finalidade de preservar a história da cidade. Sua organização contou especialmente com o trabalho da secretaria de Educação, Turismo, Cultura, Desporto e Turismo da época, e também com as doações dos moradores locais. Acompanhando o progresso no campo da Museologia, mudanças estão sendo planejadas. Elas objetivam revitalizar a instituição e aproximar, cada vez mais, o público do museu. “O intuito é promover um novo olhar da comunidade em relação ao museu, com o objetivo de que o mesmo possa ser visto como um lugar da memória e da história local”, salienta Cristina.


FotoumcapaCasamento italiano.jpg

Os retratos das famílias mostram costumes do passado. Na foto, uma festa de casamento típica dos descendentes italianos.

Créditos: Divulgação/Museu Municipal de Pinhal Grande


Belezas naturais também encantam

Não apenas as riquezas da história local atraem turistas a Pinhal Grande, já que a natureza foi generosa com o município. Ganham destaque no roteiro turístico da cidade a Usina de Itaúba, o mirante do Paga Peão e a trilha do Pororó. Além disso, Pinhal Grande, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), está investindo em turismo rural. A primeira etapa do programa de capacitação foi realizada em setembro, e teve como público-alvo agricultores de pequenas e médias propriedades. Ao fim das nove etapas que compreendem o programa, o objetivo de Pinhal Grande é formatar um roteiro turístico rural. Aguardemos as novidades!


Erro ao criar miniatura: arquivo não encontrado

Um acesso diferente. Uma paisagem natural ímpar. Muito verde. Um ar gostoso de respirar. Um caminho bonito para seguir. Esse é um raro percurso em contato com a natureza, tão diferente quanto à dificuldade em acreditar que um lugar como esse esteja tão perto. Logo alí. Na Quarta Colônia, em Pinhal Grande.

Créditos: Arquivo Administração Municipal

Leia também

  • Reflexão Crítica: A Manta do Seu Carlos (parte 2)
  • Turismo e Personalidade: Restinga Seca é o município da vez
  • Acontece: Eventos que marcam o período na região


Pesquisa & Realidade

Passando à limpo

Na última semana, publicamos a primeira parte do artigo A Manta do seu Carlos. A Reflexão continua nas palavras de sua autora. Boa leitura!


A Manta do seu Carlos

María Angélica Villagrán


Um saber que me permita entender quem sou, como é este mundo onde vivo. Que me permita elaborar as minhas próprias conclusões, bem fundamentadas. (Sabe, como quando você se encontra com uma pessoa que “sabe de que esta falando”.) Que me liberte da ignorância, que me permita ser dona do meu nariz, porque se consigo entender o mundo ninguém me levará “pelo nariz”. Aprender a perceber, aprender a refletir, aprender a relacionar. Por que não me serve um monte de saber decorado, ocupando lugar na minha memória, se não consigo “juntar dois mais dois” e tirar conclusões a partir desse saber.

A Educação Patrimonial é essa forma de aprender, que precisa sair das quatro paredes da sala de aula, não para fugir do trabalho da escola, mas enfrentar o enorme trabalho de aprender a realidade. O saber do livro escolar é muito pouco comparado com todo o saber que se precisa para sobreviver neste mundo competitivo e complexo. Para ter possibilidades de êxito nessa luta no mundo real, preciso todo o saber da comunidade, que trago desde a minha casa, mas tenho que qualificá-lo, e para isso está, na escola, a guia da professora ou professor que sabem como me ensinar, passo a passo, a organizar essa enorme massa de informações que todos os dias aumenta com cada descoberta científica.

Em cada município existe um enorme cabedal de conhecimentos: se a gente começasse a escrever tudo o que sabe o agricultor, o pescador, a pessoa que trata os animais. A dona de casa...


Veja o que cada um diz:


  • O agricultor: sabe os tipos de solo, as sementes, as épocas de plantio, e poda, de colheita, as lunações, os fertilizantes, as formas de plantar, de podar, de colher, fertilizar, conhece as pragas, o tempo, como estocar, quando vender, os preços, conhece a intermediação dos atravessadores... [Em outras palavras, sabe “alguma coisa” de Edafologia, de Astronomia, de Botânica, de Zoologia, de Química, de Meteorologia, de Matemática, de Administração: estoque, comercialização, formação de preços, etc].
  • O pescador: conhece o rio, as cheias e as baixas, as lunações, as mudanças de tempo; sabe os tipos de peixes que existem no rio, as épocas de reprodução, com que tipo de isca atraí-los, como agir com cada tipo de peixe, como limpá-los, como vendê-los... [ou seja, conhece alguma coisa de Hidrografia, de Astronomia, de Meteorologia, de Piscicultura, de Biologia, de Zoologia, de Higiene, de Comercialização, de Matemáticas etc].
  • Quem trata dos animais: sabe o quê e quando comem, cuida a tosa, a gravidez, o parto, os neonatos; conhece as doenças e os remédios, o abate, a limpeza, a venda, os preços.... [também “alguma coisa” sabe de Biologia, Zoologia, Nutrição, Reprodução, Veterinária, Higiene, Comercialização...].
  • A dona de casa: sabe de horta (ou seja, quase tudo o que falamos do agricultor), dos animais (frequentemente é ela que trata os animais), sabe de comidas, condimentos, proporções de ingredientes em cada comida, sabe como limpar madeiras, vidro, tecidos de diferentes tipos, manchas de diferentes tipos, sabe tecer, costurar, bordar, sabe de chás medicinais, sabe como reconhecer sintomas de diversas doenças, sabe tratar machucados, feridas, indigestões, febres, doenças eruptivas, picadas de insetos; sabe do fogo e da água, sabe do tempo... [bom, vamos com calma, que aqui tem saberes para todos os gostos: Nutrição, Química, Medicina Tradicional, Primeiros Socorros, Puericultura, Biologia, Botânica, Zoologia e por aí vai...].


Agora, cada coisa que eles sabem, e que apreenderam com os seus pais e avós, ano após ano de esforço, também pode ser explicada, fundamentada e aprofundada pelo saber da escola, o saber dos técnicos e o saber científico. Mas isso só é possível na escola. Aí é que está a oportunidade para fazer uma mudança de qualidade: da experiência, que se repete dia após dia, sempre igual, e que fatalmente vai se esgotar como se esgota a fecundidade da terra. Pode se passar uma experiência que se domina, que pode ir se adaptando às novas circunstâncias, aproveitando as oportunidades quando elas apenas aparecem. Um saber que sirva para fazer a vida melhor. Mas para que isso ocorra há uma condição: que a escola aceite que seus conteúdos (da Biologia, Botânica, Zoologia, Geografia, História, Matemática, Ciências, Religião, Arte etc) não são coisas separadas da realidade, do cotidiano.

Os conteúdos nascem no cotidiano e o explicam: todos conhecemos a história de Newton, que segundo se conta, descobriu a lei da gravidade quando descansava embaixo de uma macieira, e uma fruta caiu na sua cabeça. É lógico que não vamos dormir embaixo de uma árvore esperando que caia uma ideia genial. Muito pelo contrário. Vamos fazer nosso trabalho de aprender observando a realidade, estudando o que já se sabe dela, estabelecendo relações (juntando coisa com coisa, o que parece muito fácil, mas nem sempre é feito!) e também perguntando a todos os membros da comunidade, que guardam uma parcela de saber total; aos técnicos, aos cientistas, aos livros, à Internet (por que não?), aos jornais e revistas...

Há um mundo inteiro a nosso dispor, ou fechado para nós. A chave que faz a diferença é a capacidade de conhecer, refletir e relacionar. Os benefícios do desenvolvimento dessa capacidade não são semente das novas gerações, mas também dos mais antigos, porque o seu saber será reconhecido e respeitado como parte do saber total. Porque a mudança de atitude só pode trazer desenvolvimento e qualidade de vida para toda a comunidade.

condesus@quartacolonia.com


Erro ao criar miniatura: arquivo não encontrado

O conhecimento de mundo vale outro.

Créditos: Divulgação/doisac.com

Quarta Colônia Viva

A bela Restinga

As belezas naturais presentes encantam os visitantes, e fazem de Restinga Seca um município de destaque na Quarta Colônia. Originária da doação de sesmarias, a cidade se desenvolveu, especialmente, com a construção da estrada de ferro Porto Alegre – Uruguaiana, no século XIX. À época, era distrito do município de Cachoeira do Sul, sendo emancipada em 1959. Hoje, a cidade é reconhecida pela hospitalidade e carisma em receber seus visitantes.

O Balneário das Tunas, principal ponto turístico de Restinga Seca, é o maior balneário de água doce da região. Com infra-estrutura completa para receber os banhistas, o balneário é opção certa para os dias mais quentes. Durante o veraneio, as Tunas abrem espaço para eventos como o Carnaval na Areia, os Jogos de Verão, o concurso da Garota Verão e competições esportivas. A Festa dos Navegantes, importante data no calendário religioso, também acontece no Balneário das Tunas.

Restinga Seca faz parte da Quarta Colônia, e os imigrantes tiveram papel importante no desenvolvimento do município. Desde sua chegada, a formação cultural do município ganhou novas influências, diversificando e agregando novos valores. Até hoje, sua presença é fundamental em Restinga Seca. “Os descendentes de todos eles continuam contribuindo para o desenvolvimento do município nas mais diferentes áreas de atuação”, destaca Paulo Ricardo Salerno, vice-prefeito e responsável pela Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo, Cultura, Desporto e Lazer.


Fotoumpaginatres13Tunas.JPG

O Balneário das Tunas, o maior balneário de água doce da região, recebe centenas de visitantes durante o veraneio.

Créditos: Divulgação/SMICTCDL


Fesfotodoispagina3ta dos navegantes.JPG

A religiosidade também ganha espaço nas águas do Rio Vacacaí.

Créditos: Divulgação/SMICTCDL


Nossa Gente, Nossa Atitude

O bom filho a casa valoriza

Câmeras fotográficas e filmadoras marcaram a infância de Fabrício Koltermann, natural de Restinga Seca e estudante do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. O filho orgulhoso de Restinga começou a registrar imagens em movimento nos anos 80, com a filmadora VHS comprada pelo pai. O que no início era um brinquedo passou a ganhar importância na vida de Fabrício. O jovem já havia herdado o interesse pela linguagem visual do pai e do avô, ambos fotógrafos. O conhecimento na parte técnica, no entanto, foi aprimorado mais tarde, quando participou de oficinas no Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC), festival cinematográfico realizado na cidade vizinha, e no curso de extensão em Cinema Digital da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no qual filmou o primeiro trabalho, o curta “Vítimas em Nós”, de 2006. A partir daí, foram mais dois curtas-metragens, “A Farsa Seca”, de 2007, e “A História de Antemar Manuzo”, de 2008, os dois produzidos com o apoio da Prefeitura e da comunidade de Restinga Seca. Fabrício levou para tela pessoas que nunca tinham entrado em um cinema. Depois de uma série de prêmios, Restinga continua sendo o foco. Para seu próximo curta-metragem, ele conta mais uma vez com a Prefeitura, com a Associação Cultural de Restinga Seca (Astinga) e daqueles que agora são atores graças ao incentivo do rapaz. A expressão cinematográfica é forma de reconhecimento ao lugar onde cresceu. “Com a força dos meios de comunicação, acabamos absorvendo muita coisa, que aos poucos se tornam referência de costume, e esquecemos que na esquina de nossas casas existe um universo de possibilidades acontecendo. Restinga Seca é uma cidade pequena, mas que tem muito potencial, muita história para contar”, afirma o futuro cineasta. Fabrício pode estar em outro Estado, mas para ele ainda existe um mundo de oportunidades narrativas logo ali, pertinho de casa.


Erro ao criar miniatura: arquivo não encontrado

O filho orgulhoso de Restinga começou a registrar imagens em movimento nos anos 80.

Créditos: Arquivo pessoal


Em Revista

Comunidade em festa

Olimpíadas Rurais agitam Nova Palma

Corrida de carrinho de mão e para serrar toras de madeira não são modalidades comuns em competições esportivas. As brincadeiras, no entanto, estão entre as principais atrações da XVII Olimpíada Rural, evento que ocorrerá neste domingo, dia 4 de outubro, na comunidade de São Francisco, em Nova Palma.

Criada em 1993, por iniciativa do escritório municipal da Emater/RS-Ascar e da comunidade, a Olimpíada tem como objetivo incentivar a participação de famílias do meio rural em atividades de lazer e integração, bem como promover o desenvolvimento físico, cultural e social dos participantes. Para honrar o nome do evento esportivo, somente moradores de regiões rurais podem participar da Olimpíada. Pessoas que trabalham em atividades não-agrícolas (no comércio e em escolas, por exemplo), mas que residem no meio rural, também podem competir.

Entre as modalidades estão futsal, vôlei, corrida de 100 metros em seis categorias (por faixa etária), bocha, cabo de guerra, jogos de três sete (jogo de cartas), vaca parada e corrida de saco. De acordo com o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Nova Palma, o técnico agrícola Francisco José Pozzer, a expectativa é de que 800 atletas participem das atividades e 2500 pessoas compareçam no evento deste domingo. A programação da Olimpíada Rural inicia às 9h, com a cerimônia de abertura, e terá, além dos jogos, almoço festivo, escolha da Garota Olímpica e cerimônias de premiação e de encerramento.


ComunidadeumFoto 1.jpg

A corrida com carrinho de mão faz sucesso entre os participantes e diverte o público.

Créditos: Arquivo Emater/Divulgação


ComunidadedoisFoto 2.jpg

Serrar a tora de madeira é a segunda etapa da prova de corrida, exigindo agilidade e rapidez dos participantes.

Créditos: Arquivo Emater/Divulgação


Acontece

Italianíssimo

Saboroso e tradicional

Agudo realizou no último sábado, dia 26 de setembro, o I Jantar de Massas Italiano da cidade, na Comunidade Santos Reis. O evento foi organizado para divulgar a gastronomia de outras etnias que estão presentes no município. Apesar de ser considerada parte da Quarta Colônia de Imigração Italiana, Agudo foi colonizada por alemães, sendo inclusive cidade sede da Colônia de Santo Ângelo. O Jantar de Massas realizado na última semana celebrou as tradições italianas presentes nas cozinhas de Agudo e foi uma promoção do Grupo de Danças Folclóricas Alemãs Freundschaft.


Foitalianamassacontratresto 3.jpg

Créditos: Divulgação/doisac.com


Para celebrar

Amanhã, dia 3 de outubro, Restinga Seca celebra o 4° Aniversário da Associação Italiana com jantar típico. O evento será no salão de festas da comunidade evangélica de Restinga Seca, às 20h30min. Os convites custam R$15,00.


Religioso

Mãe Peregrina

Faxinal do Soturno festeja a Mãe Peregrina neste domingo, dia 4 de outubro. Os preparativos para a comemoração religiosa iniciaram no dia 1°, com o tríduo na Igreja Matriz, às 19h (mesmo horário para hoje), e às 17h amanhã (3). No domingo, a 10ª Festa da Mãe Peregrina inicia com a procissão, saindo do Santuário do Bosque em direção a Igreja Matriz às 9h40min. Às 10 horas, será celebrada a missa solene e, ao meio-dia, será servido o almoço festivo, no Salão Paroquial. Haverá bênção aos motoristas, em frente ao Monumento de São Cristóvão. A promoção é do Conselho Paroquial da Igreja Matriz São Roque. Mais informações pelo telefone (55) 3263 1079.


Maeperegrinacontracapa1Foto 4.jpg

A procissão da 10ª Festa da Mãe Peregrina parte do Santuário do Bosque e vai até a Igreja Matriz São Roque.

Créditos: Adriana Garcia/Assessoria de Comunicação de Faxinal do Soturno