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Quarta Colônia (153)

De Wiki.dois

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Quarta Colônia

  • Data de Publicação: 25 de setembro de 2009



Tabela de conteúdo

Especial Filhos Ilustres

De Ivorá, um grande nome

Cidade da Quarta Colônia preserva história de importante figura para o País

Foi da região dos Altos da Serra de São Martinho, Ivorá, que saiu um dos mais ilustres filhos da Quarta Colônia. Da época que a localidade ainda era distrito de Júlio de Castilhos, despontou por lá uma importante figura do cenário político brasileiro. No dia 23 de setembro de 1901, o advogado, professor e sociólogo Alberto Pasqualini nascia. Para o município, fica o orgulho de seu filho, que teve papel importante na política brasileira; para o País, a certeza da atuação cidadã de um grande nome da história brasileira.

Descendente de italianos como a grande maioria dos habitantes da localidade, Pasqualini dedicou-se aos estudos e logo foi para Porto Alegre. Na capital do Estado, formou-se na Faculdade de Direito de Porto Alegre em 1929. Nesta época, quando da Revolução de 1930, lutou pela Aliança Liberal, comandando uma unidade de infantaria. Mas sua atuação principal estava por vir, e seria no campo político brasileiro.

Em 1934, foi eleito vereador em Porto Alegre, e desde então, atuou em cargos importantes. Trabalhando na estruturação partidária, Pasqualini elegeu-se senador pelo Rio Grande do Sul em 1950. Sempre zelando pelo patrimônio nacional, o advogado de Ivorá atuou em questões como a defesa do petróleo brasileiro e a aplicação de impostos.


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Senador da República entre 1951 e 1956, Pasqualini entrou para história por lançar bases de uma política social e por defender o trabalhismo.

Créditos: Divulgação

Orgulho do município

Ivorá mantém na cidade a Casa da Cultura Alberto Pasqualini, buscando o resgate da memória de seu filho ilustre. A casa onde ele nasceu foi construída em 1896 e tombada na década de 1990 e, desde então, abriga a mobília e objetos pessoais do senador. “A muito usada máquina de escrever, o aparelho antigo de som, as malas de suas viagens e o aparelho de barbear, entre outros obejtos, revelam como foi a vida de Pasqualini”, destaca a dirigente do Núcleo de Turismo de Ivorá, Tânia Cargnelutti. O acervo, organizado pela esposa do senador, Suzana Flores Pasqualini, foi entregue para a Prefeitura Municipal de Ivorá em 1997. Além da Casa de Cultura, outros pontos da cidade fazem referência ao ivorense mais ilustre, como o prédio da Prefeitura Municipal, que leva seu nome. Aos finais de semana, o Museu está sempre aberto, e é uma das principais atrações turísticas de Ivorá.


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As malas de viagem são parte da bagagem histórica do senador.

Créditos: Aquivo Administração Municipal


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Cada móvel parece aproximar a vida do filho ilustre das pessoas que hoje o tem como referência.

Créditos: Aquivo Administração Municipal


Para ir além

Toda vez que participo em reuniões de trabalho sobre problemas locais e/ou regionais uma das propostas mais recorrentes, tratando-se de questões públicas, é a proposição de ações educativas para o enfrentamento de problemas ambientais e patrimoniais. O ambiente, a cultura, o patrimônio cultural não faz parte da educação? A partir de que realidade, material e simbólica, a criança constrói a sua idéia de mundo natural/cultural e estabelece suas formas de atuação? As aulas de história, geografia, ciências, matemática, química, física, religião etc, tratam de quê? Sobre qual contexto material e simbólico a criança é socializada na família e como a escola dá continuidade? Para falar deste assunto resgato um artigo da María Angélica Villagrán, publicado numa edição especial do informativo do PRODESUS, em 1998, que toma esta questão com muita agudeza. Devido a sua extensão vou dividi-lo em duas partes. Faço esta homenagem a esta mulher maravilhosa que tanto contribuiu com a educação e a preservação da Quarta Colônia.

José Itaqui Secretário Executivo do CONDESUS condensus@quartacolonia.com.br


A Manta do seu Carlos

María Angélica Villagrán

Embaixo do meu pé tem uma manta rústica colorida, de textura rugosa. Ela tem pelo menos oitenta anos e pertenceu ao meu avô materno. Seu Carlos Bordones. O acompanhou durante grande parte de sua vida, e é, junto com um colete de lã, toda a herança material que recebi quando ele morreu. Seu Carlos era homem duro, como dura tinha sido, sempre, a sua vida. Era um homem que impunha respeito, a pessoas e bichos. Filhas faladeiras, netos teimosos, genros barulhentos, cachorros brincalhões, gatos mal humorados e o resto da fauna familiar se colocavam rapidamente nos eixos com tão só um olhar daqueles, fulminantes, de Seu Carlos.

Esse olhar que tinha moldado, talvez, na solidão da sua vida de tropeiro, levando e trazendo animais e mercadorias entre Catamarca, sua cidade natal no noroeste da Argentina, e La Serena, no norte do Chile. Ou seja, nas suas viagens através da Cordilheira dos Andes, com o meio de locomoção mais adequado nessa época: lombo de mula! Era no lombo da mula que ia dobrada esta manta. Seus fios são de lã de ovelha torcida a mão, coloridos com tinturas vegetais e tecidos no tear manual, tarefas tradicionais das mulheres catamarquenhas.

É estranho, mas esta manta não aquece, só preserva a temperatura do corpo, isolando-o tanto do frio como do calor excessivo. Também tem características de ser quase impermeável: a trama fechada do seu tecido impede o passo da água. Dessa maneira os tropeiros se protegiam contra o vento quente e seco do Oeste, chamado Zonda, que nasce frio e úmido no Oceano Pacifico, golpeia a cordilheira do lado chileno deixando toda sua umidade, se eleva aos quase 7.000 metros e desce para o lado argentino seco, aumentando a sua temperatura a cada metro que desce. E o vento que chega ao sopé da cordilheira com quase 40 graus, enlouquecendo os animais e matando os cardíacos. Com esta manta também se isolavam do frio extremo das neves eternas no topo dos Andes, por exemplo, quando passavam pelo desfiladeiro ao lado da montanha chamada Ojos del Salado (Olhos do Salgado), de 6.908m. Por meio de suas cores era também mais fácil visualizar os seus companheiros de arreio, quando uma nevasca deixava o caminho, o ar e o céu brancos.

Catamarca, Ojos Del Salado, Copiapó, La Serena, Coquimbo. Esses eram os pontos do caminho que Seu Carlos e esta manta percorreram tantas vezes, levando animais e frutas da doce Catamarca, e também levando e trazendo amores, como a Dona Berta Diaz, a minha avó que depois de um casamento simples na Serena partiu para fundar, na terra dele, essa família que é a minha. Mas que poderia ser a de qualquer um de vocês, também filhos, netos e bisnetos de nonos e nonas que migraram. Essa manta que me traz tantas lembranças poderia ser o baú do avô, onde ele guarda com zelo a escritura da colônia, ou os livros na língua-mãe, na época da perseguição.

As informações que a este objeto se relacionam poderiam escrever um tratado: que objeto é esse, para que se usava, de que era afeito, que técnicas foram usadas na sua confecção, qual é o seu desenho, sua decoração, o uso das cores, quanto pesa, quanto mede, qual é a sua área, quanto custa, de que região é, quem habita ou habitava essa região, que se produz nessa região, qual é a origem étnica, a religião, a história de seus habitantes, com que outras regiões têm ou tinham intercâmbios comerciais, culturais, ou conflitos, guerras? E muitas outras coisas poderiam surgir desse objeto, só observando, relacionando, perguntando. Tudo isto que acabo de perguntar a esse objeto, e que pode ser respondido através de palavras (Língua) e números (matemáticas), são dados históricos, geográficos, econômicos, tecnológicos, religiosos, artísticos. São os que, na escola, se denominam “conteúdos” da educação.

Assim se apreende com a metodologia da Educação Patrimonial: tomando como ponto de partida tudo o que a minha comunidade constrói e construiu, aprendo a entender, respeitar e valorizar todo o trabalho e o saber que os objetos encerram. Mas preciso ir além: buscar outros saberes que nos completem, que ampliem o nosso universo, que nos façam donos da nossa realidade e do mundo, do nosso tempo, do passado e do nosso projeto de vida. (Continua no próximo número.)


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Créditos: Divulgação/Stock


Símbolos de fé

A união faz a fé

Os belos montes e vales de Faxinal do Soturno, município localizado na depressão central do Vale do Rio Soturno, guardam a tradição e a vivência religiosa do povo de raiz italiana, de fé e de paixão pelas suas crenças. É lá que está localizada a Igreja Matriz São Roque, construção de beleza rara e fruto de trabalho e união dos moradores da cidade.

A obra da comunidade teve início em 1937, sendo concluída dois anos depois. Contudo, apenas na década de 1960 que a Igreja de São Roque ganhou o status de Paróquia. Ela foi batizada em nome do santo católico padroeiro dos inválidos e protetor contra a peste, São Roque, devido à devoção do fundador de Faxinal, João Batista Zago. Foi ele quem, entre outros feitos, trouxe a imagem do santo da Itália para o Brasil, no final do século XIX.

A paróquia chama a atenção pela riqueza de detalhes de suas pinturas internas. Feitas pelo artista Ângelo Lazzarini, com o auxílio de moradores locais, as pinturas representam o Antigo e o Novo Testamento. Cada família financiou uma das gravuras a ser pintada na Igreja, as quais foram copiadas à mão para as paredes do prédio.


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A Igreja Matriz São Roque é símbolo da religiosidade em Faxinal do Soturno.

Créditos: Arquivo Administração Municipal


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Todos trabalhavam de graça, até aos domingos. Relatam os moradores que faziam pelo amor a Deus, com muita fé e com muito esforço.

Créditos: Manola Zanella / www.turismo.rs.gov.br


Ermida de São Pio de Pietrelcina

É no alto de Faxinal do Soturno, no entanto, que se encontra a principal atração religiosa da cidade, a Ermida de São Pio de Pietrelcina. A pequena igreja provinciana foi construída em 2004, criada a partir da visão artística de Juan Amoretti e idealizada pelo professor Cláudio Casassola e sua esposa, Lourdes Pauletto, em homenagem ao santo italiano. O Cerro Comprido, a 528m de altitude, foi escolhido como lar da pequena igreja e da fé dos devotos a São Pio, em razão da localidade deserta e da vista panorâmica da Quarta Colônia.


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Ermida de São Pio, em Cerro Comprido, é principal atração religiosa em Faxinal.

Créditos: Arquivo Administração municipal


História Viva

Sempre nova

Experiente, informada e bem humorada. Essas são poucas das muitas qualidades de Catharina Pigatto, até onde se sabe a senhora mais idosa da Quarta Colônia. Com 106 anos de idade, sua história se mistura a de Faxinal do Soturno. Lúcida, Catharina não parece uma velhinha tradicional. Moderna, os sinais do tempo só parecem ter feito bem a ela, uma apaixonada pela leitura e pelos amigos. Segundo a neta, Estela Maris Pigatto Dagios, a avó adora ler. Lê jornais e revistas de todos os tipos. E inteiras. Tem um cantinho só dela na Casa Pigatto, comércio para o qual muito se dedicou, recebe os amigos com um constante sorriso no rosto e é sempre referência quando o assunto é relembrar fatos e feitos da Quarta Colônia. Catharina acompanhou de perto a construção da Igreja Matriz São Roque. A neta revela que o período foi marcante: “Ela sempre fala com orgulho a respeito da construção da igreja. Ela nos conta que até mesmo as mulheres ajudavam carregando tijolos e que sente falta desse espírito de união – a comunidade unida fazia as coisas crescerem, sempre diz isso”. A dona do título “mais idosa da Quarta Colônia” é bastante religiosa e no auge de sua sabedoria respeita todas as religiões: “nosso Deus é um só e é o mesmo”, é outra frase de Catharina lembrada pela neta. Nasceu em 11 de agosto de 1903, o ano do Grêmio, como ela mesma enfatiza. Sua terra natal é Dona Francisca, mas vive em Faxinal desde o casamento. É viúva há 48 anos.


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“Nosso Deus é um só e o mesmo”. Catharina Pigatto, 106 anos.

Créditos: Arquivo pessoal


Acontece

Pessoas de fé. Empreendedores de sucesso.

A religião católica está presente na paisagem da Quarta Colônia. Ela aparece como um código cultural material e imaterial. No aspecto material, são as construções sacras e símbolos religiosos que revelam um universo diferenciado e, muitas vezes, mágico. Carolina do Canto, turista que veio da capital para apreciar a natureza, acabou encantada também com o cenário de fé. “Nunca vi nada igual”, comentou. No entanto, é o aspecto imaterial o mais comovente. Na maioria das vezes, é a partir do aspecto imaterial que se consolida o material. São promessas e graças atendidas que levam à construção de igrejas, capitéis, grutas, entre outros símbolos. Os antigos e novos moradores são literalmente sujeitos da ação. “As portas das igrejas ficam abertas e ora entra o moço da bicicleta, ora a mulher que sai do trabalho. As pessoas entram, fazem sua oração, isso faz parte da rotina. Me faz bem ver e sentir isso. Venho sempre”, completou a turista.

Suelen Altermann, ao lado do marido, Wagner Altermann, visita a Quarta Colônia com o mesmo objetivo. “Considero toda cultura e simbologia que gira em torno da fé das pessoas muito importante para qualquer cidade e, mais importante ainda é promover eventos através destas crenças, pois isto traz alegria, movimento, aprendizado e crescimento espiritual”, comenta a moça. Ela completa afirmando que, como um todo, é preciso também nas cidades maiores investir mais em ações que insiram a comunidade dentro de um contexto de fé. “Nos dias de hoje creio que é o que falta para conseguirmos suportar tantas coisas que vêm acontecendo e também a razão para nos tornar mais unidos”, finaliza.


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Na foto, o casal Wagner e Suelen Altermann, de Santa Maria. Eles registram a passagem por Vale Vêneto, localizado em São João do Polêsine.

Créditos: Arquivo pessoal


Religiosidade é mola propulsora

O que transforma uma cidade comum em um destino religioso são as possibilidades de renovar o sentimento de esperança. Na Quarta Colônia não é diferente. A fé e suas manifestações estão em todos os lugares, inclusive nos negócios. Há quem diga que o contexto de devoção favoreça o desenvolvimento regional. Licélia Pivetta, sócia-proprietária de uma agroindústria no ramo de licores, em São João do Polêsine, acredita na ideia. Ela viu na religião uma oportunidade. As festas e motivos religiosos são uma constante, segundo a empreendedora. Hoje ela ingressa no ramo das massas e conta que o turismo religioso está vinculado ao turismo gastronômico: “É o nosso cotidiano, aquilo que comemos, aquilo que acreditamos, que encanta as pessoas que por aqui passam”.


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As massas resgatam a tradição.

Créditos: Arquivo Emater


Perfil da gente e valores da terra garantem segurança

Compartilhando da mesma opinião, Ivandro Gaikuski aponta a honestidade do povo da Quarta Colônia como uma consequência da fé. Também envolvido no ramo da agroindústria, mas em Pinhal Grande, ele veio do Paraná. “Aqui é diferente”, define. O empreendedor trabalha com leite e derivados e ressalta: “além do empenho, dedicação ao negócio, eu, que consegui levar nossa atuação para outras cidades, não tenho dúvidas de que a segurança, a boa fé, os princípios, a flexibilidade também vêm do universo religioso que convivemos”, complementa.


Agenda

Homenagem a São Miguel

A comunidade de Novo Paraíso, em Nova Palma, festeja seu padroeiro neste domingo, 27 de setembro. A celebração inicia pela manhã, às 10h30min, com missa em homenagem a São Miguel. Ao meio dia, será servido almoço, na própria localidade. À tarde, a programação segue com jogos, e às 17h, a festividade encerra com a Reunião Dançante, embalada por Flávio Dalcin e Banda Ouro, com entrada gratuita.


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Créditos: Divulgação