O texto abaixo foi escrito há alguns dias. O assunto já está perdendo os holofotes, mas fica o registro da nossa colega para reflexão.
Recentemente, para alegria dos pseudo-intelectuais de plantão, a 11ª edição do Big Brother Brasil chegou ao fim. O Brasil conheceu mais um vencedor e candidato a subcelebridade do país. Contrariando outras oito edições, desta vez a campeã foi uma mulher, a terceira vencedora em 11 anos de programa.
A nova milionária se chama Maria Helena Melilo, não deve ser novidade! Todo mundo sabe que a nova milionária esbanja simpatia, sensualidade e muita polêmica. Como não podia ser diferente ao final do programa muita coisa foi (mal)dita a seu respeito. Novidade!
Que fique claro, a ideia aqui não é defender ninguém, nem levantar a bandeira do feminismo, menos ainda de analisar o formato e o conteúdo ou a falta deste, do programa. Acho que tão clichê quanto o próprio BBB são as críticas e teorias conspiratórias que levantam sobre ele.
A cada janeiro, junto com o programa surgem novos críticos e seus discursos (in)fundados em erudição e que sempre esbarram no emburrecimento recíprocio, pois, desculpa mas se quem assiste a um programa de entretenimento, EN-TRE-TE-NI-MEN-TO fica burro, quem perde tempo criticando e trollam quem assiste não fica muito longe não. Fácil é criticar as coisas simples, quero ver analisar e argumentar contra o que realmente confere atenção. #prontofalei
Assim, o que se pretende aqui é registrar uma vitória única até então no reality show.
Modelo e atriz, Maria venceu o BBB aos 27 anos, trilhando caminhos que desaguaram na imagem singular dentro da casa, e tão plural aqui fora. Maria ficou com dois homens na casa, declaradamente rastejou por um e veladamente terminou com outro. Fez comentários dignos de criança e com seu nome foi criado o verbo “mariar”. Talvez lhe faltasse instrução, lhe sobrasse beleza, mas sempre foi ela. Big Brother é um jogo, mas dessa vez a ganhadora não foi jogadora, nem teria habilidade pra isso. No relality show, quem ganhou foi quem viveu. No tão lembrado por Bial “Show da Vida”, prevaleceu a transparência, desta vez desastrosamente bonita aos olhos de quem vê. Talvez aí esteja o problema, bonita demais, espontânea demais.
Perambulam pela rede vídeos da sister nua, boatos de que era garota de programa no passado. Aí o moral e os bons costumes tomam conta daqueles que se agarram a um primeiro tropeço, a um primeiro comentário maldoso para somar voz nos protestos fundamentalistas. Como se isso ainda tivesse a licença pra existir.
É fato o BBB11 foi vencido por uma mulher linda e vulgar, espontânea e destemida, meiga e provocante, com um coração e uma bunda gigante. Foi assim mesmo que ela conquistou o Brasil, sendo mulher. Negar o seu merecimento ou denegrir a sua imagem agora é apenas confirmar essa dificuldade brasileira em se assumir popular.