Silveira Martins – FESBATA

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Região Centro - Cidades e notícias

  • Data de Publicação: 30 de Maio de 2008



Nos 131 anos de Imigração Italiana na Quarta Colônia, Silveira Martins revela sua vocação agrícola, turística e empreendedora.

Impulso à vocação agrícola

No ano internacional da batata, Silveira Martins promove a 3ª edição da FESBATA


O planeta come batata. Alguns comem em forma de pão. Outros de fritas, de purê ou, combinada com as mais diversas opções gastronômicas. Isso, independentemente da classe social, há mais de oito mil anos. Mas a história conta que nem sempre foi assim. Desde que descoberto, na região andina do Lago Titicaca, entre o Peru e a Bolívia, o tubérculo que passou por guerras, tempos de bonança e chegou aos quadros de Van Gogh, foi considerado comida de pobre até o século 18. Só mais recentemente foi apontado como um complexo vitamínico essencial para o corpo. Para ter uma idéia do potencial do alimento, em uma simples batata média há 45% da dose diária de vitamina C fundamental para o ser humano. Não foi à toa que em 22 de dezembro de 2005, uma assembléia geral da Organização das Nações Unidades (ONU), declarou o ano de 2008 como o ano internacional da batata. A resolução assinala que a batata é um dos principais alimentos na dieta da população mundial e que se faz necessário focalizar a atenção, em parâmtero global, para o papel que a cultura possa ter para prover a segurança alimetar junto à população de todo o mundo. Também com essa responsabilidade, Silveira Martins, o berço da Quarta Colônia de Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, faz a sua parte. Distante 30km de Santa Maria e 300km de Porto Alegre, o município que é considerado um dos principais produtores e comerciantes de batata no Estado, justamente no ano internacional da cultura, realiza a terceira edição da Festa Estadual da Batata (FESBATA).

De acordo com a assessora de comunicação da administração municipal, Cátia Ferret, alavancar a principal vocação agrícola e turística de Silveira Martins é o propósito do evento. Ela conta que o município, conhecido como a terra da batatinha, sofreu uma decadência na produção na década de 70 e, que já nos anos 80, Silveira Martins começara a retomar a produção. Conforme a assessora, em 2006 a retomada ganhou força e, agora, em 2008, tem a oportunidade de aprimoramento técnico, valorização da italianidade, realização de bons negócios e crescimento econômico em todos os setores. “Toda a programação da feira foi trabalhada para que valorizássemos a influência italiana e para, principalmente, fortalecermos todo o ciclo da batata, seja por meio da orientação técnica como pela tradição local”, enfatiza ela.

A IV FESBATA tem o patrocínio do Banrisul e da Secretaria Estadual de Turismo. O evento também conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, Emater/RS-ASCAR, Secretaria de Desenvolvimento Territorial, Ministério do Desenvolvimento Agrário/IICA e J.Adams Propaganda. A realização fica por conta da Associação dos Produtores de Batata da Quarta Colônia (ASBAT) e, a promoção é da Prefeitura Municipal de Silveira Martins. A festa acontece nos dias 30, 31 de maio e 01 de junho e uma programação diversificada (vide página 4) receberá a comunidade e os turistas com opções culturais e de negócio.


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A FESBATA é um evento bi-anual que faz do produto-símbolo da cidade um atrativo turístico, gastronômico e econômico para todo o RS. Nesta edição, as atrações serão variadas.

Créditos: Arquivo Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal



Para a ASBAT a perspectiva é de sucesso

A IV FESBATA é uma importante possibilidade para os produtores locais interagirem e trocarem informações e experiências, bem como para projetar Silveira Martins para a região, Estado e País. A afirmação é de seu Idino Anversa, conselheiro da Associação dos Produtores de Batata da Quarta Colônia (ASBAT). Ele conta que a associação, presidida pelo filho Diovani Maffini Anversa, tem 135 associados e que a realização da FESBATA já gera expectativa de sucesso. De acordo com Anversa, a festa equilibra entretenimento às principais funções da festa, que vão da tradição cultural à orientação técnica. Para ele, entre os pontos altos da associação estão as parcerias e os encontros semestrais de planejamento. No que se refere à questão das parcerias, ele salienta a forte aliança com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que por meio de um convênio possibilita toda a orientação acerca de aspectos diretamente relacionados com o potencial de produtividade, como é o caso do melhoramento genético. A Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e a Universidade de Passo Fundo (UPF) também são parcerias da ASBAT. A associação tem uma assembléia a cada seis meses para definir seu planejamento estratégico. A próxima está prevista para o mês de julho.


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Seu Idino Anversa tem expectativas positivas para a 3ª edição da Fesbata.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann.


Você sabia?

Que o nome Silveira Martins é um tributo ao império, especificamente ao senador gaúcho Gaspar de Silveira Martins? É verdade. E, a cidade que leva o nome do senador tem uma série de pontos turisticos. Entre eles , o Museu do Imigrante, a Paróquia Santo Antonio de Pádua, o Monumento ao Imigrante, o antigo Colégio Bom Conselho E o Moinho do Moro. Também são destaques a Cascata do Mezzomo ( foto), a Pedra do Guerino e a Quinta Dom Inácio, entre outros.


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Ciência e Sustentabilidade

Do refugo da batata, a descoberta

O médico veterinário Felisberto Antônio Barros, aposentado e sócio-proprietário da Indústria Santa Eulália Ltda, é o responsável por uma descoberta científica que ainda deverá projetar Silveira Martins para o mundo. Na sua casa, num cenário rústico e repleto de objetos que denotam uma trajetória que mescla italianidade com a tradição gaúcha, seu Barros detalha a história curiosa de um produto que será lançado na IV Fesbata. No ano de 2002, a ciência, mesmo que timidamente e sem pretensões, deu as caras na Santa Eulália. Seu Barros falou para a dona Marisa, sua esposa, que faria um vinho de batata. “Ela achou esquisito, mas não contrariou”, contou ele. Com uma bagagem de conhecimento oriunda de um curso de enologia, ele fez o tal vinho. “Mas tinha um gosto de álcool”, ressaltou seu Barros.

Por esse motivo ele levou o conteúdo para um amigo, profissional do ramo, para destilar e, na oportunidade, detectaram que era de 45º o conteúdo alcoólico. Intrigado, o médico veterinário levou o seu vinho até uma cantina. Lá um italiano o degustou e, satisfeito, apenas disse “Lacqua de la vi”. Para o sogro de seu Barros, seu Mário Bonela, o italiano quis dizer a ele que se tratava de água da vida. Era o impulso que ele precisava para investir de corpo e alma na descoberta. Mas não foi nada fácil. Além de chegar à fermentação e destilação adequadas, ele precisou literalmente provar ao ministério da Agricultura que da batata se extrai álcool. E conseguiu. Apoiado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com quem tem um termo de sigilo confidencial para garantir a segurança de sua fórmula, Barros é o único produtor autorizado no Brasil.

Hoje, numa indústria própria, ele produz o Aquavit, destilado de batata, para o qual sua matéria-prima é o refugo da batata. O destilado será oficialmente lançado na Fesbata, mas para Felisberto Barros a magia da ciência não para por aí. Ele continua a testar a batata e anuncia que os resultados são surpreendentes. Ele aplicou parte de seu substrato em lavouras de soja e o crescimento da planta foi incrível. Além disso, os mistérios da batata poderão ainda ser a razão de um peeling sem dor, uma novidade na área de cosméticos. E, pelo visto, a Fesbata será apenas a primeira oportunidade para a sociedade ver e crer nas descobertas de seu Barros.


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Seu Felisberto é o único produtor de destilado de batata autorizado no Brasil. Na foto, ele mostra seu certificado.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann.


Extensão rural e parcerias mantém a batata entre as principais culturas


Para Cláudio Fioreze, engenheiro agrônomo, MSc. em Ciência do Solo pela UFSM e chefe do escritório Municipal da Emater de Silveira Martins, o município é um importante pólo na produção de batata do Rio Grande do Sul. Ele conta que, apesar da redução da área e principalmente do número de produtores, que ocorreu em todo o Estado e Brasil a partir da década de 90, a cultura se mantém no posto de principal, ao lado da soja, acerca do valor agregado e da ocupação de empregos. Conforme o extensionista, a região se caracteriza pela produção familiar. Contudo, ele salienta que aumentou o tamanho médio das lavouras, bem como o nível tecnológico das mesmas.

De acordo com Fioreze, está havendo uma retomada da cultura e a Fesbata terá um papel fundamental nesse sentido. Entre as dificuldades enfrentadas pelo produtor, Fioreze destaca a instabilidade dos preços e o hábito de consumo. “A partir dos anos 90, toda a batata passou a ser vendida lavada (antes era escovada) e os defeitos aparentes começaram a aparecer mais. E, como o consumidor passou a comprar a granel, em gondolas, qualquer uma com defeito passou a ser descartada”, argumenta o engenheiro agrônomo.

Para a Emater, a situação refletiu negativamente nos produtores, que cada vez mais tinham parte de sua produção desclassificada. Contudo, a batata ainda é o produto-símbolo da cidade por iniciativas que auxiliam o produtor e que denotam o espírito de união local. A Emater, por exemplo, procura trazer cultivares mais produtivos e de melhor aparência, como o Asterix e o Rodeo e, amplia a oferta de sementes de qualidade. A oferta é possível pelo programa regional de batata-semente, existente desde 1996, em parceria com a UFSM, FEPAGRO e ASBAT.

Seu Artur Colpo, sócio-proprietário da Cerealistas Zanine & Colpo Ltda, também revela uma iniciativa positiva em prol da produção da batata em Silveira Martins. Ele conta que além da produção própria, a empresa tem uma parceria com produtores da cidade e que a sua empresa oportuniza o processo de recebimento, lavagem, seleção e embalagem. “Juntos, nos ajudamos. E, com um perfil ecologicamente correto, conquistamos novos mercados por meio da união”, salienta Colpo.


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Na foto, Fioreze em trabalho de inspeção.

Créditos: Arquivo Emater


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Artur Colpo revela motivação e boas perspectivas para a IV Fesbata.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann


Programação diversificada

Atrações para toda a família

A última Fesbata aconteceu em 2006. Antes disso, somente em 1995 e 1996. Com esta edição, a perspectiva é manter o caráter bi-anual do evento. As organizações promotoras da Fesbata acreditam que a festa eleva a auto-estima dos produtores, promove seu produto e seu modo de produção e, além de possibilitar a troca de experiências entre produtores, comerciantes e técnicos, oportuniza novos negócios e aproxima os elos da cadeia produtiva, inclusive dos consumidores. Para quem ainda não conhece Silveira Martins, a IV Fesbata é uma oportunidade. Além do público poder descobrir novas formas de consumo e conhecer os atores deste processo de produção, poderá apreciar o turismo ecológico, a arquitetura e a gastronomia do município.


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É o Bataton quem faz a alegria do público da festa.

Créditos: Arquivo Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal


Na IV Fesbata tem:

Gastronomia:

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O chef Mateus Santos, proprietário do restaurante Bistrô L'Alcova di Gelsomina, ministra hoje, às 9h, um curso de pratos com batata. Segundo o chef, a capacitação oportunizará o conhecimento de como trabalhar novas concepções da batata, seu valor nutricional, conservação e aproveitamento, além, é claro, de receitas tradicionais e curiosas.


Jogos e palestra:


A Emater, co-promotora do evento, junto à ASBAT e Prefeitura Municipal, vai coordenar o II Jogos Coloniais da Batata. A atividade prevê diversas modalidades de entretenimento e esportes curiosos envolvendo a batata. Além disso, a extensão rural também cuidará de uma exposição de máquinas e implementos agrícolas e, coordenará a palestra sobre usos múltiplos da batata. A palestra será ministrada hoje, às 10h, por Dilson Bisognin, professor do Departamento de Fitotecnia da UFSM.


Missa:


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No sábado, 31 de maio, acontece a missa da Fesbata 2008. O evento será realizado na Igreja Matriz Santo Antônio Di Padova, às 19 horas. De acordo com Cesare Barichello, secretário de Cultura, Turismo, Desporto e Eventos do município, a missa tem como objetivo, além de contemplar a festa, resgatar a celebração da missa em língua Vêneta. Nessa edição, participa o Coral Nota Livre da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) de Santa Maria, com todos os cantos em língua italiana. A mezzo-soprano Leniza Menna-Barreto e o secretário e tenor Cesare Barichello também participam do espetáculo, acompanhados pela pianista Pâmela de Bortoli. A comunidade representa o seu papel no cântico de entrada, quando o Padre conduzirá representantes do poder executivo e legislativo com as bandeiras das regiões italianas, que povoaram a Quarta Colônia Imperial de Imigração Italiana do RS em 1877. Em um segundo momento, um grupo de senhoras fará uma procissão luminosa anunciando a chegada da Madonna Della Salute, padroeira da Quarta Colônia. No ofertório, um grupo de pessoas representando os colonos italianos conduzirão até o altar o pão e produtos agrícolas. Esses serão seguidos de um outro grupo de senhoras vestindo trajes típicos.


Exposição:


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A história da festa da batata será relembrada na sua quarta edição. De acordo com o vereador Gláucio Dressler Boelter, um dos colaboradores na reunião do acervo histórico, a ação é incentivada pela Câmara Municipal. Para a IV Fesbata, eles conseguiram fotos antigas junto à população e, com isso, os visitantes poderão contemplar em banners um pouco da trajetória do evento. Boelter conta que o projeto vai além da Fesbata. A Câmara Municipal de Vereadores conta com o projeto história oral e vem investindo esforços, em parceria com a secretaria de Cultura, Turismo, Desporto e Eventos, em prol do encontro do passado com o presente. A iniciativa já rendeu a reedição do livro “Os Ladrões de Val de Buia”, escrito por Hipólito Machado, em 1933.