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Saúde – Pediatria e Infectologia

De Wiki.dois

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Saúde - Pediatria e infectologia

  • Data de Publicação: 21 de março de 2009



Tabela de conteúdo

Saúde

Especial Pediatria e Infectologia


  • Responsabilidade: Cuidados com a saúde passam de pais para filhos
  • Cuidado: Agentes infecciosos são causas importantes de doenças graves


Saúde da Criança

Cuidado já começa na barriga

Vida de pai e mãe não é nada fácil. As preocupações com o filho começam desde quando a sua morada é a barriga da mamãe. Depois do nascimento, elas ganham uma forma mais real e a rotina dos pais gira em torno de prioridades como aleitamento materno, alimentação no primeiro ano de vida, exames periódicos, higiene, primeiro dia de aula, vestuário, orientação educacional e por aí vai. Para falar sobre o quesito saúde, conversamos com Jean Pierre Paraboni Iljha, médico pediatra, que atua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM).

Questionado sobre quais são as principais doenças que atingem os pequenos, o especialista explicou que, num contexto geral, o maior índice de queixas nas consultas médicas da infância é o sintoma de febre associado às infecções respiratórias de causa viral. “Ou seja, resfriados, rinites e gripes, entre outras”, ilustra ele. Mas, outros aspectos merecem atenção dos pais. E na maioria das vezes esta tem de ser redobrada. O especialista relata que as doenças que são transmissíveis na infância são as de causas infecciosas. ‘Não existe uma fórmula mágica para a prevenção e nem se justificam excessos de cuidados por medos de exposição a agentes infecciosos”, alerta o pediatra. “O que está ao alcance dos pais como forma preventiva adequada é a vacinação rotineira contra alguns agentes”, recomenda o especialista. Segundo Iljha, doenças graves como meningite, pneumonia, poliomielite, e outras de gravidade variável como as hepatites, catapora, sarampo, tétano e rotavirus, por exemplo, podem ser prevenidas com a vacinação.



  • LEITE DE MÃE: A amamentação, por si só, é um dos atos mais nobres de vínculo mãe-bebê nos primeiros meses de vida, definiu o pediatra. Ele conta que, além de sua forma protetora contra doenças, o leite materno é o alimento nutricionalmente mais adequado ao crescimento e desenvolvimento, tem disponibilidade e acesso fáceis, vem na temperatura certa e gera uma relação afetiva incomparável entre mãe e filho. Para os mais altinhos, a alimentação continua sendo fundamental. Alimentar-se de forma saudável tem como consequência direta um crescimento e um desenvolvimento positivos, enfatiza Iljha.
  • HORA DO MÉDICO: As ações de prevenção em saúde infantil se iniciam nas consultas de puericultura, onde vai haver uma promoção do crescimento e desenvolvimento, além de atuações de nível evolutivo, imunitário e preventivo.


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O leite materno é o alimento mais completo.

Créditos: Divulgação /stock


ZH SAÚDE EXPLICA

Puericultura: É a ciência médica que se dedica ao estudo dos cuidados com o ser humano em desenvolvimento, mais especificamente com o acompanhamento do desenvolvimento infantil.


Sim à vacina

Prevenir para não remediar. Esta é a idéia principal que norteia a adoção do sistema de vacinação. Através das vacinas, muitas doenças como a varíola, estão erradicadas do mundo inteiro, e outras estão em processo de desaparecimento. Além disso, os custos para tratar as doenças que podem ser evitadas são muito maiores do que os investimentos vacinais, ratificando ainda mais a velha máxima popular. Por isso, cara feia não adianta. As crianças necessitam deste cuidado, para garantir saúde e qualidade de vida para si e para seus familiares. As gotinhas valem a pena, assim como as nem tão queridas injeções. Valem por proteger de várias doenças, como tuberculose, hepatite B, poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, meningite por pneumococo e por meningococo tipo c, além de sarampo, rubéola e caxumba, hepatite A, catapora, HPV e febre amarela. As crianças, especialmente as em idade escolar, tornam-se vetores de algumas doenças como a gripe, necessitando a proteção da vacina. “Elas contraem a gripe na escola e a levam para dentro de casa”, afirma o Dr. Wilson Juchem, médico pediatra e diretor técnico da Multivacin. O compromisso da administração da Saúde Pública pode ser visto constantemente, através das campanhas e da atualização da tabela obrigatória de vacinação. Contudo, o sucesso depende do comprometimento da população. Vacinar os pequenos é um ato de amor, que trará reflexos na saúde e desenvolvimento da criança. Mesmo com algum tipo de reação, a proteção garantida pela vacina é fundamental. E para este final de verão, onde as variações climáticas são constantes e o frio se aproxima, proteger-se contra a gripe é necessário. “O tempo ideal para se proteger contra a gripe é entre o final do verão e início do outono”, lembra Juchem.


Saúde bucal infantil

Aparelho ortodôntico: Saiba mais

Os pequenos não são nada fáceis de lidar. Quando têm um colega usando óculos, também querem um. Mas quando necessitam, podem fazer drama. O aparelho ortodôntico também aparece como dilema. Para os baixinhos, ele pode ser um desejo e, às vezes, um problema. O fato é que, para os pais, ele deve ser encarado como uma questão de saúde. Se for preciso, não vale adiar. Quem fala sobre o assunto é Estela Maris Jurach, especialista mestre em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, doutoranda na área. A também professora na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), revela que as primeiras necessidades de uso vêm, geralmente, como conseqüência de hábitos deletérios como chupeta e sucção do polegar. “Esses hábitos podem causar alterações na cavidade oral desde cedo”, justifica a ortodontista.

Segundo a especialista, outra forma de detectar a necessidade é quando os primeiros dentes irrompem. “Os incisivos inferiores (dentes inferiores da frente) irrompem apinhados. “Isso também é indicativo de necessidade de correção”, diz ela. Essa pode ser iniciada desde os seis ou sete anos e de forma preventiva. E atenção: as crianças pequenas podem usar aparelhos ortodônticos. Porém, para que isto aconteça, é imprescindível o diagnóstico da alteração do crescimento facial ou do desenvolvimento da oclusão e, o planejamento do tratamento, elegendo qual ou quais aparelhos indicados e o atendimento especializado.

Estela relata que caso a criança comesse o tratamento cedo, a probabilidade de perda nos resultados do tratamento é quase nula. “Quanto mais tarde começar, a probabilidade de recidiva é maior”, avisa. A ortodontista também aconselha responsabilidade e acompanhamento por parte dos pais, especialmente daqueles cujos filhos esquecem de usar o aparelho. “O aparelho fixo impede que a criança interfira, mas ela às vezes precisa de um removível, principalmente quando está em crescimento e ele deverá ser usado com responsabilidade. Caso contrário, terá um crescimento desfavorável e uma mordida errada, que poderão exigir maiores esforços, como extrações e cirurgia”, explica ela. E outra dica: “outro fator importante para bom andamento do tratamento e manutenção do aparelho é uma boa higiene oral. Uma escovação adequada e acompanhamento profissional são fundamentais”, finaliza a dentista.


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A infância é o melhor tempo para conquistar a harmonia facial. O crescimento harmônico entre as arcadas e um perfil reto é o objetivo.

Créditos: Arquivo Estela


Precaução também é obrigação dos baixinhos

A infância é uma fase da vida cheia de novidades – os primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros dentinhos. E precaução é garantia de saúde não só nos primeiros anos, mas para toda a vida. É fundamental, para a saúde bucal de seu filho, estar sempre alerta para o que ele come. Para os bebês, o ideal é o leite materno, completo em nutrientes e agentes imunológicos. Frutas, vegetais e carnes são introduzidas, inicialmente, em forma de papinhas, e a partir dos dois anos, é importante oferecer à criança os alimentos em pedaços, para estimular a mastigação. Com estímulo, a musculatura facial se fortalece: nos primeiros meses, com o esforço para mamar, e na infância, com alimentos sólidos. Com a mastigação, os ossos se desenvolvem e dão espaço suficiente para o crescimento dos dentes. “Cada um desempenha uma função na mastigação, e por isso, a importância de ter todos. Não é possível pensar que, por serem de leite, não terá necessidade de cuidados”, alerta a Dra. Iara Maria Epstein, odontopediatra da Odontoplan. Atenção também para os doces – o consumo excessivo, aliado à falta de escovação aumenta as chances das crianças desenvolverem cáries. Outro alerta: o hábito de visitar o dentista deve ser iniciado após surgirem os primeiros dentinhos, tendo periodicidade de, no mínimo, duas vezes por ano. E não vale ter medo da cadeira do dentista. “Hoje, há um ambiente lúdico, dentro do universo infantil, onde a criança recebe orientações de escovação através de brincadeiras, livrinhos e vídeos”, ressalta Aline Batista, Cirurgiã Dentista. Contudo, além do dentista, as orientações devem vir também da família – especialmente através do exemplo.


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Saúde bucal é uma questão que deve ser levada à sério desde cedo.

Créditos: Divulgação


EXEMPLO É TUDO

Eu cuido da saúde bucal da minha filha e ela já aprendeu direitinho o recado. Escova os dentes sem nem precisar mandar.


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Jussinara Biachi Piovesan – Advogada e mãe da linda Yasmim, de seis anos.

Créditos: Arquivo Pessoal



Acidentes domésticos

Perigo com cara de brinquedo

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Para os pequenos tudo representa curiosidade e possibilidade de brincadeira. Com cara de sapecas, eles aprontam. Os pais têm de ficar atentos.

Créditos: Divulgação/stock


Durante a infância, todos os objetos são sinônimos de brinquedos. Nada escapa aos olhos atentos e surpresos de uma criança. Mas isto pode ser perigoso. Os pequenos ainda não conseguem discernir o que é seguro do que pode apresentar riscos a sua saúde. Acidentes domésticos são muito comuns, sendo responsáveis por grande parte dos atendimentos em pronto-socorros. Mas podem ser evitados com alguns cuidados. Confira:


  • Medicamentos: A criança, principalmente até os três anos, tem o costume de levar à boca qualquer objeto encontrado. Por este motivo, remédios podem ser grandes ameaças aos pequenos. Eles podem ingerir medicamentos fortes ou mesmo em grande quantidade. Para afastar o perigo de seus filhos, guarde-os sempre fora do alcance deles. Além disso, procure não tomar seus remédios na frente das crianças, pois elas tendem a imitá-lo.

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  • Escadas: Uma das grandes vilãs dos acidentes domésticos, as escadas devem ficar longe de crianças pequenas. Como não podem ser deslocadas, simples medidas podem ser eficazes na prevenção. Evitar escadas de piso escorregadio (isso evita também acidentes com os grandinhos) é uma alternativa boa. Elas devem também ter um corrimão de apoio. Proteções e barreiras em todos os acessos às escadas são alternativas que protegem, sobretudo, crianças pequenas. É importante lembrar de fechá-las sempre.

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Janelas e Varandas: Todas as janelas devem ser protegidas com grades e redes. No caso do apartamento, a regra vale também para varandas. Este simples cuidado pode evitar graves quedas.

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Tomadas elétricas: As tomadas parecem despertar atenção especial das crianças, principalmente os bebês. Nesta fase, elas costumam tentar inserir os dedos e outros objetos no local. Por isso, protetores em todas as tomadas da casa são essenciais para evitar choques elétricos. Além disso, se possível, deixar todas as tomadas com ligação terra.

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Além desses cuidados, outros ainda merecem a atenção

  • É importante não deixar seus filhos sozinhos em cozinhas ou piscinas.
  • Mantenha objetos cortantes e materiais de limpeza fora do alcance das crianças.
  • Nunca deixe o ferro de passar ligado e com o fio desenrolado. Caso ocorra algum acidente, o ideal é procurar imediatamente um médico.
  • Em caso de ingestão de produto químico, saber informações como o nome do produto e finalidade de uso, facilitam no tratamento. Além disso, deve-se lavar as regiões que possam estar em contado com o produto e não provocar vômitos em casos de intoxicação com corrosivos ou hidrocarbonetos (querosene, por exemplo). Acidentes nem sempre podem ser evitados. Mas medidas simples podem reduzi-los consideravelmente, trazendo também mais segurança em casa para seu filho.


Adolescência

Os altinhos também precisam de atenção

Não são somente as crianças as razões de preocupações dos pais. Os adolescentes também precisam de atenção constante. A Organização Mundial da Saúde considera como adolescentes, indivíduos entre 10 e 19 anos de idade. Ou seja, mais ou menos nessa fase, mudanças físicas e psicológicas começam a acontecer, tornando o período delicado e, muitas vezes, confuso. Não é raro que características como irresponsabilidade e rebeldia contra os pais sejam associadas ao período.

Mas o fato é que nesta fase de transição de criança para adulto, muita coisa muda, e em ritmo acelerado. É esta a hora em que os jovens começam a decidir os rumos de suas vidas, tarefa antes atribuída aos pais. Escolher o trabalho que se pretende exercer ao longo da vida adulta, adquirir uma identidade independente da família, são tarefas que caracterizam o período. Some a isso, um turbilhão de mudanças hormonais que, além de espinhas, acarretam transformações no corpo de meninos e meninas, pois ocorre o desenvolvimento da sua maturidade sexual e reprodutiva.

Por isso, muito mais do que saber se ainda deve ir ao pediatra ou não, o adolescente e seus pais devem compreender que sua saúde se baseia também no esclarecimento das mudanças que estão acontecendo em seu corpo e mente. Assim, alguns dos problemas mais comuns aos jovens, como gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis, podem ser reduzidos. Fica a dica.

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Em grupo, doces ou rebeldes, cada adolescente tem um jeito peculiar de encarar a fase. Por isso, os pais devem ficar atentos ao comportamento dos futuros adultos sem interferir em excesso no seu momento de evolução.

Créditos: Divulgação/stock


Conscientização

O mundo pelos olhos dos pequenos

Correr, brincar e se divertir. Estas são apenas algumas das palavras-chave presentes no dia-a-dia das crianças. Além destas, contudo, prevenção também deve ser parte do dicionário dos pequenos. Desde o nascimento, acompanhamento médico e cuidados básicos poderão fazer a diferença na saúde das crianças.

Quando o assunto é a saúde dos olhos, as atenções para os pequenos devem ser de gente grande. Os cuidados iniciam já no nascimento, com o teste do olhinho, feito na primeira semana de vida, e que é capaz de detectar e prevenir doenças oculares. Visitar o oftalmologista regularmente também é uma atitude positiva, sendo recomendada uma periodicidade anual, até os dez anos. Problemas como a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo podem ser diagnosticados precocemente e sanados se houver consciência de prevenção com a saúde ocular dos pequenos. Crianças em idade escolar merecem atenção redobrada: muitas vezes, dores de cabeça, desatenção e constante esfregação dos olhos podem ser sinais de que há algo errado. Cuidar o tempo de permanência no computador e na TV também previne problemas futuros – no máximo, os baixinhos devem ficar uma hora, fazendo intervalos de 10 a 15 minutos. Usar os óculos, quando eles são necessários, é fundamental. “É lastimável que crianças que realmente necessitam fazer uso constante dos óculos não o façam, pois elas estarão perdendo a oportunidade de desenvolver corretamente a visão. O oftalmologista deve ser claro com a criança”, afirma a Dra. Liliane Weber, médica oftalmologista. Além dos cuidados com os pequenos, durante a gravidez a mãe deve estar atenta: doenças como a toxoplasmose, a sífilis e a rubéola congênitas deixam seqüelas graves, afetando a retina. Por isso, adotar as políticas de prevenção e realizar corretamente o pré-natal são medidas que trazem saúde para a mãe e para a criança, lembra a Dra. Liliane.


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É preciso tomar cuidado com o tempo diante do computador.

Créditos: Divulgação/Stock


Olhos das crianças também pedem descanso

Lorena Souza, mãe de duas filhas, conta que ambas são fascinadas por televisão e internet. Mas que estabeleceu horários para o entretenimento depois que tomou conhecimento de que o lazer se não bem administrado pode trazer consequências ruins. O ideal para os pais é seguir o exemplo e ficarem atentos.


FIQUE DE OLHO

  • Os videogames, os microcomputadores e as longas sessões de programas infantis pela manhã na televisão, podem representar um risco e trazer uma série de malefícios à saúde ocular das crianças.
  • A exposição demasiada a esses equipamentos eletrônicos pode causar sintomas desagradáveis, entre eles, dores de cabeça constantes, sensação de ressecamento nos olhos, ardores oculares, irritabilidade, lacrimejamentos e a chamada miopia transitória ou provisória, que causa embaçamentos visuais crônicos. Além desses problemas, os jogos eletrônicos podem prejudicar sensivelmente o rendimento escolar das crianças.


Inimigos da saúde

Vírus e bactérias, os vilões

Você imagina que simples infecções possam ser causa de doenças mais sérias, como o câncer? Pela evolução da medicina atual, a resposta dada a esta pergunta deve ser positiva. “Os agentes infecciosos são realmente uma causa importante de câncer no mundo. Acredita-se que em torno de 10% a 15% dos tumores humanos desenvolvam-se a partir de processos infecciosos”, afirma o Dr. Carlos Roberto Felin, médico oncologista e diretor geral da Oncocentro.

Segundo o especialista, grande parte destes tumores poderia ser evitada através do controle das taxas de infecção por vírus e bactérias. Contudo, nem sempre políticas de prevenção neste sentido são levadas adiante, especialmente em países menos desenvolvidos. Felin explica que “as taxas de infecção são altas em muitas partes do mundo e os tipos de tumores associados com infecção são geralmente de prognóstico ruim e com poucas opções de tratamento”. E ainda alerta: “é necessário esclarecer que os longos intervalos de tempo entre a infecção, o diagnóstico do câncer e o fato de que apenas uma parte dos infectados desenvolva a doença sugerem que os agentes infecciosos podem aumentar o risco de indivíduos em desenvolver o câncer, mas não são o determinante único”.

ATENÇÃO Agentes infecciosos como o papilomavirus humano (HPV), os vírus das hepatites B e C, assim como o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), a conhecida AIDS, podem ser fontes de incidência do câncer no homem. Tumores no colo do útero, no fígado e sarcomas, por exemplo, podem ter estes agentes como fonte. Também o ambiente e os fatores de risco como o tabagismo, exposição exacerbada ao sol, falta de exercícios físicos ou consumo excessivo de álcool, podem ser causas do desenvolvimento da doença. “Muitos especialistas sustentam que cerca de 80 a 90% dos casos de câncer podem ser atribuídos a fatores de risco modificáveis, os chamados fatores de risco ambientais”, justifica o médico. Tratamento adequado e dedicação são essenciais.“Acredito que o cuidado ideal dos pacientes com câncer exige do profissional oncologista não só estudo e atualização constantes, mas também uma boa dose de empatia e compaixão”, finaliza.


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Também o ambiente e os fatores de risco, como o tabagismo, podem ser causas do desenvolvimento de um câncer.

Créditos: Divulgação/stock


DOR

Desconforto e dores causadas por infecções são comumente sanados quando a causa do problema é combatida. Ou seja: quando a infecção é tratada, os sintomas desaparecem. Contudo, há uma exceção. Trata-se da Herpes Zoster, doença de cunho infeccioso que traz dor intensa e necessita delicado tratamento. A doença é causada pelo mesmo vírus causador da varicela, e o paciente desenvolve lesões na pele comumente chamadas de “cobreiro”. Este nome se deve ao posicionamento das lesões, que ziguezagueiam sobre a pele. A dor, do tipo queimação e de forte intensidade, cessa quando o tratamento é precoce, podendo, contudo, tornar-se crônica e levar a neuralgia pós-herpética. Dores como estas exigem, além do uso dos analgésicos antiinflamatórios, outros medicamentos como anestésicos locais e corticóides. “O que se recomenda é iniciar o tratamento da dor em uma fase precoce da doença, ou seja, assim que aparecerem as lesões na pele, mesmo que a dor ainda não seja intensa”, afirma a Dra. Márcia Kuboki, médica anestesiologista da Clínica Sedare.


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O que se recomenda é iniciar o tratamento da dor em uma fase precoce da doença.

Créditos: Divulgação


Entrevista

Cuidados básicos podem evitar sérias infecções

Além do câncer, outras doenças sérias podem ter origem nas infecções. A preocupação com o tema tomou maior proporção diante da opinião pública devido aos recentes relatos de mortes de pessoas em decorrência de infecções consideradas simples, como a meningite, diarréia e mesmo a infecção urinária. O médico infectologista Cezar Arthur Pinheiro fala sobre o assunto.

Caderno Saúde: Quais são os principais agentes infecciosos presentes em nosso País? Como, na sua opinião, as autoridades trabalham para controlá-los?

Dr. Cezar Pinheiro: O Brasil apresenta uma grande variedade de doenças infecciosas. Algumas, inclusive, de características regionais. Podemos citar como persistentes a tuberculose, as hepatites virais, a leptospirose, as leishmanioses (visceral e tegumentar), a esquistossomose, a Malária e, a febre amarela silvestre. Entre as transmissíveis emergentes, encontra-se principalmente a AIDS, que ocasiona um aumento evidente na ocorrência de uma série de outras doenças infecciosas. Em vários aspectos, as ações das autoridades de saúde têm contribuído para melhorar o controle das doenças infecciosas no Brasil. O programa brasileiro de prevenção e tratamento da infecção pelo vírus HIV tem se mostrado efetivo. O tratamento para tuberculose e hanseníase, disponível em toda rede pública, também contribuiu para a queda de mortalidade por estas doenças. E o Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária é outro que vem apresentando redução significativa de suas taxas de incidência. Entretanto, muito ainda deve ser feito para controle e tratamento de doenças infecciosas. Saúde: Diariamente somos expostos a inúmeros agentes infecciosos, que estão em todo o lugar, seja banheiros, cozinhas, pisos, entre tantos outros. Por que nem sempre somos contaminados? Quais fatores determinam estas contaminações?

Dr. Pinheiro: O organismo humano é dotado de defesas contra infecções. Estas incluem: barreiras naturais, como a pele, mucosa íntegra, secreção de muco, células ciliadas e poder de matar bactérias de fluidos biológicos (lágrima, suco gástrico, saliva etc), mecanismos inespecíficos, como certos tipos de glóbulos brancos e a febre, e mecanismos específicos, como os anticorpos. Se um microrganismo atravessa as barreiras naturais do corpo, os mecanismos de defesa específicos e inespecíficos destroem-no antes que se multiplique. A infecção dependerá da quebra destes mecanismos de defesa que poderá ocorrer em decorrência de vários fatores, como a pele danificada e o tabagismo, entre tantas outras causas.

Saúde: Quais cuidados podem ser adotados em casa, no trabalho, na escola e com a higiene pessoal?

Dr. Pinheiro: Várias são as maneiras de prevenção de infecções, que dependerão do agente infeccioso. Para prevenir gastroenterites bacterianas e verminoses, por exemplo, devemos ter cuidado na ingestão de alimentos. Eles deverão ser bem lavados, preparados com higiene e conservados em condições adequadas. E atenção: é necessário evitar ingestão de água não tratada. A lavagem das mãos constitui medida de maior importância na prevenção de um grande número de infecções. E outra questão fundamental: a vacinação é um método efetivo de prevenir diversas infecções e deverá estar sempre em dia.

Saúde: Como explicar para a opinião pública casos como o da modelo Mariana Bridi, que teve uma infecção urinária agravada, levando-a a morte em dezembro último?

Dr. Pinheiro: A infecção urinária é freqüente em mulheres. No caso da modelo, a resposta de seu organismo a esta infecção não foi a usual considerando sua idade e seu estado de saúde. A presença da bactéria no sangue em decorrência da infecção urinária provou na modelo uma resposta inflamatória sistêmica grave. E essa ocasionou alterações em seu organismo, como a queda de pressão arterial, diminuição de circulação de sangue nas extremidades e em órgãos vitais, insuficiência respiratória e choque que a levaram a morte. A Sepse grave (infecção generalizada) com a evolução que teve em Mariana Bridi é mais frequente em indivíduos que apresentam doenças que causem diminuição de suas defesas como a AIDS, o câncer, imunodepressão pós transplantes de órgão ou quimioterapia, e doenças auto-imunes. É importante que o diagnóstico seja precoce e o tratamento instituído rapidamente.


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Dr. Pinheiro também é coordenador do Serviço Especializado em HIV/AIDS (SAE) de Pelotas, preceptor da residência de Clínica Médica do Hospital Universitário da FAU/ UFPEL e professor da Universidade Católica de Pelotas.

Crédito: Daniela Pinheiro



ENQUETE

E você? Lembra de lavar as mãos?

“Na maioria das vezes lembro e dou importância. Especialmente, quando volto da rua, o primeiro cuidado é lavar as mãos. Mas confesso que as vezes esqueço e que sei que é um tema que todos devemos dar atenção”.

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Aline Botega – Relações Públicas


“Sempre lembro de lavar as mãos, várias vezes ao dia. Trabalho o dia todo no computador e o teclado muitas vezes não é um objeto muito limpo, que se faça uma limpeza mais detalhada. Além disso, uso lentes de contato e para manuseá-las preciso ter uma boa higiene”.

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Rafael Haag – Publicitário


“Considero o cuidado fundamental. Especialmente no meu caso que lido com os cães. Procuro ficar sempre atenta.

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Giulianna Belmonte - universitária