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Tupanciretã: 9ª Semeadura da Canção Nativa

De Wiki.dois

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Tupanciretã - 9ª Semeadura da Canção Nativa

  • Data de Publicação: 21 de dezembro de 2007



Tabela de conteúdo

Da lenda tupi-guaraní, uma história de progresso

Conheça a lenda que dá nome ao município de Tupanciretã e entenda por que seus filhos recebem a proteção de Nossa Senhora

Superficial para alguns. Extravagante para outros. Comovente para vários. Essa é a lenda que dá nome a bela terra gaúcha de Tupanciretã que, dada a hospitalidade, harmonia e religiosidade do município, tem cara de realidade.

Baseada nas raízes missioneiras, conta a lenda que todas as reduções jesuíticas foram na época batizadas com nomes santos da igreja católica romana. Para a terra que hoje é destaque no cenário da produção de soja, coube o nome da mãe de Deus, invocado na língua bárbara: TUPAN-CI-RETAN.

De acordo com os historiadores e comentários dos antigos moradores, foram os padres jesuítas que ensinaram os índios a chamarem o Deus poderoso dos cristãos de Tupã, divindade indígena associada ao raio e ao trovão. A “mãe” de tudo, conhecida em guarani por “cy”, seria a Nossa Senhora, assim como a mãe de Deus, denominada pelos missioneiros como “Tupancy”. Como a língua dizia que “retan” siginificava “terra de”, Tupanciretã seria a terra da mãe de Deus.

Se o fato é lenda, crendice, mito ou verdade ainda se discute. Contudo, parece realmente que Nossa Senhora dispensa uma atenção especial ao município. Emancipado em 21 de dezembro de 1928 pelo decreto estadual 4.201 por Getúlio Vargas, Tupanciretã tem seu progresso intimamente relacionado às heranças dos índios charruas e minuanos que povoaram a região, bem como aos legados do povo polonês, que também é um marco na sua trajetória de desenvolvimento.

Graças à Nossa Senhora, à dedicação da sua comunidade e à competência dos administradores que lutaram pelos ideais e perspectivas econômicas do município, Tupã, como é conhecida a cidade, diversificou a sua produção e, depois de ter investido esforços na pecuária, tornou-se um dos maiores produtores de soja do estado.

Com um comércio avantajado, o varejo na venda de produtos alimentícios, vestuário, eletrodomésticos, combustíveis, materiais de construção, produtos agropecuários e de uso veterinário também são importantes destaques.

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O muro na entrada da cidade, a Igreja Matriz e a Praça Central traduzem Tupanciretã em arte, fé e verde.

Créditos: Arquivo Prefeitura Municipal e Liana Merladete

A Lenda

No vasto território das Missões, onde viviam os Sete Povos, não havia estradas nem ranchos de pouso. Apenas, de légua em légua, os viajantes da noite viam brilhar na distância, por entre as árvores, a luz de um candeeiro. Na maioria das vezes, era um rancho de palha, com a capelinha ao lado. Então, estes andarilhos cansados se dirigiam para lá e, chegando bem próximos, gritavam:

- "Ó de casa!"

Uma voz bondosa sempre respondia:

-"Sejam bem-vindos! Cheguem-se!"

Quando entravam, eram recebidos com carne grelhada, chimarrão, mas principalmente pela singela hospitalidade que sempre existiu na alma do povo que habita a campanha gaúcha.

Isto acontecia na época em que os jesuítas faziam longas excursões, acompanhados dos índios. Em uma destas excursões, pelos caminhos mal delineados, nas proximidades do planalto da Coxilha Grande, uma tempestade terrível se formou. O céu foi tomado por imensas nuvens negras que encobriram a Lua e as estrelas. Só os relâmpagos passaram a iluminar a trágica paisagem. E o rugir dos trovões pareciam com um fragor de montanhas rolando uma sobre as outras.

Exaustos, molhados, famintos e aflitos, eis que de repente, um relâmpago lhes mostrou, na fímbria do horizonte, em plena noite, o resplendor de um vulto. A silueta, embora muito pouco clara, era a da bela imagem da Nossa Senhora, que lhes apontou um certo lugar.

Um jesuíta, ajoelhou-se no solo lodoso e cheio de alegria cristã exclamou: -"TUPAN-CY!"

E, os índios aterrados, repetiam: -"TUPAN-CY-RETAN!", que quer dizer "TERRA DA MÃE DE DEUS", ou simplesmente: "TERRA DA NOSSA SENHORA". Neste lugar, os padres fizeram erguer uma cruz e uma capelinha que, por sua vez, tornou-se abrigo aos desabrigados. E ali, no meio da mata, floresceu, aos poucos, uma povoação, que em português, passou a chamar-se de Tupanciretã. Até hoje, ainda é uma terra hospitaleira, que recebe todos como seus filhos, sob a proteção de Nossa Senhora.

Fonte: www.rosanevolpatto.trd.br

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A devoção pela padroeira do município é latente nos moradores de Tupanciretã.

Créditos: Arquivo Prefeitura Municipal

Tupanciretã e a diversificação em prol do progresso

Confira os projetos da administração municipal e fique a par das perspectivas do município

Focada no desenvolvimento do setor agrícola e na diversificação de culturas, a administração municipal de Tupanciretã está voltada para o progresso e para a modernização. Incentivando o fortalecimento das pequenas propriedades rurais e dando destaque à produção leiteira, bem como para a vocação produtiva de soja, a prefeitura vem valorizando a condição de maior produtor da cultura no Rio Grande do Sul e, dado ênfase ao aspecto social de humanização no atendimento da comunidade.

Segundo a prefeita Iracema de Fátima Pileco Piroti, vários projetos estão em fase de desenvolvimento e a perspectiva para a conclusão é para o próximo ano. Entre os principais, a prefeita destaca a construção de uma agroindústria e ações na área educacional e saúde. Além disso, a administração municipal aponta a pretensão de continuar a política de valorização do funcionalismo público com o intuito de maximizar a qualidade na prestação do serviço.

A modernização da administração, a relação de diálogo, a harmonia e a parceria com todos os segmentos da sociedade são os pontos altos da administração. A prefeita conta que a garantia da prestação do serviço público em todas as áreas, mesmo em meio de uma crise financeira do estado é a certeza do cumprimento dos compromissos assumidos. “Existe um investimento significativo na recuperação, ampliação e construção de escolas, um projeto de eficientização da iluminação pública e um investimento de cerca de R$6.000.000,00 na saúde pública, além de obras no saneamento básico, unidades habitacionais e estradas”, ressalta Iracema.

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Entrada da Prefeitura Municipal

Créditos: Liana Merladete

Qualidade e desenvolvimento em todas as áreas

Saúde

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Na saúde, a prioridade da atual é a valorização do ser humano e o atendimento dos anseios da comunidade. Uma séria de ações e programas foram iniciados, garantindo uma maior qualidade na prestação de serviços. Entre eles: Intervenção do município junto ao Hospital de Caridade Brazilina, evitando o fechamento da casa; Reativação da unidade móvel médico odontológica com mais de 25 comunidades beneficiadas; Aquisição de uma nova ambulância com duas macas para atendimento de urgência e emergência; Aquisição de um gabinete odontológico; Construção de unidade de saúde no bairro pedreira; Atendimento médico noturno no bairro Coronel Marcial Terra e serviço de plantão junto ao posto do hospital no período da noite, finais de semana e feriados; Atendimento médico durante a semana em dois turnos junto à secretaria de saúde (INSS) para os usuários que não são cobertos pelo Programa de Saúde da Família; Retomada das cirurgias junto ao Hospital de Caridade Brasilina e; Atendimento médico na localidade do Espinilho Grande, com coleta e exame preventivo para as mulheres.

Meio Ambiente

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Sempre atenta às necessidades locais e priorizando o atendimento das questões relacionadas à preservação do meio ambiente, a secretaria prima pela construção de políticas em prol do desenvolvimento sustentável. Entre as suas principais ações estão o Mutirão da Cidadania; A distribuição de 5.000 mudas nativas para a preservação de mata ciliar; Palestras sobre licenciamento ambiental nas escolas municipais; Construção de um plano de políticas e taxas ambientais e; Criação do Consema (Conselho Municipal do Meio Ambiente), com participação ativa de 17 entidades.

Agricultura

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A atenção aos pequenos agricultores com enfoque para a produção de leite e na diversificação de culturas é a prioridade da secretaria da agricultura, bem como a elevada atenção à produção de soja. Entre as principais ações estão: A entrega de 25.000 alevinos pela secretaria da agricultura; A entrega de 1.400 mudas nativas e frutíferas aos produtores do município; Vacinação contra brucelose; Construção de 300 bebedouros e silos para ensilamento; Inseminação artificial com a disponibilização de técnicos, estrutura e materiais necessários para a reprodução; Terraplanagem para a construção de 80 casas nos assentamentos como contrapartida ao projeto desenvolvido para melhoria das habitações no meio rural; Abertura de fossas e sumidouros nos assentamentos e propriedades de pequenos agricultores; Aquisição de três tanques isotérmicos, segadeira, roçadeira e um tanque espalhador de esterco líquido para integrar a patrulha agrícola do município e; Implantação da Feira de Produtos Coloniais da reforma agrária com a construção e ampliação de 02 pontos de venda.

Administração

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Para a secretaria da administração a prioridade é o funcionalismo público, por meio da Associação Atlética dos Servidores Públicos Municipais ou do diálogo contínuo estabelecido com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, que vem apresentando sugestões e encaminhamentos para a administração como a discussão sobre um plano de carreira. Entre as principais ações estão: Aumento de 108% no vale alimentação; Reposição salarial nos índices do governo federal; Aquisição de um veículo 0km para auxiliar no transporte de pacientes para consultas e exames e; Qualificação dos servidores com cursos de formação.

Obras e Viação

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Trabalhando diariamente para a manutenção das vias municipais, dentre as principais ações da secretaria de obras e viação estão: Ensaibramento e canalização nos bairros da cidade; Colocação de tubos nas estradas do interior do município; Empedramentos em diversos pontos do interior e patrolamento rotineiro em todas as estradas vicinais; Manutenção das vias urbanas através de limpeza, recuperação de calçamentos e redes de esgoto; Troca da rede de água do centro e bairros da cidade; Realização da operação safra e operação leite e; Patrulha motomecanizada em parceria com o Incra.

Educação, Cultura e Desporto

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Como uma das prioridades do atual governo, entre as principais ações da secretaria da educação, cultura e desporto estão: Recuperação de prédios garantindo melhor infra-estrutura na área educacional; Ampliação de escolas na cidade e no interior; Recuperação do mobiliário das escolas públicas municipais e aquisição de mobiliário para as escolas de educação infantil; Construção de escola nova no reassentamento Cachoeira e; Garantia e melhoramento no transporte escolar.

Indústria e Comércio

A secretaria de indústria e comércio tem como finalidade específica a articulação de eventos que enaltecem o nome de Tupanciretã, bem como a busca de parcerias para a geração de oportunidades no comércio do município. Entre seus principais eventos e atividades estão: Olimpíada Rural e Olimpíada Inter Bairros, Semana da Cultura, Semana Farroupilha, Cavalgadas, Semana da Consciência Negra, 9ª Semeadura da Canção Nativa, Campanha Feliz 2008 Premiado, Domingo na Praça e Carnaval Municipal.

Coordenação, Planejamento e Trânsito

A secretaria municipal de coordenação, planejamento e trânsito conta com um departamento especializado na captação de recursos e encaminhamentos de projetos. Seus principais projetos no período são: Retomada do pagamento da iluminação pública; Eficientização da iluminação pública em parceria com a RGE; Elaboração do plano diretor participativo; Criação da home page do município; Implantação do pregão eletrônico e; Criação do departamento municipal de trânsito, adequando o município a legislação vigente.

Assistência Social

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Entre as principais ações da secretaria de assistência social estão: Construção de 34 unidades habitacionais; Auxílio na construção de moradias para famílias carentes; Doação de fraldas, alimentos, postes e caixas de luz, leite e materiais de construção; Ajuda com mão de obra para famílias carentes, Subvenções sociais, entre outras.

Fazenda

A secretaria da fezenda é responsável pela área mais importante do governo, tendo a responsabilidade de equacionar receitas e despesas, bem como elaborar e operar o orçamento público municipal. A aquisição de veículo para fiscalização e o pagamento em dia de fornecedores e salários de servidores são seus pontos altos.


Uma nova semeadura para uma grande colheita

Saiba mais sobre o evento que reserva uma programação de canto e amor à terra

Aprovado na audiência de 13 de setembro do Conselho Estadual de Cultura de Porto Alegre, pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), o Projeto da 9ª Semeadura da Canção Nativa tem mobilizado talentos locais e da região e, gerado expectativa na comunidade.

Com o slogan “Uma nova semeadura para uma grande colheita”, o evento acontece de 21 a 23 de dezembro, no Ginásio Bonumazão, e promete reunir um público diverso, atingindo crianças, jovens e adultos. O objetivo, segundo a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, é valorizar a música nativista, despertando o interesse da comunidade regional e estadual para os valores nativos.

O ponto alto do evento é o ensejo à integração, o intercâmbio artístico e cultural e, a troca de experiências entre os grupos, poetas, compositores, intérpretes e musicistas.

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Um canto de amor à terra e às nossas raízes

Além dos talentos apresentados nas fases local e estadual, a 9ª Semeadura da Canção Nativa traz para o público visitante os shows dos renomados Luiz, Marenco, Mulheres Pampeanas, Lambari e Cezar Oliveira e Rogério Mello.

Confira a Programação:

Dia 21 de Dezembro - Sexta-feira
18h: Solenidade Oficial de Abertura
21h: Início das apresentações
23h30min: Show com Luiz Marenco

Dia 22 de Dezembro – Sábado
21h: Início das apresentações
23h30min: Espetáculo Artístico com Mulheres Pampeanas

Dia 23 de Dezembro – Domingo
14h: Show com Cristiano Quevedo
16h30min: Apresentação das 12 músicas Finalíssimas
20h: Solenidade de entrega da Premiação e Encerramento
Show de Encerramento com César Oliveira e Rogério Mello

Conheça os Jurados que selecionaram as apresentações

Tuny Brum

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Músico, Compositor e Intérprete têm na base de seu trabalho a Música Popular Gaúcha. Foi vencedor e premiado em festivais importantes no cenário musical do Rio Grande do Sul como: Grito do Nativismo de Jaguari, Musicanto Sul Americano de Nativismo de Santa Rosa, Coxilha Nativista de Cruz Alta, Ponche Verde de Dom Pedrito, Guyanuba da Canção Nativa de Sapucaia do Sul, Acorde da Canção de Camaquã, Festival da Barranca de São Borja, Reponte da Canção de São Lourenço do Sul, Minuano da Canção de Santa Maria, Estância da Canção Gaúcha de São Gabriel, Canto da Lagoa de Encantado, Ronco do Bugio de São Francisco de Paula, Tafona de Osório entre outros. Tem suas músicas gravadas por intérpretes consagrados no Rio Grande do Sul e prepara seu primeiro disco solo com lançamento previsto para 2007.

Ivo Bairros de Brum

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Poeta, compositor, escritor e advogado, Ivo Bairros de Brum é autor do Livro de crônicas e poesias “Ainda Existe Um Lugar” e coordenador participante do Livro “Por Trás da Insígnia” de poesia. Atualmente está lançando o CD “Ivo Bairros de Brum na voz de grandes Intérpretes”. Foi vencedor de diversos festivais e autor de vários Clássicos Nativistas como Ainda existe um Lugar, O Canto do Sabiá e Um Homem Só, além de ter sido jurado de vários festivais do estado.

Luiz Carlos Ranoff

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Músico, compositor e arranjador. Como compositor venceu diversos festivais. Entre eles: Festival da Música Crioula de Santiago, Grito do Nativismo Gaúcho de Jaguari, Ponche Verde da Canção Gaúcha de Dom Pedrito, Sinuelo da Canção de São Sepé, Ronco do Bugio de São Chico de Paula, Querência do Bugio de São Chico de Assis, Comparsa da Canção de Pinheiro Machado e Semeadura da Canção de Tupanciretã. Ranoff possui mais de quatrocentas musicas gravadas por grandes intérpretes da musica regional gaúcha e participou de uma série de eventos como jurado.

Jairo Fernandez de Oliveira "Lambari"

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Jairo Alvino Fernandes, popularmente conhecido como Lambari, apelido adquirido ainda na infância, atua há mais de oito anos como cantor e compositor. Sua carreira musical teve início na inspiração das Califórnias e em nomes famosos como César Passarinho, Gujo Teixeira, Luiz Marenco, entre outros. Sua primeira participação em festival foi na 14ª Tertúlia realizado em Santa Maria, palco que foi precedente para a realização de diversos outros trabalhos e apresentações. Com dois discos que juntos venderam cerca de 15 mil cópias (Flor e Luna e Buena Vida), ficou conhecido em todo o Estado.

Lambari já participou do Festival santanense Um Canto Para Martin Fierro, como concorrente e como jurado, em um fase de sua vida que é lembrada com carinho.

Syomara Herter Terra

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Professora de piano e fundadora do Conservatório de Música Santa Cecília de Tupanciretã, Syomara já foi jurada de diversos festivais como Congart, Coxilha Piá e Compoart. A professora também foi destacada como melhor instrumentista na Semeadura da Canção Local, recebeu Comenda de Colaboradora Emérita do Exército Brasileiro por trabalho de educação musical e, trabalha com musicoterapia, técnica vocal e regência, além de ser membro do Conselho da Federação de Coros do RS.

Ritmo, letra e música em Tupanciretã

Saiba quem são os classificados para a 9ª Semeadura da Canção Nativa e confira as letras que emocionarão o público do evento

Depois de terem acesso às mais variadas demonstrações de talento em ritmo, letra e música, os jurados Tuny Brum, Ivo Brum, Luiz Carlos Ranoff, Lambari e Syomara Terra realizaram a triagem dos candidatos nos dias 27 e 28 de Novembro. Foram selecionadas 4 músicas para a fase local e 18 músicas para a fase estadual. Confira abaixo:

Classificados para a Fase Local

Lágrimas do Céu

Ritmo: Chamamé
Autor da Letra: Moacir Schimitt Volf
Autor da Música: Moacir Schimitt Volf

Uma barra escura se arma pra o norte com jeito de chuva
Se enche de esperança os olhos cansados do homem do campo
É final de janeiro e a seca castiga paisagens torradas
Pra encher as aguadas e aumentar a sorte de quem sofre tanto
O gado inquieto procurando sombra em algum capão
Enquanto a nuvem escura vem cobrir o sol que ainda tem duas braças
Uma brisa mansa trazendo o cheiro de terra molhada
No rancho as velas bentas pra Santa Clara pedindo esta graça

Não demora e o aguaceiro encharca os campos sedentos de chuva
Sangas murmuram, encharcam baixos e os olhos campeiros
Vai brotar esperança e o verde dos campos renasce de novo
Levando a seca embora e junto com ela o mês de janeiro

A chuva insiste não dando trégua enquanto a noite desce
Barulhão goteia adormecendo a pampa fecunda de vida
Um galo cantor desperta a natureza e o coral dos banhados
E um sabiá em cantoria canta melodias já quase esquecidas
E o dia nasceu com outra paisagem em minha retina
O verde predomina e o campo exala perfumes de flores
Revoada de garças que andavam ausentes na taipa do açude
Repintam a moldura da pampa regada coberta de cores

São verões rigorosos que secam vertentes e a água escasseia
Entristece a pampa e a grama resseca rasgando o chão
Mas a fé desses homens de estampa simples que rezam calados
Se renova com lágrimas que vem do céu e chuvas de verão

Remanso de Penas

Ritmo: Rasguido Doble
Autor da Letra: Domingos Terra Filho e Máximo Fortes
Autor da Música: Alex Palma

Remansos se formam nas curvas do rio
e as águas se aquietam nos seus faxinais
Parando canas de quem não partiu
juntando descasos dos mais animais

No fundo os remansos serenam as águas
Recolhem as penas das almas sofridas
que vieram apenas, formar corredeiras
perdendo caminhos nos tombos da vida

Se a mãe natureza
Não perde a paciência
E o progresso da ciência
Não for um mundéu
Até as estrelas darão aos remansos,
O azul mais profundo que existe no céu

Quem sabe o remanso, é ponto de encontro
é tanque do pranto de alguém que chorou
juntando saudades de amores distantes
que vieram nas águas e o tempo afundou

É hora de todos reverem conceitos
de ver que a bondade é remando do bem
Sem águas mais claras é o rio que falece
levando a esperança de vida também

Pesqueiro

Ritmo: Chamamé
Autor da Letra: Flaubiano Silveira Lima
Autor da Música: Régis Reis e Rogênio D. Reichembach

Pedaço de várzea sovado,
na margem do açude beirando um capão
santuário das linhas de espera,
nas noites de lua, fazendo serão

Palco da orquestra dos grilos
concertos ocultos no breu dos varzedos
talvez pra ninar as estrelas,
que espelham nas águas noturnos segredos

Pesqueiro, sentado em teus tacurús
eu assobiava com os grilos
coplas perdidas no tempo
e os vagalumes luzeiros
com ciúmes das estrelas
dançavam rituais de luz
no embalo manso do vento

declamando:

“Pesqueiro, catre dos peixes aflitos
fisgados pelos anzóis
cismando voltar p’ras águas
sina de tantos pescadores de esperança
que, por não terem destino
pescam no escuto das mágoas

Palco da orquestra dos grilos
concertos ocultos no breu dos varzedos
talvez pra ninar as estrelas
que espelham nas águas noturnos segredos

Pesqueiro sovado de anseios e esperas
na quietude das linhas que silenciavam cincerros
contemplando nos juncais, as trairas que boteavam
tentando beijar a lua, que se entronava nos cerros

Pesqueiro, sentado em teus tacurús
eu assobiava com os grilos
coplas perdidas no tempo
e os vagalumes luzeiros
com ciúmes das estrelas
dançavam rituais de luz
no embalo manso do vento.

Onde eu Vivo a Morar

Ritmo: Toada
Autor da Letra: Nilton Carlos Rosa
Autor da Música: César Lindemeyer

Em busca da paz e da felicidade
Construí um rancho bem longe da cidade
Fiquei encantado com tanta beleza
E a sabedoria da mãe natureza
Fiz deste encanto pra sempre o meu canto
Distante dos conflitos e das incertezas
Neste lugar testemunho o sol nascer
E a alvorada milagre do amanhecer

Ternas madrugadas, serenas perfumadas
As canções dos pássaros fáceis de entender
Ensinando a gente em cantos contentes
Que a vida é um presente para se viver

É neste lugar que vivo a morar
Creio que encontrei agora o meu caminho
Junto com alguém que eu quero tanto bem
Não sinto saudades, não sou mais sozinho

Neste lugar que vivo a morar
Creio que encontrei agora meu caminho
Junto com alguém que eu quero tanto bem
Não sinto mais saudades, não sou mais sozinho

Neste lugar encontrei a liberdade
Matas, mananciais verdes sesmarias
No entardecer a hora do descanso
E sorrisos mansos, abraços alegrias
O mate que passa por mãos calejadas
Da lida pesada vivida no dia
Foi neste lugar onde me encontrei
Hoje é realidade sonhos que sonhei

Neste meu mundo bem longe da cidade
Feito de verdade, de paz e de gente
Todas as vertentes ainda são puras
E o amor é jura, dura eternamente

É neste lugar que vivo a morar...

Classificados para a Fase Estadual

Nossas Mãos

Ritmo: Milonga Arraballera
Autor da Letra: Máximo Fortes e Wolmar Flores
Autor da Música: Wolmar Flores

Nossas mãos são as estrelas
e os dedos raios de luz
revelam homens puros
embora de muitas delas
o sentimento se ausente tomando rumos escuros

Lembre sempre quem ouvir
um violão dedilhado
que antes dele ser tocado
foram as mãos marceneiras
que deram voz, por ofício
a um pedaço de madeira

Um dedo aponta caminhos
as vezes balança um não
mas também chama de volta
e ajuda abrir uma porta batendo
as palmas da mão

Pode um dedo sobre os lábios
pedir silêncio de alguém
ou então fazer convites
para um momento de amor
quando as mãos deixam no rosto
duas rosas de calor

A mão firme nas rodilhas
é certeza de campeiro
que a lida pede prum pialo
pois Deus, que sabe de tudo
Deu as mãos para o homem
E as patas, pro seu cavalo


Carta ao Pai

Ritmo: Canção
Autor da Letra: Rômulo Chaves
Autor da Música: Piero Ereno

Hoje o papel ganhou nuances de saudade
pois na verdade o tempo veio me encontrar
neste momento em que a emoção se faz querência
lembro a essência que compunha o nosso lar...

Pai, é o teu guri quem te escreve,
com alma leve, renovada em sentimento
se meus recuerdos gastam sonhos alma afora,
a cada aurora, o sol te traz em pensamento...

Pai, eu escrevi porque entre as léguas do caminho
me sinto tão sozinho, então te busco uma vez mais
pai, quero dizer que ainda lembro teu abraço...
por isso firmo o passo, sem te esquecer jamais

Nestas andanças, amizade nunca morre
e me socorre na angústia e no temor
então relembro teus conselhos, tua coragem...
cada mensagem de verdade e amor

Pai, encerro a carta e agradeço
me reconheço um homem justo e mais maduro
ao Pai maior, faço um pedido com respeito
ter o teu jeito, com meu filho, no futuro!

Restos de Ausências

Ritmo: Valsa
Autor da Letra: Eron Carvalho
Autor da Música: Ivan Moura

Ao cair da tarde, num rancho solito
quando despacito sirvo um chimarrão
consumindo a vida, nestas tardes calmas
vou lavando a alma, nesta solidão.

Horas pensativas que afloram lembranças
tantas esperanças me escapam da mão
e uma saudades antiga de tempos risonhos
restevando sonhos no meu coração.

São restos de ausências e magoas que sinto
pelos labirintos e bretes da vida
hoje já não choro lágrimas ao vento
nada é como o tempo pra curar feridas.

Sempre que o silêncio vem brindar a tarde
e o sol sem alarde morre no infinito
me paro calado à contemplar o poente
na sina inclemente de matear solito

Meu rancho campeiro resistindo ao tempo
plantado ao relento, junto ao corredor
abrigando sonhos desde campesino
num viver teatino, carente de amor

Cordeonas

Ritmo: Chamamé
Autor da Letra: Silvio Aymone Genro
Autor da Música: Pirisca Grecco

Ah essas cordeonas que cantam amores
E dão voz às dores dos que vivem sós
Baús de segredos que ao toque dos dedos
Amansam os medos que moram em nós

Essas cordeonas, musas dos gaudérios
Donas de mistérios e ânsias bagualas
No livro do fole, o sopro profano
Do vento minuano nas franjas dos palas

Essas cordeonas
Cigarras choronas
Donas desse encanto
Que a tantos fascina
Tem timbre de terra
No berro dos baixos
Mesclado com suaves
Sussurros de china

Ah essas cordeonas que em noites sinuelas
Convidam estrelas do céu pra dançar
Enquanto o gaiteiro canta as mágoas suas
Namorando a lua que ficou sem par

Com acordes que acalma almas sofridas
Fechando as feridas das desilusões
Ah essas cordeonas, amantes ardentes
Reacendem na gente o fogo das paixões

Minha Alma Foi Embora

Ritmo: Toada
Autor da Letra: Rodrigo Bauer
Autor da Música: Jair Oliveira de Medeiros

Eu escuro o meu silêncio
que pergunta “Aonde esta?”
Minha alma foi embora e, assim,
Levou parte de mim!

Voa... entre as estrelas...
Busco um dia vê-la!
Minha alma foi embora, então,
vivo na solidão!

Talvez abrisse as asas um dia
para voltar
mas se perdeu no ar;
por isso se foi...
Quem perde a alma encontra o vazio
de cainhar,
não sabe retornar,
nem busca o depois!

Minha alma foi embora
mas um dia vou achá-la...
vou buscá-la pelo mundo e, enfim,
voltarei para mim!

Sigo... buscando a esmo,
O rastro de mim mesmo...
Sem a alma, mesmo na multidão
Sofro de solidão!


Vida Teatina

Ritmo: Vaneira
Autor da Letra: Eron Carvalho
Autor da Música: Eron Carvalho

Venho chegando de à cavalo companheiro
Num trotesito chasqueiro deste potro redomão
Venho cantando porque a vida vale a pena
Tenho tantas coisas buenas pra contar ao coração.

Campeando festa, numa tarde de domingo
Ato as rédeas do meu pinge numa bailança campeira
Arrasto o toso pro lado de uma pinguancha
E minha alma se desmancha no cabo de uma vaneira.

Quando me chego junto ao balcão do bolicho
Me acomodo num cambicho que me cincha o coração
Eu sou teatino, mas se saudade me agarra
Gasto tudo numa farra com a mais linda do rincão.

De tanta fuzarca já ando com o pala em fiapo
O índio tem que ser guapo pra lamber sal no meu coxo
E nos fandangos meto pata a reveria
Numa vaneira macia de sair de queixo roxo.

E desse jeito eu sigo levando a vida
Não dou nem peço guarida, sou filho da liberdade
“To” nesse mundo, mas não sei até que dia
Por isso quero alegria, e busco a felicidade.

Um Brasão do Rio Grande

Ritmo: Chamarra
Autor da Letra: João Sampaio/Diego Müller
Autor da Música: Jorge Freitas

Me criei enforquilhado
Gineteando a campo fora
Minha canção de ninar
Foi o tinido da espora
Sou um rei da raça gaúcha
Meu trono xucro é este basto
Vivo solto ao Deus-pará
Igual semestre de pasto!

Também sou cantor campeiro
Isso descobri ainda novo
Soltando aos quatro ventos
A cantiga do meu povo
Mesmo que não tenha nada
Vou seguindo assim sem luxo
Sempre agüentando o tirão
Feito um palanque gaúcho

Que eu siga honrando esta gente
Peço que Deus me comande
Pois quando abro meu peito
Viro um brasão do Rio Grande

Trago estampado na alma
O meu jeitão de bagual
Agradeço a um Deus Gaúcho
Por ter me feito imortal
E, se alguém me olhar, verá
Que o pago me fez assim
Porque faço parte dele
E, ele faz parte de mim

Deus moldou a minha estampa
Me fez alma e semelhança
Talhado a casco de cavalo
Desde os tempos de criança
Mesmo que não tenha nada
Morro queimando cartucho
Enraizado na terra
Feito um palanque gaúcho!

Que eu siga sempre gaúcho
Em qualquer lugar que eu ande
Quando escancaro a garganta
Viro um brasão do Rio Grande

Urbanos

Ritmo: Canção
Autor da Letra: Érlon Péricles
Autor da Música: Érlon Péricles

Urbanos, campeiros modernos,
que trazem saudades de um fundo de campo
Querência, abrigo dos ventos,
são novos braseiros pros velhos invernos
A chama é a mesma de antes,
centauros no pampa em novos cavalos...
Batendo no pó das estradas
o sonho, a alma e seus sentimentos

A que se cantar o Sul,
a que se tocar em frente...
a que se romper fronteiras
com rumos itinerantes
Numa paisagem urbana
nossa saudade rural,
co’a lembrança interiorana
a dor refuga o buçal...

Faz tempo que eu vim lá do campo
trazendo a esperança comigo,
sabendo que andar é preciso
na busca de um dia melhor...
E assim feito eu, tantos outros,
gaúchos de fato e direito,
carregam no peito esse amor
pela terra natal.

No Silêncio de um Retrato

Ritmo: Milonga
Autor da Letra: Piero Ereno/ Leonir Bortolas
Autor da Música: Diogo Matos

Não há momento mais amargo que o poente
Enquanto o sol risca seu raio derradeiro
Cruzando as frestas da janela desse rancho
Pra desenhar, no rosto imóvel, mais um beijo...

Não há estrada mais comprida que uma espera
Em longas noites de uma angústia impassível...
Pelo abraço que era sempre tão provável,
Mas que a distância fez agora impossível...

Teus olhos me olham,
Da imagem calada,
Enquanto uma lágrima
Escorre de mim...

São tantas lembranças
Que guardo em silêncio
E amargam nos lábios
Com gosto de fim...

Não há prisão mais resistente que a lembrança
Daquele beijo que era pleno de ternura...
E a madrugada aprisionou – à luz da lua –
Numa figura preta e branca na moldura.

Não há imagem mais sofrida que o sorriso,
(Antes real – transfigurar-se ao abstrato)
Sendo apagado a cada dia em minha vida
Guardando o tempo no silêncio de um retrato.

Por Onde Andar

Ritmo: Canção
Autor da Letra: Máximo Cirano Fortes
Autor da Música: Marcos Heinsch

Quem anda sem destino, anda pouco
Quem anda sem amar, não anda nada
Não basta caminhar prá dar sentido
Ao tempo que se perde em cada entrada

Por onde meu Deus, andam os sonhos,
Sem asas, sem vontade de voar
Quem sabe dizer o que se esconde
De quem, por desistir não quer andar

Por quem, meu Deus busquei nas fontes
As águas pra mais que eu carreguei
Talvez alguém que amei e não me quis
Ou mesmo, quem me amou, mas não amei

Caminha que o chão guarda a pegada
Dizendo das origens de quem veio
Trazendo a flor mais linda e perfumada
Ao tempo de saudade que hoje eu tenho

Quem muda sem razões o próprio rumo
Só lembra do que a vida não lhe deu
Arrisca andar no mundo da incerteza
Sofrendo sem saber o que perdeu.

Anjo Guardião

Ritmo: Canção
Autor da Letra: Túlio Varela, Tiago e Túlio Souza
Autor da Música: Arison Martins

Alma viajeira cruza o campo
Planando e semeando a paz,
Espectro silente e branco
Puro como o coração que traz!

Mensageira da esperança
Nestes tempo de aridez,
Nos rincões que ela alcança
A paz guarda sua vez!

Este anjo claro de luz
Se nutre de pensamentos,
E com seu brilho conduz
Os puros de sentimentos!

Dá o pão a quem tem fome
E água pra quem tem sede,
Nem tem um próprio nome
Mas atende a quem lhe pede!

Anjo é flor do campo
E água pura dos rios
Esperança pra tantos,
E calor pra quem tem frio.

Sobre um Trem que Partiu

Ritmo: Milonga
Autor da Letra: Moisés Silveira de Menezes
Autor da Música: João Chagas Leite

Quando o trem partiu foi-se um sonho amigo
No ar um aceno de amor antigo
Quando o trem partiu, partiu uma metade
E ficou vazia a estação da saudade.

Quando o trem partiu, pássaro sem ninho
Errei pelas ruas cantando baixinho.
Só ficou no peito trancado um desejo
Um olhar perdido e o gosto de um beijo

A casa impregnada de lembranças tuas
Saltando ainda vivas das paredes nuas
Ainda hoje ouço o tem partir cantando
Sensação estranha de partir ficando

Na curva do ontem
Um apito me vem
Saudade bonita
De quem foi no trem

Na curva do ontem
Sombra na janela
Saudade bonita
Tem o jeito dela

Jardins

Ritmo: Milonga
Autor da Letra: Alex Palma
Autor da Música: Alex Palma

Quero cuidar dos jardins,
Como quem cuida um amor
Ver na semente plantada,
A esperança renovada,
Renascendo em cada flor

Pois na seara dos sonhos,
Onde o jardim tem mais cor,
Quem rega a própria saudade,
Sabe que as secas da idade
Carecem gotas de amor

Quem semeia novos rumos
Pra uma colheita do bem,
Tem um jardim pra cada sonho,
Com as flores que a vida tem

Quando um jardim perde a cor,
Pela força do verão.
Mesmo a flor desbotada,
Deixa beleza plantada,
Pra rebrotar no coração

Quero um jardim sem espinhos,
Para os amores sem fim.
Ter nos canteiros da vida,
Primaveras coloridas,
Pros invernos, que há em mim

Estouro de Tropa

Ritmo: Vaneira
Autor da Letra: Rafael Teixeira Chiapeta
Autor da Música: Sabani F.Souza e Digo Oliveira

Quando a tropa ta no poço,
E um boi berra sestroso,
É prenúncio de alacria
Se voar um passarinho,
A boiada “estoura” o ninho,
Feito um talho na sangria

No tinido do alambrado,
Cheira então chifre queimado,
Num rumor direito a grota.
Um tremor se faz na terra,
Qual tambores numa guerra,
No estouro de uma tropa

Fica feio este entreveiro,
Quando não tem o tropeiro,
Nem um prateado de lua
Vai trompando a noite escura,
E, na boca uma amargura
Num adeus para a xirua

O chapéu vai bem na testa,
E pro índio só o que resta,
É o pingo nesta hora
Num sinal então da cruz,
Proteção pede a Jesus
E também a Nossa Senhora

De cavalo na espora,
Vê o mundo que se atora,
Na pechada de um turuno
No relincho da guampada,
Vem a morte sentenciada,
Na sangria de um lubuno

Já não sou mais o tropeiro,
Porque o tempo caborteiro,
É qual vento que galopa.
Te confesso meu compadre,
Pois te digo sem alarde,
Hoje é eu que sou a tropa

O Meu Olhar

Ritmo: Canção
Autor da Letra: Rodrigo Bauer
Autor da Música: Érlon Péricles

O meu olhar desgarrado
Que não esquece o passado
Mas sabe ver o futuro,
Olha pra vida com calma
E acendo o fogo da alma
Por isso enxerga no escuro

O meu olhar infinito
Transborda as mágoas aflito
Se a vida fica mais séria,
As vezes perde as estradas
E assim olhando pro nada
Enxerga além da matéria

O meu olhar incontido
Transcende o próprio sentido
Pra procurar um alento,
Mas se me perco na hora
O olhar se fecha por fora
E então enxerga pra dentro

O meu olhar inconstante
Mesmo perdido ou distante
Com a luz do sol ou do breu,
Sabe me ver com clareza
E enfim com toda a certeza
Enxerga mais do que eu

Sobre a Sombra dos Campos

Ritmo: Milonga
Autor da Letra: Luis Fernando Gastaldo
Autor da Música: Emerson Martins

Já ando meio cismado
Com este sol que brilha tanto...
Sem colorir meus caminhos
Nem alegrar o meu canto.
Do campo já não sou dono
E água.... Só arrendada
A miséria impõe a sombra
E a lida não rende nada.

Quem nos falou algum dia
Que o sol nasceu para todos
Talvez não tenha vivido
Na solidão e abandono.
Até pra quem foi bem longe
Changuear na luz da cidade
Só restam matizes cinza
Á sombra da sociedade

Preciso acender a luz
Que trago dentro de mim
Pois o caminho do início
Nunca é o mesmo do fim
Quem percebe a leveza
Da sombra por sobre as águas
Saberá manter seus sonhos
Acima das próprias magoas

Sobre a minha própria sombra
Trilhei caminhos escuros
Mas há uma luz no alto
Que nos dá rumo e futuro
A força que imponho à terra
Traz calos, que um dia somem
E o campo com vivas cores
Ainda sustenta o homem

Uma Nova Semeadura

Ritmo: Milonga
Autor da Letra: Nenito Sarturi
Autor da Música: Nilton Ferreira

O sol espalha seus raios anunciando mais um dia
E a geada principia a erguer-se deste chão:
É hora do semeador empeçar sua labuta
Revirando a terra bruta pra uma nova plantação

É tempo de pôr tenência na melhor fase da lua,
De vestir a terra nua com sementes de esperança,
Nesta nova semeadura onde arados e enxadas
Rasgam a várzea molhada planando sonho e bonança

Vamos todos de mão dadas
Mostrar a fibra de um povo
Pois a terra que semeamos
Aos seus filhos não rejeita.
Vamos unir nossas forças
Valorizando a cultura
Numa nova semeadura
Para uma grande colheita

Assim como a terra bruta acolhe o sêmen disperso
O papel recebe o verso pra gestar minha cansão:
Minha pena é saraquá que semeia fartas vergas
Esperando que essa entrega gere frutos para o “pão”

Sou semeador de palavras que replanta em cada rima
Uma fé que contamina a quem ouve o meu cantar:
Na seara da existência vou semeando o que me falta
Pois a messe será farta se a injustiça não vingar

Em Busca de Sonhos

Ritmo: Toada
Autor da Letra: Diego Muller e Hercules Grecco
Autor da Música: Zulmar Benitez

A alma alimenta os sonhos
Quando se chegam pra gente
Com promessas acenadas
De um mundo bem diferente...
Avaliamos cada risco
Que a queda pode vir cedo
Na sombra de cada curva
No escuro que traz o medo!

E a coragem que nos falta
Abala o sonho que falha,
O medo sufoca a chama
Que vira fogo de palha...
E a cinza que sobra agora
É só lembrança, é migalha,
É fumaça da amargura
Que o sopro do medo espalha!

Quantas coisas nós perdemos
Pelo medo de perdê-las
Agarrados nas certezas
Lá se vai a luz da estrela...
Todo sonho tem seu preço
Pra alcançar tem que pagá-lo,
Não basta chorar no rastro
De um sonho que foi pro ralo!

A estrada é traiçoeira...
A vida é curta e precária...
Não vale fugir da raia
Quando a aposta é necessária!
Ousar é regra do jogo,
Só joga quem tem talento
Tendo o sonho como guia
E a fé como instrumento!!

Uma comemoração pelos 79 anos de crescimento e desenvolvimento agropecuário

Tupanciretã faz aniversário e reserva uma programação diversificada para a comunidade

Para comemorar os seus 79 anos, a administração municipal de Tupanciretã trouxe a sua comunidade atrações desde o final do mês de novembro. Entre elas uma novena móvel da padroeira, a Olimpíada Intebairros, o Baile do Shopp, os projetos Aluno Nota 10 e o XVII Torneio Internacional de Bochas “Puro Sangue”, além do concurso para a eleição da mais bela estudante do município, formaturas, copa de futsal, rodeios, encontros e shows.

No final do mês de dezembro, as principais atrações são a entrega dos certificados do Dia do Voluntário, a conclusão do ensino fundamental da Escola Dr. Flory Druck Kruel, a 9ª Semeadura da Canção Nativa, a 1ª Cavalada do Abraço a Tupanciretã, Domingo na Praça e a Troca de Sacolas de Livros entre Bairros.

Conforme as informações disponibilizadas pela secretaria de indústria e comércio, os eventos tem um grande destaque no município e são planejados conforme a necessidade da sociedade e da divulgação do nome da cidade. “A secretaria fica a mil. Não pára. Cuidamos e planejamos todo esse calendário com atenção, destaca a secretária Viviane Soares Rodrigues.

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Os preparativos para o carnaval 2008 de Tupanciretã já iniciaram.

Créditos: Arquivo Prefeitura Municipal

Tupã em números

Caracterização

Porte: Médio-Pequeno
Altitude da sede (m): 465
Área (Km2): 2251,863
Latitude: -29,081
Longitude: -53,836
Microrregião: Santiago
Mesorregião: Centro Ocidental Rio-Grandense Sul

Indicadores Populacionais

Estimativa Populacional 2004: 21.763
Estimativa Populacional 2005: 21.944
Estimativa Populacional 2006: 22.123
Variação da População 2004- 2006 (%): 1,654
Densidade Demográfica 2006 (hab/Km²): 9,82

Contagem da População (2007)

Censo 2000: 20.949
Estimativa 2006: 22.123
Contagem de 31/08/2007: 22.500
Contagem de 05/10/2007: 22.556
Variação de 31/08 para 05/10: 0,2%
Variação da Estimativa 2006 para 05/10: 2,0%
Variação do Censo 2000 para 05/10: 7,7%

Indicadores Econômicos (2004)

PIB em (R$ 1000): 298.099
Posto PIB: 81º
Participação (%) PIB: 0,21
Crescimento PIB (%): -26,6
PIB Per capita (R$): 13.698
Posto Percapita: 172
Relativo Per Capita: 1,03
Cres. Per capita(%): -27,2
VAB (%) Agricultura: 44,02
VAB (%) Indústria: 6,39
VAB % Serviços: 49,59
Participação VAB no Estado (%) Agropecuária: 0,60
Participação VAB no Estado (%) Indústria: 0,03
Participação VAB no Estado (%) Serviços: 0,27

Fonte: [www.famurs.com.br]


Evolução da Receita

Receita Total 2000 2001 2002 2003
Tupanciretã/RS 10.095.474,79 -- 12.326.918,54 15.661.280,59
Rio Grande do Sul 5.477.530.580,19 6.016.287.372,86 6.741.290.984,95 8.405.802.734,38
Brasil 78.912.200.041,98 87.460.728.681,76 93.065.506.275,43 113.117.215.253,26


Crescimento Bruto 2000/2001 2001/2002 2002/2003
Tupanciretã/RS -- -- 27,05%
Rio Grande do Sul 9,84% 12,05% 24,69%
Brasil 10,83% 6,41% 21,55%


Diferença de resultados comparativos da evolução da Receita Total, Tupanciretã/RS com a UF e o Brasil (%).

A tabela abaixo apresenta as diferenças de resultado da evolução da Receita Total do município de Tupanciretã/RS frente ao seu estado e ao Brasil.

Os resultados percentuais negativos expressam que as unidades territoriais obtiveram um crescimento maior que o município. Já os resultados positivos, que o município obteve um crescimento maior que seu estado e o Brasil.

Tupanciretã/RS Rio Grande do Sul Brasil
Período 2000 /2001 (%) -- --
Período 2001 /2002 (%) -- --
Período 2002 /2003 (%) 2,36 5,50


Cooperativa representa a tradição do campo há 37 anos

Confira o papel da Cooperativa Agrícola Tupanciretã no município e suas áreas de atuação

Com a missão de estimular o desenvolvimento na cadeia do agronegócio, propiciando qualidade, tecnologia e competitividade ao associado, a Cooperativa Agrícola Tupanciretã, a conhecida Agropan, foi fundada em 30 de dezembro de 1970. De lá para cá, a organização vem perseguindo o objetivo de tornar-se referência nacional na qualidade de seus produtos e serviços, vida e preservação ambiental, oportunizando o desenvolvimento regional sustentado em um ponto de excelência.

Conforme as informações disponibilizadas pela gerência geral da cooperativa, recebimento, limpeza, secagem, armazenamento e comercialização de grãos, bem como o fornecimento de insumos e assistência técnica são seus principais serviços.

Com 1.382 associados, a Agropan atende, além de Tuoanciretã, os municípios de Júlio de Castilhos, Cruz Alta, Jarí, São Pedro do Sul, Jaguari, Mata, Santiago, São Miguel das Missões, Santo Ângelo, Augusto Pestana e Jóia.

De acordo com o gerente geral Volfe Umberto Gobbato, a cooperativa localiza-se numa área estratégica e as suas 11 unidades de recebimento têm promovido o desenvolvimento da região que é essencialmente agrícola, bem como é referencial para o balizamento dos preços de produtos agrícolas e insumos.

Os resultados de sucesso, segundo o gerente, são atribuídos à credibilidade da empresa, à equipe comprometida com o trabalho e aos benefícios oferecidos aos associados. “Além de contarmos com uma equipe qualificada e comprometida com a cultura organizacional da cooperativa, procuramos levar ao associado, por meio do nosso setor técnico, todas as novidades em agricultura de precisão, tratos culturais, treinamento, entre outros aspectos, seja no âmbito nacional, como no internacional, finaliza Gobbato.

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A cooperativa atingiu um inusitado nível de crescimento e se destacou através de sua competência e constante busca por resultados positivos.

Créditos: Liana Merladete

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O gerente geral Volfe Umberto Gobbato afirma que a Agropal procura constantemente acompanhar a tecnologia.

Créditos: Liana Merladete


Reconhecimento

A Agropan conquistou em 2007 uma importante posição no ranking das maiores empresas do setor de grãos entre as 500 empresas mais rentáveis divulgadas pelo Anuário Exame de Agronegócios e entre as 300 maiores empresas do sul na revista Anuário Expressão.

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A Agropan conquistou o reconhecimento do mercado como uma das maiores empresas no mercado de grãos do país.

Créditos: Liana Merladete

Significado

A Agropan comemora 37 anos no dia 30 de dezembro e, como marco histórico na agricultura e no desenvolvimento de Tupanciretã e região, até hoje seu nome e seu logotipo despertam curiosidade. Conforme as informações disponibilizadas pela gerência geral, AGRO vem do latim e significa campo; PAN, por sua vez, vem do grego e significa todo ou toda. Dessa forma, Agropan quer dizer todo o campo ou toda a agricultura pelas suas raízes. Já as listras verdes do logotipo significam os cereais; uma das pretas, a cabeça da ave curicaca, que se alimenta de insetos e; a outra, a aiveca de um arado, símbolo da agricultura.

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A ave Curicaca contemplada no logotipo da Cooperativa é popularmente conhecida como protetora da lavoura.

Créditos: Liana Merladete

Ligações Externas