Quarta Colônia (169): mudanças entre as edições

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'''Festa'''  A 5ª edição do Festival da Uva e das Águas de Val Feltrina e Val de Buia promete ser mais uma atração para quem gosta de visitar a região. Neste ano devido as chuvas, que afetaram a maturação dos frutos, não vai ser possível realizar o evento em duas etapas, como ocorria tradicionalmente. Entretanto, a ideia é motivar e valorizar a atividade. E, por isso, o evento permanece na grade de programação. A atividade será realizada entre 30 e 31 deste mês. “Não só o Festival, como outros eventos, têm o propósito da valorização de nossa gente e também de cultivar e resgatar as tradições de seus antepassados”, finalizou Cássia.
'''Festa'''  A 5ª edição do Festival da Uva e das Águas de Val Feltrina e Val de Buia promete ser mais uma atração para quem gosta de visitar a região. Neste ano devido as chuvas, que afetaram a maturação dos frutos, não vai ser possível realizar o evento em duas etapas, como ocorria tradicionalmente. Entretanto, a ideia é motivar e valorizar a atividade. E, por isso, o evento permanece na grade de programação. A atividade será realizada entre 30 e 31 deste mês. “Não só o Festival, como outros eventos, têm o propósito da valorização de nossa gente e também de cultivar e resgatar as tradições de seus antepassados”, finalizou Cássia.


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==Pesquisa & Realidade==
==Pesquisa & Realidade==
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Créditos: Andrewes Koltermann</small></center>
Créditos: Andrewes Koltermann</small></center>
===A tradição italiana incorporada ao cardápio regional===
Do hábito comum aos italianos, o galeto ganhou modificações e adaptou-se à cultura regional. Em Santa Maria, cidade próxima à Quarta Colônia, o galeto também faz sucesso. Contudo, sua receita é especial na “Boca do Monte”. Os cortes e o tamanho dos frangos são as principais peculiaridades da versão santa-mariense do prato – por aqui, eles são menores, divididos em dez pedaços. O tempero é uma combinação de ervas finas e condimentos, misturados em um molho vinagrete. O Galeto é sucesso e ganha o posto de prato oficial da cidade, como destaca José Henrique Seabra, proprietário de um dos restaurantes que tradicionalmente serve essa delícia. Mesmo com suas características, tanto a versão santa-mariense como a versão das nonnas compartilham o sabor e felicidade de se degustar uma boa refeição, rodeada por amigos e familiares. Não à toa que na Quarta Colônia e na região central o costume é praticamente regra de bom apetite.
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<small>Seabra (foto) conta que a tradição italiana foi incorporada na mesa dos brasileiros e que especialmente pela forte cultura no centro do Estado ultrapassa os limites geográficos dos municípios e é aposta de sucesso nas refeições.
Créditos: Manuela Ilha.</small>
===Nossa Gente, Nossa Atitude===
====Saúde, dedicação e solidariedade====
Rosita Facco Garlet é a cara da região nesta edição. A cirurgiã dentista de 53 anos mora em Pinhal Grande e desde que o município existe trabalha lá. Ela graduou-se na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e iniciou suas atividades em Realeza, no Paraná, em 1979. Mas logo em 1980 já foi procurada para atuar em Pinhal Grande, na época distrito de Júlio de Castilhos. “Doze anos antes da emancipação do município já trabalhava aqui e aqui estou até hoje”, comenta.
Ela revela que por muitos anos trabalhou sozinha por falta de profissionais para atuarem no interior. “Era uma tarefa árdua, atendia a todos, tendo dinheiro ou não”. Rosita nasceu em Nova Palma, mas confessa que sua relação com Pinhal Grande é como se tivesse nascido lá: “Tenho um carinho muito especial, uma admiração e um apreço muito grande por esta terra”.
A dentista sempre trabalhou com a área da saúde e se orgulha disso. “Considero meu trabalho muito gratificante porque através dele posso ajudar os outros, principalmente os menos favorecidos”. E a Quarta Colônia também é motivo de orgulho para ela. “Nasci em um município que faz parte da mesma, onde os moradores são pessoas trabalhadoras e que sempre buscam o progresso, gente que passou muita dificuldade para vencer na vida. E minha trajetória não é diferente. Por essas e outras visualizo a região com grandes perspectivas e um futuro promissor”, finaliza.
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<small>Créditos: Arquivo pessoal</small>
==Acontece==
===Quarta Colônia é objeto de pesquisa acadêmica===
Que a região da Quarta Colônia é rica em belezas naturais e deliciosa gastronomia todo mundo sabe. Agora, o que muitos não fazem ideia, é que a região é objeto de estudo de vários acadêmicos e pesquisadores. A Quarta Colônia rende pesquisas científicas, tanto sobre seu território quanto sobre sua gente. Um dos exemplos de trabalhos que estudam a região é o desenvolvido por Rafaela Vendruscolo, cientista social e mestre em Extensão Rural pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Rafaela é natural de Dona Francisca e já trabalhava lá com a questão da identidade. Sob a orientação do professor Dr. José Marcos Froehlich do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM, Rafaela iniciou então, em 2007, um projeto de pesquisa que analisava as estratégias de desenvolvimento territorial do Rio Grande do Sul.
O objetivo principal do trabalho de Rafaela é mapear como se forma a identidade da região, ou seja, como o indivíduo que nasce lá é influenciado e influencia o meio em que vive. “Acompanhei a grande maioria dos eventos festivos nos nove municípios da Quarta Colônia, além de percorrer estes municípios e conversar com alguns moradores”, contou Rafaela. O Caderno Quarta Colônia também é uma das fontes da pesquisa.
Durante os dois anos de pesquisa, os trabalhos que o grupo desenvolvia percorreram o País e até fora dele. Em 2010, o grupo vai para Portugal para uma apresentação. “Nestas trocas científicas podemos levar o exemplo da Quarta Colônia para diversos lugares, onde as pessoas interessavam-se pelo caso e sempre gerou amplos debates”, relatou Rafaela. Do projeto de pesquisa resultou um trabalho específico “’Somos da Quarta Colônia’: Os sentidos de uma identidade territorial em construção”, apresentado em 2009.
====Desporto escolar também é foco de análise====
A professora Drª. Elizara Carolina Marin iniciou em 2006 um projeto que visou a qualificação de professores de Educação Física da Quarta Colônia. Foram analisadas as dificuldades e as demandas pedagógicas de 52 professores estaduais e municipais da região. A pesquisa foi encerrada em 2009, mas o Grupo de Pesquisa em Lazer e Formação de Professores (GPELF) do Centro de Educação Física e Desporto da UFSM, a partir de 2007, elaborou um Projeto de Extensão para dar continuidade ao projeto.
Elizara também possui origem na Quarta Colônia, nasceu e viveu em Vale Vêneto até os 18 anos. Além de ser descendente da região, ela diz ter escolhido a Quarta Colônia como objeto de estudo “pela relevância política, acadêmica e social ao estabelecer inter-relação com as comunidades próximas em que a UFSM se insere”. A professora aponta algumas das mudanças notadas pelos professores no desenvolvimento do projeto: “Troca de experiências e informações, reflexão da prática pedagógica, aproximação da Universidade com os municípios”. Um livro já foi publicado sobre o projeto e está sendo preparado um novo livro com proposta de conteúdos para a Educação Física no Ensino Fundamental.
Misto de várias culturas, não só a italiana e a germânica, a Quarta Colônia é construída por diferentes povos e identidades. Cada pedaço desse chão foi lavrado por sangue e suor dos pioneiros e suas marcas existem até hoje em cada pé de planta que brota. Toda essa riqueza de história e a união de diversas culturas é um campo vasto para a pesquisa acadêmica. Ganha quem pesquisa, por ter muito material para analisar, e ganha a região, em desenvolvimento e crescimento.

Edição atual tal como às 15h46min de 9 de maio de 2011

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Quarta Colônia

  • Data de Publicação: 15 de janeiro de 2010



Especial Cidades & Cotidiano

Da uva, o vinho. De Silveira, a projeção agrofamiliar

Para quem não sabe, a produção de uva em Silveira Martins é tradicional. Destaque no município, especialmente quando se observa as potencialidades do turismo local e da produção agrofamiliar, o desenvolvimento da cultura faz parte de sua história. Segundo Cássia Fabrício, secretária de Cultura, Turismo, Desporto e Eventos, o município é o berço da cultura da uva e do vinho na região da Quarta Colônia: “Do início da colonização italiana na região até os anos 1970, a localidade teve destaque na produção vitivinícola.

O fato é que as regiões de Val de Buia e Val Feltrina ganham vezes de protagonistas dados seus parreirais e qualidade dos vinhos. E também por esse motivo a região atrai os turistas e a sua atenção. A produção artesanal é um dos aspectos que proporciona o diferencial. “Atualmente, filhos e netos de antigos produtores da região estão retornando às propriedades, replantando parreirais e retomando a produção”, revela a secretária. Devido às chuvas a produção está relativamente baixa. Acredita-se, no entanto, que a situação seja temporária.


Mais

As pessoas que visitarem a cidade devem aproveitar para conhecer localidades típicas como Val Feltrina, Val de Buia e Pompéia, onde encontrarão toda uma arquitetura típica, baseada em pedra e tijolos, uma característica da paisagem rural e urbana das localidades de imigração italiana na Região Centro do Estado. Subindo a serra pela Estrada do Imigrante, à esquerda há o Val Feltrina, vale da uva, do vinho, dos licores, da cachaça (produzida artesanalmente), das cascatas e trilhas de turismo ecológico. Retomando a estrada do Imigrante em direção à sede do município, se chega à comunidade de Val de Buia, onde foi localizado o barracão que recebeu os primeiros imigrantes italianos da região.

Caminho da Uva e das Águas

O Caminho da Uva e das Águas integra as comunidades de Val de Buia e Val Feltrina e faz parte da Rota Turística e Gastronômica Santa Maria-Silveira Martins. O seu objetivo é proporcionar aos visitantes um contato com a natureza e a cultura local. Além de conhecer as propriedades rurais de Val Fetrina, o visitante pode apreciar as belezas naturais da localidade.

Festa A 5ª edição do Festival da Uva e das Águas de Val Feltrina e Val de Buia promete ser mais uma atração para quem gosta de visitar a região. Neste ano devido as chuvas, que afetaram a maturação dos frutos, não vai ser possível realizar o evento em duas etapas, como ocorria tradicionalmente. Entretanto, a ideia é motivar e valorizar a atividade. E, por isso, o evento permanece na grade de programação. A atividade será realizada entre 30 e 31 deste mês. “Não só o Festival, como outros eventos, têm o propósito da valorização de nossa gente e também de cultivar e resgatar as tradições de seus antepassados”, finalizou Cássia.

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Pesquisa & Realidade

4ª Conferência das Cidades da Quarta Colônia

José Itaqui*

Ontem dia 14 de janeiro de 2010, aconteceu a 4ª Conferência Regional das Cidades da Quarta Colônia. São João do Polêsine recebeu prefeitos, secretários municipais e representantes de entidades públicas e da sociedade civil para, durante uma jornada, discutir as cidades e suas projeções. Os Planos Diretores Municipais são, na verdade, grandes guarda-chuvas que necessitam, para que se tenha em conta a dinâmica do desenvolvimento de cada um dos municípios e da região como um todo, de planos complementares, e este foi o assunto da 4º Conferência Regional das Cidades da Quarta Colônia. Os Planos de Habitação, instrumento básico para a condução do processo de ocupação das áreas urbanas e rurais, com qualidade de vida, independente de condições sociais ou econômicas de seus moradores. A ausência deste plano tem levado à ocupação de áreas impróprias e o que se pretendia combater acaba gerando, devido a condições ambientais adversas ao objeto fim (distância dos locais de trabalho, ausência de infra-estruturas de serviços etc.), desorganização social, dependência e, consequentemente, uma menor qualidade vida para o conjunto da população. Outro ponto discutido foi o Plano de Saneamento Ambiental, que estabelece um conjunto de diretrizes, projetos e ações, sustentadas em leis e serviços públicos, que objetivam a qualidade de vida do cidadão através da conservação do seu ambiente, biótico e abiótico. Do manejo das águas pluviais, do tratamento de águas servidas, dos dejetos cloacais, industriais e hospitalares. A casa, célula básica de uma cidade, para ter qualidade de vida e valor econômico depende de como são tratados seus dejetos e a qualidade ambiental do seu entorno. A qualidade de vida começa na unidade habitacional, no quarteirão de cada vila ou bairro e na cidade como um todo. Um terceiro item e que é básico, organizador dos os demais, é o Plano Viário. Ele garante a mobilidade urbana com segurança das diferentes necessidades e especificidades dos mais diversos setores habitacionais, industriais e rurais. Ele dá as condições para o exercício do ir e vir do cidadão pedestre ou motorizado com segurança. O tráfego de veículos de passeio, de passageiros, de serviços de urgência (médicos, bombeiros e policiais) como o de transporte de cargas em suas diferentes modalidades e normas de segurança. Todos estes assuntos são de ordem técnica e política e para que tenham legitimidade necessitam de instrumentos que possibilitem a participação da sociedade organizada na gestão do município e este espaço é do Conselho das Cidades e, na região, o Conselho Regional das Cidades da Quarta Colônia. Estes foram os núcleos temáticos debatidos na 4ª Conferência Regional das Cidades da Quarta Colônia. Nos próximos cadernos estaremos divulgando os resultados e propostas da Conferência. O Estado, nos últimos 20 anos, tem se transformado radicalmente e já não basta reivindicar recursos deste ou daquele programa. Não é suficiente que o gestor tenha consciência empírica das necessidades sociais de seu município e uma boa articulação política, mas é básico que ele tenha, de baixo do braço, projetos que tomem em conta estas necessidades locais no contexto da sua regionalidade. É nesta dimensão que se dá o desenvolvimento e para isto o gestor deve estar sentado em políticas públicas de médio e longo prazo. Em instrumentos técnicos e legais, socialmente construídos, que dêem sustentação ao encaminhamento dos pleitos. Após a realização da Conferência, durante coquetel de confraternização, o CONDESUS, contratante, e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFSM, executora, fizeram a entrega dos Planos Diretores de Agudo, Dona Francisca, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca e São João do Polêsine. O plano de Faxinal do Soturno foi o piloto deste projeto e encontra-se tramitando na Câmara Municipal de Vereadores. O de Silveira Martins foi realizado, em 2008, por uma empresa privada. Um segundo produto entregue foi o Planejamento Ambiental da Quarta Colônia, instrumento fundamental para a integração regional. Integração que se dá no dia-a-dia e é esse caráter construtivo e aberto, concertado no andar conjunto, que estamos construindo a nossa regionalidade.

Secretário Executivo do CONDESUS* condensus@quartacolonia.com.br


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O Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia foi o local onde o evento foi realizado.

Créditos: Andrewes Koltermann


Quarta Colônia Viva

Galeto, presença garantida nas mesas da região

Aos domingos e em datas comemorativas, a tradição em muitas famílias aponta para um delicioso churrasco. Na Quarta Colônia, contudo, tal hábito divide espaço com um prato típico das colônias italianas do sul do País – o Galeto. Originário da Itália, o prato era chamado de “passarinhada”, mas aqui no Brasil os pássaros foram substituídos por frangos pequenos. O prato também é visto em uma versão diferente, preparado com aves maiores e menos cortes. Ambas as opções são deliciosas, dividindo o espaço com outras delícias. Massas, polenta e as saladas verdes também são iguarias presentes, estando sempre junto a um bom Galeto.

Outra presença nas mesas da região é a típica mistura alemã de sabores doces com salgados. As cucas dividem as atenções com os pratos salgados, e sabores adocicados temperam saladas e outras iguarias tradicionais. Loreci Terezinha Righi, natural de Vale Vêneto, lembra que na Quarta Colônia, por influência dos imigrantes, há duas versões de cucas. “Enquanto a cuca alemã é baixinha, acompanhada por uma espécie de geléia como recheio, a italiana é bem mais alta, servida com erva doce como tempero”, lembra Loreci.

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O galeto ganha as vezes de protagonista.

Créditos: Divulgação


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As versões de cucas doces também são verdadeiras perdições e de sabor único quando oriundas da região. Na foto, algumas delícias direto de Agudo.

Créditos: Andrewes Koltermann


A tradição italiana incorporada ao cardápio regional

Do hábito comum aos italianos, o galeto ganhou modificações e adaptou-se à cultura regional. Em Santa Maria, cidade próxima à Quarta Colônia, o galeto também faz sucesso. Contudo, sua receita é especial na “Boca do Monte”. Os cortes e o tamanho dos frangos são as principais peculiaridades da versão santa-mariense do prato – por aqui, eles são menores, divididos em dez pedaços. O tempero é uma combinação de ervas finas e condimentos, misturados em um molho vinagrete. O Galeto é sucesso e ganha o posto de prato oficial da cidade, como destaca José Henrique Seabra, proprietário de um dos restaurantes que tradicionalmente serve essa delícia. Mesmo com suas características, tanto a versão santa-mariense como a versão das nonnas compartilham o sabor e felicidade de se degustar uma boa refeição, rodeada por amigos e familiares. Não à toa que na Quarta Colônia e na região central o costume é praticamente regra de bom apetite.


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Seabra (foto) conta que a tradição italiana foi incorporada na mesa dos brasileiros e que especialmente pela forte cultura no centro do Estado ultrapassa os limites geográficos dos municípios e é aposta de sucesso nas refeições.

Créditos: Manuela Ilha.


Nossa Gente, Nossa Atitude

Saúde, dedicação e solidariedade

Rosita Facco Garlet é a cara da região nesta edição. A cirurgiã dentista de 53 anos mora em Pinhal Grande e desde que o município existe trabalha lá. Ela graduou-se na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e iniciou suas atividades em Realeza, no Paraná, em 1979. Mas logo em 1980 já foi procurada para atuar em Pinhal Grande, na época distrito de Júlio de Castilhos. “Doze anos antes da emancipação do município já trabalhava aqui e aqui estou até hoje”, comenta.

Ela revela que por muitos anos trabalhou sozinha por falta de profissionais para atuarem no interior. “Era uma tarefa árdua, atendia a todos, tendo dinheiro ou não”. Rosita nasceu em Nova Palma, mas confessa que sua relação com Pinhal Grande é como se tivesse nascido lá: “Tenho um carinho muito especial, uma admiração e um apreço muito grande por esta terra”.

A dentista sempre trabalhou com a área da saúde e se orgulha disso. “Considero meu trabalho muito gratificante porque através dele posso ajudar os outros, principalmente os menos favorecidos”. E a Quarta Colônia também é motivo de orgulho para ela. “Nasci em um município que faz parte da mesma, onde os moradores são pessoas trabalhadoras e que sempre buscam o progresso, gente que passou muita dificuldade para vencer na vida. E minha trajetória não é diferente. Por essas e outras visualizo a região com grandes perspectivas e um futuro promissor”, finaliza.

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Créditos: Arquivo pessoal


Acontece

Quarta Colônia é objeto de pesquisa acadêmica

Que a região da Quarta Colônia é rica em belezas naturais e deliciosa gastronomia todo mundo sabe. Agora, o que muitos não fazem ideia, é que a região é objeto de estudo de vários acadêmicos e pesquisadores. A Quarta Colônia rende pesquisas científicas, tanto sobre seu território quanto sobre sua gente. Um dos exemplos de trabalhos que estudam a região é o desenvolvido por Rafaela Vendruscolo, cientista social e mestre em Extensão Rural pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Rafaela é natural de Dona Francisca e já trabalhava lá com a questão da identidade. Sob a orientação do professor Dr. José Marcos Froehlich do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural da UFSM, Rafaela iniciou então, em 2007, um projeto de pesquisa que analisava as estratégias de desenvolvimento territorial do Rio Grande do Sul.

O objetivo principal do trabalho de Rafaela é mapear como se forma a identidade da região, ou seja, como o indivíduo que nasce lá é influenciado e influencia o meio em que vive. “Acompanhei a grande maioria dos eventos festivos nos nove municípios da Quarta Colônia, além de percorrer estes municípios e conversar com alguns moradores”, contou Rafaela. O Caderno Quarta Colônia também é uma das fontes da pesquisa.

Durante os dois anos de pesquisa, os trabalhos que o grupo desenvolvia percorreram o País e até fora dele. Em 2010, o grupo vai para Portugal para uma apresentação. “Nestas trocas científicas podemos levar o exemplo da Quarta Colônia para diversos lugares, onde as pessoas interessavam-se pelo caso e sempre gerou amplos debates”, relatou Rafaela. Do projeto de pesquisa resultou um trabalho específico “’Somos da Quarta Colônia’: Os sentidos de uma identidade territorial em construção”, apresentado em 2009.


Desporto escolar também é foco de análise

A professora Drª. Elizara Carolina Marin iniciou em 2006 um projeto que visou a qualificação de professores de Educação Física da Quarta Colônia. Foram analisadas as dificuldades e as demandas pedagógicas de 52 professores estaduais e municipais da região. A pesquisa foi encerrada em 2009, mas o Grupo de Pesquisa em Lazer e Formação de Professores (GPELF) do Centro de Educação Física e Desporto da UFSM, a partir de 2007, elaborou um Projeto de Extensão para dar continuidade ao projeto.

Elizara também possui origem na Quarta Colônia, nasceu e viveu em Vale Vêneto até os 18 anos. Além de ser descendente da região, ela diz ter escolhido a Quarta Colônia como objeto de estudo “pela relevância política, acadêmica e social ao estabelecer inter-relação com as comunidades próximas em que a UFSM se insere”. A professora aponta algumas das mudanças notadas pelos professores no desenvolvimento do projeto: “Troca de experiências e informações, reflexão da prática pedagógica, aproximação da Universidade com os municípios”. Um livro já foi publicado sobre o projeto e está sendo preparado um novo livro com proposta de conteúdos para a Educação Física no Ensino Fundamental.

Misto de várias culturas, não só a italiana e a germânica, a Quarta Colônia é construída por diferentes povos e identidades. Cada pedaço desse chão foi lavrado por sangue e suor dos pioneiros e suas marcas existem até hoje em cada pé de planta que brota. Toda essa riqueza de história e a união de diversas culturas é um campo vasto para a pesquisa acadêmica. Ganha quem pesquisa, por ter muito material para analisar, e ganha a região, em desenvolvimento e crescimento.