Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos - Gado de Elite & Genética

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Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas e Sindicatos

  • Data de Publicação: 25 de julho de 2008



Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos

Especial Gado de Elite & Genética


Nesta Edição: Conheça a situação da pecuária de ponta e confira o tema na ótica de profissionais e empresários do ramo


Pecuária de Ponta

As raças de elite

Saiba quais são as principais raças na produção de carne e na leiteira

Existem bovinos especializados para as produções de carne, de leite e os de raças mistas, para ambas as produções. Resumidamente, gado de corte significa o conjunto de raças bovinas destinadas ao abate, para a produção de carne e de seus derivados, além de alguns sub-produtos. Essas raças devem ser precoces, bem desenvolvidas, resistentes e ter um bom rendimento líquido de carne. A carne bovina é muito empregada também na produção e na fabricação de produtos em conserva. As principais raças são as européias, como as inglesas Hereford, Hereford Mocho, Duhan, Duhan Mocho, Aberdeen Angus, Galloway e Sussex, e as francesas, como a Charolesa e a Limousine.


EVOLUÇÃO - Com o passar dos anos, através de uma seleção rigorosa, essas raças foram melhorando e, gradativamente, atingiram um elevado nível zootécnico, com uma alta produção percentual de carne de primeira qualidade e de grande valor nutritivo. Além disso, seu grau de conversibilidade é, também, muito elevado, desencadeando um excelente aproveitamento das forragens que lhes são fornecidas, normalmente na alimentação diária. No Brasil, também são destaques as raças Zebú, originárias da Índia, Nelore, Guzerá e Gir. Além de elevada produção de carne, elas são de grande rusticidade, podendo ser criadas soltas, em regime extensivo de pastagens. Também são muito empregadas nos cruzamentos, principalmente com as raças européias, resultando em excelentes produtos, precoces e de elevadas produção.


AGRONEGÓCIO DO LEITE - De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), existe uma tendência de crescimento maior nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. O Brasil é o sétimo produtor, com aproximadamente 25 bilhões de litros. Nos últimos 10 anos, a produção brasileira aumentou 40%, passando de 18,5 bilhões de litros em 1996 para 25,6 bilhões em 2006, por exemplo. Hoje, as áreas de maior concentração da produção de leite (72%) estão nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Segundo a Embrapa, existem várias opções de raças e cruzamentos para produção de leite, sendo que as principais são a raça Européia Pura, especialmente selecionada para produção de leite, como a Holandesa, a Suiça-Parda ou Schwyz, a Jersey, a Guernsey e a Ayrshire. Também têm relevante importância no cenário da pecuária leiteira a raça Européia de dupla-aptidão como a Simental, Dinamarquesa e Red Poll. As raças Zebú Leiteiras, como a Gir, a Guzerá e Sindi, e ainda as vacas mestiças, derivadas do cruzamento de raça Européia com uma raça Zebú, em vários graus de sangue também têm importância zootécnica.


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Nos últimos 10 anos, a produção leiteira brasileira aumentou 40%.

Créditos: Arquivo Dois Assessoria


TIRA-TEIMA

Veterinário esclarece o assunto


Quando se fala em gado de elite, o leigo logo imagina um animal bonito, robusto, formoso e cheio de medalhas. O que a maioria das pessoas não sabe é que o animal, para ser considerado de elite, deve apresentar outras características que vão além da beleza. Funcionalidade, produtividade e morfologia entre outros fatores são essenciais. O médico veterinário José Luiz Rigon, ex-pesquisador da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) e atual superintendente técnico da Associação dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa do Rio Grande do Sul (Gadolando), explica o assunto. “Gado de elite são animais registrados com pedrigree e com manejo periódico e intensivo. Eles são mais produtivos e têm morfologia adequada a sua raça”, resume ele. O veterinário aponta as raças Holandesa e Jersey como as principais na pecuária leiteira e, Aberdeen Angus, Hereford, Devon e Charolês, no corte. “São as raças de destaque no RS”, revela. Ele enfatiza, ainda, que esses animais devem ser registrados em suas respectivas associações e que o controle de genealogia, o manejo e a genética são os segredos para a produção e a eficiência do rebanho. “Todas as raças, desde que bem manejadas e bem criadas desde sua idade jovem, podem se tornar animais de elite”, finaliza.

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O animal, para ser considerado de elite, deve apresentar características que vão além da beleza.

Créditos: Divulgação

Minha História

O Brangus além da produção e da profissão


Carlos P. Waihrich Filho, mais conhecido pelo apelido Peti, é um médico veterinário que vive na prática a funcionalidade do gado de elite. Com um enfoque em administração rural, ele é agropecuarista no município de Cachoeira do Sul e administrador de uma agropecuária em São Gabriel. Seu Peti revela que em São Gabriel são vinte anos dando prioridade à produção de alta genética na raça Brangus. Ele conta que a raça é sintética e que tem um percentual sanguíneo de 5/8 Angus e 3/8 Zebú. O resultado é uma capacidade produtiva alta, que alia a qualidade indiscutível na maciez da carne e, uma adaptabilidade extrema a todo tipo de pasto e clima.

O interessante é que o Brangus da cabanha administrada por Waihrich Filho projeta a região para o mundo. As premiações recebidas nas principais pistas de julgamento do País comprovam. Na Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), em Esteio, foram grandes campeonatos. Fêmeas e machos marcaram a história do evento e também chegaram à Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne e Exposição das Raças Bovinas de Corte (Feicorte), evento realizado em São Paulo. “Conquistamos o Reservado de Grande Campeão da Raça na realização do Congresso Mundial da Raça Brangus”, enfatiza seu Peti.

Mas foi em Santa Maria que a história da cabanha tornou-se referência. “A pista de julgamento tem sido gratificante durante todos estes anos e a comercialização é sempre superada, simplifica o veterinário. Em 2007, eles dobraram a oferta de machos e fêmeas em relação aos anos anteriores. “Tivemos pista limpa, com recorde de vendas”, comemora. E o veterinário anuncia novidades para este ano: “Vamos apresentar alguns filhos de JMT Pachá 3423, o qual foi o Grande Campeão da Raça na Expointer 2003”, revela ele.


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O Pachá tem tido uma progênie reconhecida. Esta sendo coletado em uma central de inseminação, que tem exportado seu sêmen para vários países da América Latina.

Créditos: Arquivo Pessoal


Melhoramento Genético & Precisão

Animais mais produtivos também são razão de ciência


Que buscar excelência em genética é indispensável para garantir campeões em julgamentos e recordes em leilões, todo criador bem informado sabe. Mas outros aspectos da pecuária de elite também precisam ser observados. Por definição, melhorar geneticamente um rebanho significa selecionar os melhores animais ou descartar os piores e, planejar bem os acasalamentos, de forma a conseguir as características desejadas pelo criador. O professor Paulo Roberto Rorato, graduado em Zootecnia pela primeira turma da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica o assunto com propriedade. Rorato tem mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo (USP) e, pós-doutorado pela Universidade de Nebraska-Lincoln-USA. Ele conta que a prática permite observar que gado de elite nada mais é do que uma expressão popular para denominar animais de alto valor ou potencial genético. O professor conta que esses animais são utilizados como reprodutores com o objetivo de transferir esta superioridade aos descendentes. Dentro desse cenário, a pesquisa figura como protagonista. E, o professor diz que o Estado e também a região central têm inúmeros programas de pesquisa acerca do melhoramento genético. Animais mais produtivos são o objetivo da maioria delas. Contudo, ele ressalta que apesar de o melhoramento genético já ter contribuído bastante para o aumento da produtividade do rebanho nacional, é possível se fazer muito mais. “São necessários consciência por parte dos criadores e incentivo às universidade, associações e entidades aptas ao estudo”, condiciona o professor. Os resultados e a valorização do ensino, da pesquisa e da extensão podem ser sentidos na prática. O fluxo de genética proporcionou imensa contribuição à bovinocultura nos últimos anos e a diminuição da idade de abate, o aumento da produtividade, bem como a atual precocidade sexual conseguida em algumas fêmeas, aptas a reproduzir cada vez mais jovens, comprovam o fato.


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Tecnologias genômicas para aprimorar o melhoramento genético animal e a produção pecuária é o desafio constante da pesquisa na área. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é um dos destaques no segmento.

Créditos: Foto Empraba


OPINIÃO:

Luciano Malgarin, proprietário da Agronutri, conta que com o melhoramento da genética bovina a pecuária gaúcha deu um grande salto em qualidade, precocidade e percentual de prenhes no rebanho. Para desfrutar de tudo isso a partir de uma melhor entrada em mercados externos e da valorização do mercado interno, o empresário acredita que, como em todo o setor produtivo, a tecnologia é uma ferramenta indispensável. E, a Agronutri, por sua vez, faz a sua parte. O empresário explica que com um cenário promissor para a atividade, um maior número de detalhes para a tomada de decisões dentro da unidade de produção pode render resultados mais satisfatórios. Hoje a sua empresa conta com uma alternativa justamente para fazer a ligação da parte veterinária e genética com a agronômica e financeira. Trata-se da agricultura de precisão. “A tecnologia entra também em uso na pecuária”, anuncia o empresário. Ele diz que com a nova conjuntura da pecuária e agricultura no Estado, as possibilidades de conseguir uma maior área para trabalhar com a atividade ficou praticamente impossível. “É necessário utilizar, de forma mais intensiva, as áreas já existentes dentro das propriedades. E, com uso da agricultura de precisão é possível um grande incremento de lotação por hectare”, simplifica ele.


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Créditos: Divulgação


Tecnologia & Mercado

Comércio e serviços podem lucrar com o crescimento do agronegócio


Que o agronegócio é a mola propulsora para diferentes atividades no País não é novidade. Só para ilustrar o fato, de janeiro a maio desse ano as exportações da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro somaram US$ 27,2 bilhões, o que representou um crescimento de 25,3% em relação ao mesmo período no ano passado. Além disso, ao incorporar a gestão e os mecanismos mais modernos do mercado, as empresas brasileiras também alçam novos vôos com o crescimento do setor. A liderança mundial na produção de carne e de frango, a produção de um etanol mais competitivo e economicamente viável e o avanço em outras formas de energia são alguns dos exemplos que fazem o empreendedor acreditar que o agro é mesmo um grande negócio.

ACESSÓRIOS - Na região central do Rio Grande do Sul, a perspectiva é grande. Natural de Júlio de Castilhos, Fernando Bellé, proprietário da Bellé CIA Ltda nas localidades de Santo Ângelo e Santa Maria, acredita que o comércio e os serviços podem lucrar com as cotações em alta. O empresário, que trabalha com uma completa linha de escapamentos, acessórios, reboques para carro e cavalos, engates e protetor Carter, conta que o setor também alavancou o seu crescimento. Para o próximo semestre, Bellé que já inaugurou a nova sede da loja em Santa Maria, estará investindo num terceiro ponto de vendas. E, esse terá a mesma característica dos outros dois: o atendimento qualificado.

IMÓVEIS RURAIS - Para Nilo Ourique, sócio-proprietário da Nilo Imóveis Rurais, o setor imobiliário também foi aquecido. “O produtor rural está se atualizando cada vez mais e, com isso, procura orientação para fazer um bom negócio”, enfatiza o empresário. Ele conta que, atualmente a compra de uma área para criação ou cultivo já não se dá pelo preço, mas pelos fatores que agregam valor à propriedade. A criação de gado é um dos segmentos que impulsiona a busca pela orientação. “Os criadores têm procurado pelo melhor e uma das peculiaridades que fazem a grande diferença numa área de criação de gado é que ela não deve ser muito próxima da sede do município, em função do maior risco de abigeato. A área deve ter uma boa estrutura de mangueiras e invernadas e boas cercas boas para facilitar o manejo na propriedade”, finaliza.

PEÇAS AGRÍCOLAS - No ramo de peças agrícolas o perfil do empreendedor rural não é diferente. O sócio-proprietário da Comeg – Comércio de Peças Agrícolas, Marco Aurélio Ramos, revela que o período é propício para a revisão e a manutenção de todo o aparato de trabalho para a próxima safra. Para ele, o produtor de hoje é bem mais consciente e está aberto para a orientação técnica nesse sentido. Com isso, o agronegócio favorece o crescimento de sua empresa pela sua essência e, atualmente, pela tendência e necessidade em valer-se da tecnologia. A Comeg está com promoções especiais para peças de tratores. É conferir e levar.


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O comércio de peças agrícolas é um dos setores que acompanha o crescimento do agronegócio pela consciência do produtor acerca da necessidade de reposição de peças e manutenção periódica de suas máquinas.

Créditos: Arquivo Dois Assessoria


Capim aruana revela bom desempenho nos animais e resistência às geadas

Giuliano Souza, responsável pela gerência de divisão de sementes da Sementes Gasparim, no Rio Grande do Sul, também percebe o agronegócio como uma semente de vida para o País. Como destaque para o período ele apresenta o capim aruana. Segundo Gasparim, uma propriedade no município de Santa Margarida do Sul, na localidade de Cerrinha, é um exemplo que ilustra a eficácia do capim. A propriedade é do doutor Celso Carmelo e se chama Victória. Carmelo vem obtendo resultados positivos que o surpreenderam pela resistência do capim às geadas e pelo bom desempenho desencadeado nos animais. O doutor Carmelo implantou 21,5 ha da pastagem no período de janeiro deste ano e começou o pastoreio para os animais em 15 de março também deste ano, quando colocou 52 bois criados, que já foram para o abate com excelente acabamento. Por lá passaram também mais 29 novilhas e 15 ovelhas. Essas permaneceram no local até o dia 15 de junho. O resultado foi um ganho médio diário de 700g. “Mas o que me causa mais surpresa é que enquanto outros pastos de verão já secaram, o capim aruana ainda mostra sinais de rebrota”, ressalta Carmelo.


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O capim aruana surpreendeu Dr. Celso e família.

Créditos: Arquivo Gasparim


Inovação e qualidade

Novos mercados e valor agregado para a qualidade superior da carne gaúcha são expectativas da SZ


O Grupo Santa Zélia é uma referência em todos os seus braços de evolução: SZ Cereais, SZ Sementes e SZ Florestal. Mas é a SZ Pecuária, sua quarta linha de atuação a primeira do Grupo e a mola propulsora para o crescimento e aperfeiçoamento dentro do agronegócio. Teófilo Pereira dos Santos Neto, diretor-presidente da empresa, conta que a pecuária é quase que o sinônimo de família na organização. “Minha família sempre teve uma forte ligação com a atividade. Me orgulho em poder dizer que sou bisneto, neto e filho de pessoas que antes de mim muito fizeram pela atividade no nosso Estado”, revela emocionado.

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO – Neto conta que inicialmente a pecuária era uma atividade quase que isolada. “Basta lembrar da época das charqueadas, quando não havia desenvolvimento de uma agricultura comercial”, simplifica. Mas, no final da década de 80, quando o empresário ingressou no ramo, muitos fatores já tornavam o setor mais eficiente e rentável. Dessa época, ele relembra ícones como o veterinário Walter Potter, que proferia palestras sempre com o intuito de demonstrar que a mentalidade do pecuarista tinha de ser voltada para a quantidade de kg de carne produzida ha/ano. “Parecia sonho”, conta o diretor-presidente da SZ. Mas, com o tempo, o sonho foi se tornando realidade e ele percebeu que a competência, a eficiência e os conceitos de gestão também o norteariam. “O foco estava no aumento da natalidade, na diminuição da mortalidade e no aumento da eficiência e eficácia do processo. E, isso, para a época, já era um desafio”, relembra ele. Hoje a SZ Pecuária tem uma evolução marcada pela busca e consolidação da genética mais adequada ao campo de trabalho. “Continuamos a perseguir o sonho e a SZ já faz hoje o ciclo completo, realiza o entoure e o abate aos 24 meses, tem um índice de natalidade em média superior a 80% e, uma mortalidade ao redor de 1%”, revela o empresário.

O CENÁRIO ATUAL – Para Neto, o panorama atual da pecuária é positivo. “Acredito que no momento vivemos um cenário muito positivo, situação que há muitos anos não presenciávamos. “Muitos irão lembrar que vendíamos o quilo do boi a pouco mais de um real. Hoje, a venda está na casa dos 2,50 reais”, pondera ele. Contudo, o empresário ressalta a importância da reflexão acerca do porquê do cenário remunerador e dos fatores que levaram, no passado, a momentos de queda na rentabilidade ou abandono. “É uma medida preventiva para que possamos sobreviver diante de um eventual cenário desanimador”, recomenda.

A CARNE GAÚCHA – Neto acredita que urge a necessidade de maior proximidade entre entidades de classe, Governo e abatedouros. O empresário diz que a carne gaúcha tem uma característica diferente da carne do centro-oeste brasileiro. “Aqui criamos gado com sangue europeu, lá eles usam o gado indiano.Temos que saber valorizar melhor o nosso produto, saber que exportar cerca de 6% da carne gaúcha é um convite para voltarmos à viver um cenário de que não gostamos nem de lembrar”, enfatiza. Conquistar novos mercados, cobrar pelo valor agregado que uma carne de qualidade superior merece e, principalmente não confundir um momento que vive o mercado interno com a estabilidade da atividade são os principais objetivos para Neto.

HERANÇA – O Grupo tinha uma genética baseada quase que exclusivamente no gado Charolês. Atualmente, a SZ aproveita esse trabalho para realizar cruzamentos com as raças Red Angus e Nelore. “Foi um legado deixado por meu pai. Ele criou um casco Charolês que facilitou o trabalho que desenvolvi”, resume. Quando o pai de Neto estava à frente da empresa, o mercado exigia um gado pesado. Mas quando Neto assumiu, o mercado buscava um gado com um ótimo marmoreio, precoce e que para tornar mais rentável à atividade precisava ser mais prolífero, rústico e precoce. Daí, se deram as mudanças e adaptações implantadas pelo atual diretor-presidente.


Planejamento Sucessório

Até pouco tempo, a sucessão no agronegócio se dava de maneira intuitiva. Os filhos dos produtores e criadores nasciam nas fazendas, cresciam alí e, era natural que seguissem o legado dos pais. As terras e os rebanhos eram simplesmente divididos entre os herdeiros, e cada um seguia a sua vida. Hoje, no entanto, muitas fazendas são grandes empresas rurais. E, além disso, nem todos novos herdeiros querem trabalhar no cotidiano de uma fazenda. Nesse contexto, o tema da sucessão também bateu à porta do agronegócio. A informação é de José Ney Irgon Vinhas, sócio-diretor da Safras & Cifras, empresa parceira do Grupo Santa Zélia. Conforme Vinhas, a sucessão da empresa rural implica em sucessão ou transferência do patrimônio propriamente dito, assim como a transferência da gestão do negócio. O importante é lembrar que o fato de planejar a sucessão não implica estar atraindo a morte como alguns pensam. Todo o administrador rural tem que ter em mente que administra um negócio de vários e, que cada um tem que ter as suas necessidades pessoais e familiares satisfeitas. “Se todos os participantes do negócio familiar entenderem isto, certamente teremos um negócio por várias gerações”, finaliza o agrônomo.


Panorama Rural

Dados finais da safra de verão revelaram cenário positivo


Com a colheita das últimas lavouras de feijão da 2ª safra e do milho foi encerrada a safra de verão 2007/2008. Apesar das oscilações climáticas durante o ciclo, o Estado colheu uma boa safra. De acordo com o informativo conjuntural da Emater/RS-Ascar, a produção total de grãos da safra de verão no Estado é superior a 20 milhões toneladas, considerando as culturas de arroz, feijão, milho e soja, cultivadas em quase seis milhões e meio de hectares.

A entidade afirma que as estimativas para a safra de inverno seguem positivas. No caso do trigo, uma cultura de inverno, a produção projetada para este ano é de 1.787 milhão de toneladas, sendo que o total colhido pode chegar a 21.96 milhões de toneladas, constituindo-se em um dos melhores anos em termos de produção agrícola no RS, “apesar dos problemas enfrentados por muitos agricultores, como chuvas e granizo no início do ciclo e estiagem”, observou o diretor Técnico da Emater/RS, Paulo Silva.

Os preços praticados atualmente para as commodities também são motivos de satisfação para o produtor. Sem exceção, todos os produtos experimentam cotações bem acima das praticadas há um ano. Só nos últimos seis meses, época de comercialização, os produtos valorizaram em média 22%, sendo o arroz destaque no período, com 47,96%.


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O arroz obteve o melhor resultado dos grãos plantados no RS nesta safra de verão. Pelo quinto ano consecutivo, a produtividade ficou acima das seis toneladas por hectare, sendo a melhor da história, com sete toneladas/ha, tendo por base os números do Irga.

Créditos: Divulgação


TROCANDO EM MIÚDOS - REGIÃO CENTRO

Criações

  • Forrageiras:Com o frio e as últimas geadas registradas no final de junho, o campo nativo ficou sem desenvolvimento de massa verde. Contudo, as forrageiras implantadas estão se desenvolvendo melhor com as últimas chuvas.
  • Bovinos de Corte:Os animais que estão em pastagens cultivadas possuem boa disponibilidade de alimento. Não há aparecimento significativo de doenças e parasitas no rebanho.
  • Bovinos de Leite:Em função da pouca disponibilidade de alimento das pastagens cultivadas, o rebanho leiteiro está sendo alimentado com silagem. O pastoreio no campo nativo também diminuiu e com isso o animal perde peso e diminui o leite. O estado sanitário continua bom e a comercialização estável.
  • Ovinos:Em geral, os animais estão em bom estado nutricional e sanitário.


Culturas

  • Arroz Irrigado:O rendimento de grãos inteiros ficou entre 58% e 59%, e com os bons preços.
  • Milho:O milho safrinha, plantado em janeiro e fevereiro, numa área de 75.000 ha, está em boa situação. Deste produto, 10% está maduro e por colher e 40% está colhido, com uma produtividade média de 3.300 kg/ha.
  • Feijão Safrinha:A área plantada na região foi de 2.000 ha, que estão 100% colhidos e com uma produtividade média de 1.100kg/ha.
  • Soja:A área plantada na região está sendo usada em sua maioria com pastagens.
  • Trigo:A área prevista para a próxima safra é de 120.000 ha na região, que estão em desenvolvimento vegetativo e bom estado.


TOME NOTA:

Expo-feiras

A Comissão de Bovinocultura de Corte da Farsul está discutindo regras para as próximas exposições, feiras e remates. No dia 5 de agosto, em Santa Maria, Farsul e Sindicato dos Leiloeiros Rurais – Sindiler, estarão reunidos em encontro estadual de produtores com técnicos da secretaria da Agricultura para aperfeiçoar as regras para as exposições de terneiros.


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Créditos: Arquivo Expointer


Cooperativas & Sindicatos

PELO ESTADO: Lideranças e representantes do cooperativismo gaúcho reuniram-se, também no início deste mês, durante solenidade, para acompanharem o anúncio dos investimentos de mais de R$ 1 bilhão que estão sendo realizados pelo setor, em 2008, no Rio Grande do Sul. O evento, coordenado pela secretaria de Relações Institucionais, com o apoio da Organização das Cooperativas do Estado do RS (Ocergs), marcou a passagem do dia 5 de julho, Dia Internacional do Cooperativismo. O presidente da Ocergs, Vergílio Perius, afirmou que a entidade possui hoje 950 cooperativas registradas, 1.426.048 sócios e 41.838 funcionários, atuando em ramos, como agropecuário, crédito, infra-estrutura, habitacional, transporte e saúde. "São mais de 5 milhões de pessoas ligadas a algum sistema cooperativo no Rio Grande do Sul", disse, ressaltando a necessidade de alterações na Lei do Fundopem para aumentar os investimentos do setor. As cooperativas são responsáveis pela geração de 7.561 novos empregos diretos no Estado, distribuídos em plantas de beneficiamento de leite, hospitais, silos, armazéns, equipamentos, redes elétricas, pequenas centrais hidroelétricas, supermercados, lojas, terminais portuários, logística, entre outros.


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Presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, fez o anúncio no Palácio Piratini.

Créditos: Divulgação


PELO BRASIL: Uma nova estrutura organizacional para a Organização das Cooperativas Brasileira (OCB) foi anunciada pelo seu presidente Márcio Lopes de Freitas no início do mês. A instituição passa a contar com uma superintendência, que tem a frente Luís Tadeu Prudente Santos, até então superintendente administrativo; e uma secretaria executiva, cargo que conta com o cooperativista Renato Nobile. Conforme Freitas, a nova estrutura aprovada pelo conselho da OCB dá continuidade à implementação do novo modelo de governança que privilegia a gestão e os processos internos operacionais. “Separamos a política da gestão”, explicou ele ao destacar que essa desvinculação é uma tendência das organizações na atualidade.



DESTAQUE:

Acontece em Manoel Viana, a VII Mercomix. O evento será realizado entre os dias 31 de julho e 03 de agosto. Resultado da fusão de feiras que já existiam no município, como a feira do Chocolate e Feira da Agricultura, Industria e Comércio, o Mercomix reúne em um só evento todas as potencialidades do município. As atrações acontecem nas principais ruas que circundam o Ginásio Municipal. E, segundo, Gilberto Martins, chefe do departamento de turismo da administração municipal, entre os destaques da programação estão a Mostra da Pecuária e o Remate de Ventres e Reprodutores. A mostra acontece no dia 02 e o remate no dia 3, sendo o último no Parque de Exposições do município.


PELA REGIÃO:

  • AGUDO: O município está a mil com a 15ª edição Ein Volksfest. O evento teve início no dia 19 e se estende até o dia 27. Um dos pontos altos do evento é a ExpoVolks, que acontece concomitantemente, nos dias 24, 25 e 27, no Centro Desportivo Municipal. A CooperAgudo é uma das expositoras do evento. A cooperativa tem um estande e aproveitou a oportunidade para divulgar seu projeto social, o “Melhorando o Ambiente Escolar”.
  • SANTA MARIA: Olhos de todo o mundo ficaram voltados para Santa Maria entre os dias 11 e 13 de julho. A cidade foi sede da 4ª Feira de Economia Solidária do Mercosul e da 15ª Feira Estadual do Cooperativismo (Feicoop). Desde 1994, são realizados importantes eventos do cooperativismo e da economia Solidária em Santa Maria. Com isso, o município ganhou o título de Capital da Economia Solidária e do Cooperativismo Alternativo devido ao maior evento da área no RS e no Brasil. Nesta edição, foram cerca de 150 mil pessoas que vieram conferir a feira. Os visitantes representaram os cinco continentes pela média de 30 países. Todos os estados do Brasil marcaram presença.
  • TUPANCIRETÃ, JARI E QUEVEDOS: O Sindicato Rural que representa os três municípios firmou uma forte parceria em prol da educação. Nos dias 11 e 12 de julho, iniciou o MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio. O curso é realizado no salão nobre do sindicato e tem a duração de um ano e meio, além de um semestre destinado à monografia. A disciplina Perfil do Agronegócio Brasileiro, ministrada pelo professor doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Adriano Lago, é a primeira. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (55) 3272-1738.



Qualidade em veículos para o empreendedor rural

De acordo com Laércio Damian Maneck, supervisor da Rede Nicola Veículos, o homem do campo está cada vez mais exigente. “Qualidade é a palavra de ordem”, salienta ele. Os veículos mais procurados para quem tem esse perfil de homem do campo são a Montana e a S-10. Mas outros carros parecem também se consolidar no segmento. Entre eles, o supervisor recomenda a Tracker. Maneck revela que o veículo tem um excelente desempenho e que possui altura adequada para o uso no interior. “Isso tudo, além de ser completo com todos os opcionais de luxo e, especialmente, a tração 4x4, podendo ser utilizada em qualquer tipo de terreno”, enfatiza.

Ele ainda revela que na concessionária o homem do campo é uma das presenças mais significativas. Para a grande maioria, a S-10 representa um verdadeiro sonho de consumo. E, conforme o supervisor, esse sonho está cada vez mais próximo. “Hoje a aquisição é mais acessível, devido à opção pelo motor flex ou pelo motor diesel e, especialmente, pelas condições especiais para os produtores rurais”, aponta ele. Para o empreendedor rural que, além de um carro propício para a lida, busca um de passeio, o supervisor recomenda os modelos tipo Vectra, Astra e Meriva.


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Tracker se consolida também no cenário rural.

Créditos: Divulgação