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Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos - Especial: Plantio do Arroz

De Wiki.dois

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Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas e Sindicatos

  • Data de Publicação: 26 de setembro de 2008




Tabela de conteúdo

Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos

Especial Plantio do Arroz

  • Exportar é preciso
  • Preço alto estimula plantio
  • Busca por novos mercados deve ser inserida no planejamento


Nesta edição, confira detalhes sobre o tema e o ponto de vista de especialistas e empreendedores rurais que definem a cultura como grande negócio.


Panorama Rural

Arroz: Cenário é de estabilidade mas atenção é palavra de ordem


De acordo com recente panorama realizado pelo escritório regional da Emater/RS-Ascar Santa Maria, o arroz vai bem, mas uma série de fatores merece atenção. Em análise técnica, a entidade informou que, conforme as estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a tendência da produção mundial de arroz é manter-se estável com oscilações muito pequenas nas próximas safras. Dados da entidade dão conta de que, no Brasil, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, observa-se uma oscilação anual na área de plantio, com a substituição do arroz por outras culturas de acordo com a mudança de preços e rentabilidade. Para a entidade, estas oscilações são compensadas pala estabilidade e produtividade da região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul.

Na área administrativa do regional, dos 52 municípios espalhados em maior parte pela região central do Estado, apenas 32 cultivam arroz irrigado, numa área anual em torno de 300.000 hectares com 6.200 produtores. Geograficamente, os municípios podem ser divididos em dois grupos: um situado ao longo da Serra Geral, começando por Candelária e Cerro Branco, passando pelos municípios da Quarta Colônia, indo até Jaguari e Nova Esperança do Sul. E, o outro, pela Fronteira Oeste, onde Itaqui e São Borja, passando por São Francisco de Assis, São Sepé, Cachoeira do Sul, Rio Pardo e Pantano Grande, são os destaques.


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Segundo a Emater, a alta dos combustíveis tende a afetar de forma significativa os custos de formação das lavouras do arroz, pois o produtor utiliza entre 110 litros e 140 litros de diesel, por hectare, do preparo do solo à colheita, dependendo do sistema de produção utilizado.

Créditos: Divulgação


Aspectos a considerar:


  • Custo de produção: os produtores brasileiros de arroz, de uma maneira geral, estão amargando prejuízos, considerando a defasagem dos custos da produção e dos preços recebidos.
  • Preços futuros: os preços praticados no mercado mundial de arroz apontam para uma situação de estabilidade, sem indicativos de reação a curto e médio prazos.
  • Uso alternativo para o arroz: o Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), vem desenvolvendo pesquisas em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), entre outras instituições de ensino, para uso de produtos feitos à base de farinha de arroz. Segundo a Emater, apesar dos esforços ainda é necessário avançar muito nas possibilidades de uso alternativo para o arroz quebrado em rações, óleos etc.
  • Tecnologia: Existem dificuldades dos produtores cumprirem seus compromissos e há uma tendência de redução do uso de tecnologia necessária a obtenção de altas produtividades.
  • Diversidade de sistemas de cultivo: a versatilidade dos sistemas de cultivo existentes tem possibilitado aos produtores, através da alternância de sistemas no decorrer dos anos, conviver sem muitas dificuldades, comparativamente ao uso de um único sistema, sucessivamente, ao longo de várias safras.


Sucesso da safra depende de uma combinação de fatores

O engenheiro agrônomo e diretor executivo da Vectis, Diogo Ferreira, ressalta dois importantes fatores a observar no cultivo do arroz: a adubação e o manejo da irrigação. O Vision, oferecido pela Vectis, consiste no mapeamento de potencial produtivo e de fertilidade que auxiliam por trazer informações de onde estão os principais limitantes da produtividade e ajudar a identificá-los e corrigi-los. Assim como com um time de futebol, o que determina a vitória não é apenas um fator isolado, mas a combinação de treinamento, preparo físico e escalação correta dos jogadores. Na lavoura, acontece o mesmo. É preciso combiná-la com a época mais adequada de plantio, correto preparo do solo, adequado manejo da irrigação, controle de pragas e doenças, entre outros fatores. Ferreira explica que muitos agricultores pensam em economizar reduzindo a adubação, mas isso pode ser “um tiro no pé”: “O que deve ser feito é melhorar a eficiência no uso do adubo”. De acordo com o profissional, mapear as manchas com problemas facilita a identificação e a correção dos fatores que estão limitando a produtividade e a resposta à adubação. Colaborou: Intensa Comunicação de Relacionamento



Para o produtor pensar

Aumenta o preço, aumenta o cultivo


O aumento dos preços do arroz neste ano deve estimular o plantio do cereal. Em alguns estados, o cultivo tende a se estabilizar ou até a aumentar. O Mato Grosso é um exemplo. O Estado já foi o segundo maior produtor do grão e, desde a temporada 2004/05, a área diminuiu. Ricardo Clasen Lorenzet, Diretor da Puro Grão Indústria e Comércio de Arroz e Soja, analisa a atual situação: “O cenário é promissor para toda a cadeia produtiva de alimentos. Há espaço para crescimento com rentabilidade para o agricultor, que nos últimos anos sofreu muito com o baixo preço dos produtos, especialmente o arroz.”

De acordo com a consultoria Safras e Mercados, os gaúchos tendem a elevar em 4,1% o plantio do grão. O que limitava o crescimento era o déficit hídrico, que foi recuperado em algumas regiões com as chuvas que caíram em julho. Outro problema que pode limitar a expansão da área é a dificuldade de financiamento. Nos últimos meses, a cotação se manteve sem oscilações significativas. Desde maio que a média do preço no Rio Grande do Sul é praticamente estável, conforme a Safras & Mercado. O diretor da Puro Grão faz uma ressalva para quem pretende aumentar o cultivo: “Há uma preocupação com o preço dos insumos, especialmente fertilizantes, que neste ano subiu de maneira espantosa. Somente com produtividade na lavoura e controle de custos é que se poderá obter resultados favoráveis”, aconselha ele.


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O gaúchos tendem a elevar em 4,1% o plantio do grão.

Créditos: Divulgação


DO PLANTIO À COMERCIALIZAÇÃO: Também é preciso atentar para a secagem, armazenagem e comercialização do grão. Conforme Lorenzet, as três são etapas tão importantes na atividade agrícola quanto o plantio e a colheita. “O produtor, na maioria das vezes, cuida atentamente da sua lavoura e deixa em segundo plano às etapas seguintes à colheita, situação que pode determinar seus ganhos”, diz ele. Uma comercialização equivocada, conforme o empreendedor, baseada unicamente na necessidade de pagar uma dívida, por exemplo, pode gerar diminuição de ganhos ou até prejuízo.



Biotecnologia

Mais nutrientes e mais uma opção de renda para agricultores


Recentemente, o mundo científico, através de publicações especializadas na área, anunciou que não serão necessários mais do que três ou quatro anos para que os produtores possam ter uma nova opção de renda. Trata-se dos chamados alimentos biofortificados, que assim como a tecnologia da informação, têm tudo para serem os protagonistas de uma era. De acordo com o engenheiro agrônomo Almir Rebelo de Oliveira, produtor rural e presidente do Clube Amigos da Terra de Tupanciretã, os alimentos que levam força até no nome, poderão ser comercializados com alto valor agregado e, daí, a oportunidade de negócio para o homem do campo.

O estudioso explica que esses produtos “são alimentos que através de uma técnica biotecnológica, que poderá ser transgenia ou não, são reforçados ou nutricionalmente enriquecidos em, por exemplo, suas quantidades minerais e vitamínicas”. Os estudos na área foram iniciados no Brasil há cerca de quatro anos e integram os projetos internacionais HarvestPlus e AgroSalud. O intuito inicial foi de suprir a dificuldade de suplementação para combater a desnutrição e outras doenças em regiões que têm dificuldades de acesso a alimentos processados. Banco Mundial, Fundação Bill e Melinda Gates, além de instituições de ensino superior e governos de diversos países, estão envolvidos na causa.

Rebelo de Oliveira, que também é parceiro do Grupo Santa Zélia, conta que “alguns alimentos como a mandioca, batata, milho e arroz podem ser enriquecidos de forma convencional para atender as necessidades de regiões normalmente mais pobres e, que em seu ambiente existem algumas variedades naturalmente mais ricas em certos nutrientes”. Nesses casos, essas são selecionadas e cultivadas. Em outras regiões, alguns alimentos podem ser enriquecidos através da transgenia, especialmente se for necessário atender alguma deficiência nutricional de forma mais urgente.


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O Arroz Dourado, notável por sua cor amarelada resultante da concentração elevada de betacaroteno, teve seu desenvolvimento iniciado em 1999 pelo cientista alemão Peter Beyer da Universidade de Friburgo.

Créditos: Divulgação


ARROZ DOURADO

Rebelo de Oliveira ressalta o arroz dourado, um dos alimentos geneticamente modificados mais conhecidos, como exemplo. O grão, de coloração mais amarelada e alta concentração de betacaroteno, foi desenvolvido por cientistas da Alemanha, EUA, China, Vietnã e Filipinas e o objetivo é que, até 2015, 160 gramas do alimento cozido forneça nutrientes combinados de uma fatia de carne, uma porção de camarão, um ovo frito, alguns vegetais e frutas. Outras pesquisas, conforme o presidente do Clube Amigos da Terra, têm chances de revolucionar a alimentação também. “Toda a tecnologia precisa cumprir sua função social e para isso tem que ser produtiva, preservar o meio ambiente e ter importância para a sobrevivência da sociedade. Acreditar na Biotecnologia é antecipar a realidade de amanhã”, enfatiza ele.


Agro grande negócio

Exportar é o caminho: Ganha o produtor, ganha o consumidor Com uma lista nas mãos, uma calculadora na bolsa e uma série de preocupações na cabeça. Assim segue a dona de casa para o supermercado ou para a feira. Mesmo quando não se fala em inflação ou qualquer outro tipo de alteração nos preços, ela vai saber, como ninguém, o que mudou e no principal lugar: na mesa e no prato da família brasileira. “Sei exatamente onde vai refletir as manchetes dos jornais e revistas sobre a crise dos alimentos. É na mesa. E, digo mais. Essa crise não se anuncia. Ela já existe”, comenta Lorena Souza, dona de casa. Lorena revela que há pouco tempo fazia a feira com seis reais no bolso. Hoje, ela leva para casa os mesmos alimentos por cerca de R$13,50. “Eu converso com os produtores feirantes e sei que o aumento não é taxado por eles, mas por uma série de fatores externos. Perdem eles e perdemos nós toda vez que abrimos mão de um alimento que gostamos ou que traria benefícios nutricionais para a família inteira”, argumenta a dona de casa. Assim como Lorena, milhares de donas de casa têm a mesma preocupação de bem servir os filhos que estudam ou trabalham e que têm na alimentação a fonte de energia e saúde. Entretanto, quando falamos nisso a maioria das pessoas acredita que estamos nos referindo a frutas, legumes e verduras que, na maioria das vezes, são considerados os alimentos mais caros. O que muitos consumidores não perceberam ainda é que as gôndolas dos supermercados podem trazer até os produtos considerados como pertencentes da cesta básica mais caros. A cesta de 35 produtos de alto consumo, pesquisada mensalmente pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apresentou alta de 2,78%, em junho deste ano, ante o mês anterior. O aumento real, já descontada a inflação, foi de 2,04%. Comparado a junho do ano passado, o índice teve alta de 14,83% em valores reais. A cesta passou de R$ 208,38, em junho de 2007, para R$ 253,52. O destaque do índice Abras Mercado foi o feijão, que teve alta de 13,95%. Mas o arroz também figurou na pesquisa e em segundo lugar, com alta de 8,01%, seguido da batata (7,61%). Nos supermercados, o mais comum é encontrar os consumidores refletindo muito antes de levar alguns produtos para casa. O arroz é um exemplo. Segundo supermercadistas, dependendo da marca, um saco de cinco quilos pode chegar perto dos R$ 11,00. Para especialistas, se é vontade do País fazer do arroz não só um artigo da cesta básica, mas o sinônimo de geração de riqueza, o Governo Federal terá de desenvolver mecanismos visando aumentar a saída do produto. Pois, para quem não sabe, a cada 10% que um país exporta de arroz, por exemplo, é gerado o dobro em renda para o produtor. A informação, dada em maio por André Nassar, palestrante na 18ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, ainda é válida e pode estimular os nossos produtores para o crescimento. De acordo com Teófilo Pereira dos Santos Neto, diretor-presidente do Grupo Santa Zélia, o efeito positivo vai ser sentido no consumidor que não quer e não pode pagar caro pela comida. No nosso Estado, segundo o empreendedor rural, produzimos um arroz de excelente qualidade. “Estamos com a curva de produtividade em ascensão”, complementa ele. O problema, para Neto, é justamente outro: a incompatibilidade do preço do produto e do custo de produção. E, por isso, quem sente, no final de tudo, é o consumidor. ILUSÃO: Apesar do gargalo, “evidentemente, a safra 07/08 tem uma característica muito diferente e foi remuneradora, mas acredito que nós produtores, entidades de classe e governantes entre outros, deveríamos nos reunir para estudar porque vivíamos uma situação de quase inviabilidade da atividade e, os motivos que nos levaram a chegar a um momento remunerador”, ressalta o diretor-presidente do Grupo Santa Zélia. E, foi também apoiado no pressuposto de que não podemos confundir momento com uma atividade que alcançou sustentabilidade econômica, que José Ney Vinhas, sócio-diretor da Safras & Cifras, deixou clara sua posição: “Negócio não rima com paixão”. Neto, que interpretou a dica de Vinhas com a conclusão de que a cadeia do arroz deve mirar-se no exemplo Uruguaio, que buscou novos mercados e hoje parece ter uma situação muito mais próxima da sustentabilidade econômica, parece também compartilhar da posição de um dos maiores nomes do agronegócio brasileiro: Valter José Pötter, médico veterinário, presidente do Conselho Consultivo da Federarroz e, também diretor-proprietário da Estância Guatambu. Ele, que representa uma geração de arrozeiros, deu um breve parecer acerca da cultura e, chegou no mesmo ideal da empresa: o crescimento. No que tange à produção, para o ícone, o salto estupendo, calçado na produtividade, e o advento das tecnologias, só denotam a melhoria constante. “Agimos muito e estamos bem. Entretanto, sempre há o que melhorar. A questão crucial é o mercado, a comercialização. Evoluindo gradativamente, hoje o exportador e cada vez mais tem de participar porque a mediocridade não nos compete”, resume ele.Dada a dica, fica o alerta de que temos um mercado a conquistar. “Temos de entrar em campo para competir de verdade”, disse Pötter, em entrevista. A exportação e a importação, quando necessárias, são uma ferramenta para galgar a sustentabilidade e a tão sonhada percepção do agronegócio enquanto um grande negócio. “Precisamos atentar para o fato de que uma safra só é remuneradora se a conta de custo e preço não só se equilibra, como rende. Do contrário, estamos falando em risco e risco muito alto”, aconselha Neto.



Grãos em alta

País encerrou maior safra de grãos


De acordo com os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na primeira quinzena do mês, o Brasil nunca produziu tantos alimentos como na última safra de grãos (2007/08). Os números confirmam uma colheita de 143,87 milhões de toneladas, 9,2% maior que a do ciclo anterior. Este resultado ainda pode ser superado em função da colheita do milho safrinha do Nordeste.

Conforme a organização, a cultura, que foi tema central da nossa série em agosto, é o grande destaque do período. Com duas colheitas no ano, o milho participou com 58,59 milhões de toneladas, ou 14% (7,21 milhões de toneladas) a mais que na safra passada. Já a soja cresceu 2,8%, o equivalente a 1,66 milhão de toneladas. O trigo também ficou em evidência, com 3,82 milhões de toneladas, diferença de 42,2% para cima. Apesar do aumento, esta quantidade ainda não é suficiente para abastecer o mercado interno, o que leva o Brasil a importar parte do produto da Argentina. O levantamento completo está disponível no site www.conab.gov.br.


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Milho foi o grande destaque do período.

Créditos: Divulgação


Os dois lados da moeda

Custo de produção não preocupa somente produtores rurais


Os preços estão razoáveis devido à crescente demanda mundial de alimentos, e não adianta termos preços acima das médias históricas, se os custos continuarem elevados. A informação é fruto de uma análise feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho), Odacir Klein, que coordenou um painel sobre custos do milho na alimentação humana, em Esteio, na Expointer 2008. E, ao que tudo indica, os custos não representam preocupação apenas para os produtores de milho ou para os demais empreendedores rurais.

Conforme recente avaliação da Confederação de Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), a meta de produzir o recorde de 150 milhões de toneladas de grãos na safra 2008/2009 pode não ser alcançada. A ameaça principal são os custos de produção, como também o endividamento dos produtores empresariais e familiares, responsáveis por diferentes culturas. O principal vilão apontado é o fertilizante. Entretanto, também na última Expointer, o vice-presidente da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Torvaldo Mazolla Filho, contestou a tese de que os preços dos fertilizantes sejam os principais responsáveis pela alta nos custos de produção no Brasil. De acordo com o presidente da Anda, o problema é a falta de políticas saudáveis de proteção ao agronegócio brasileiro. Entraves técnicos, burocráticos e tributários contribuem para a problemática, conforme Mazolla Filho.

Seja qual for o vilão da vez, o que nem todo mundo sabe é que o universo do agronegócio é tão importante, que além de sofrerem os produtores, fornecedores e consumidores, sofrem outros segmentos. A indústria, o comércio, o setor de transporte e outros, que dependem direta ou indiretamente do bom desempenho do agronegócio, também são influenciados por um eventual momento negativo do setor. Para Zacarias da Silva, responsável pelo departamento comercial da Agropecuária Marquetto, mesmo o preço dos insumos sendo hoje um dos grandes dilemas do produtor para produzir mais e melhor, a saída está na busca por informações e na flexibilidade. “Estamos sempre atentos, buscando informações sobre preços de commodities no mercado interno e externo, e levando ao produtor a orientação de quando melhor comprar seus insumos e de quando melhor vender sua produção para se obter melhor renda”, ressaltou ele.

Compartilhando da mesma posição, Fernando Bellé, proprietário da Bellé CIA Ltda, revela que seja qual for o componente que influencie negativamente a produção agrícola, estamos falando de um problema geral. “A rede do agronegócio no Brasil precisa ser reconhecida efetivamente como a mola propulsora do crescimento”, diz ele. O empresário que, dentro de seu leque de atuação, disponibiliza no mercado importantes artigos para o desenvolvimento do trabalho também de pequenos e grandes empreendedores rurais, conta que, quando o cenário é negativo ou que a produção requer investimento alto, ele chega a facilitar as condições de pagamento mesmo que isso prejudique a sua empresa. “Muitas vezes alargamos os prazos, mas isso por uma questão de visão de futuro. Acredito no agronegócio e no seu futuro. E, por isso, o sacrifício vale à pena”, conclui ele.


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Custo da produção atormenta produtores e outros segmentos da economia.

Créditos: Divulgação


DICA PARA O ARROZEIRO

PLANTIO: Conforme Luciano Ramos, responsável pelo departamento de vendas da Comeg Peças Agrícolas, o produtor que se predispor ao plantio de arroz nesta época deve fazer uma revisão completa em seu maquinário, visto que o desgaste nesta cultura é bem acentuado. De acordo com o profissional, a revisão é ideal antes do plantio, principalmente em se tratando de tratores e implementos.

TERRA: Nilo Ourique, sócio-proprietário da Nilo Imóveis Rurais, revela que há uma grande procura sempre por áreas de arroz. Entretanto, ele conta que, de uma maneira geral essas estão escassas. Mas, na região, as cidades que se têm mais ofertas são Cachoeira do Sul e algumas opções em São Gabriel.



Pensamento Otimista

Tempo bom para o agronegócio


São poucos os que negam que o agronegócio é a mola propulsora do Brasil. Não é de hoje que a idéia é relacionada ao crescimento do País. Entretanto, ultimamente o setor tem sido mais valorizado. Quem ajuda a entender o porquê é o engenheiro agrônomo Francisco Wellington Sampaio, gerente de negócios e treinamentos da Dupont do Brasil S.A., pela divisão Pioneer Sementes. Sabendo que muitos dos pequenos produtores e empreendedores rurais convivem com a insegurança da instabilidade, Sampaio traz uma visão otimista acerca do agronegócio. “A minha visão sobre o setor no Brasil é a melhor possível, pois de todos os ciclos econômicos que o País já viveu, este é o ciclo onde temos as maiores vantagens competitivas, principalmente quando atentamos para o cenário mundial e para sua constante competição entre a produção de energia e a produção de alimentos”, resume o agrônomo.

OS NÚMEROS: Sampaio aponta que hoje cultivamos 72 milhões de hectares, que temos pelo menos 90 milhões de hectares de terras disponíveis com aptidão agrícola e, mais 220 milhões de hectares de pastagens, onde a maior parte delas está degradada, e pelo menos 33% podem ser transformadas em terras produtivas para grãos e energia. Para o profissional, “esta transformação promoveria uma definitiva verticalização, tanto na produção de leite quanto na produção de carnes”. O interessante é que, conforme a análise de Sampaio, a modificação não derrubaria uma árvore sequer das reservas amazônicas. “Mas obviamente que temos grandes desafios para transformarmos todo este potencial estatístico em potencial real”, alerta ele. O segredo seria superar os problemas logísticos, cambiais e de infra-estrutura. Tudo isso associado a uma política de crédito agrícola mais acessível.

Mas como nem tudo são flores e sozinho o produtor ou o empreendedor rural não consegue transformar o cenário, de nada adiantará o sentimento de otimismo se não houverem medidas de precaução para o todo. Levando em consideração o panorama global do setor, podemos verificar momentos ótimos que vieram sucedidos por crises profundas. O fato, no entanto, é que, com políticas efetivas para o agronegócio brasileiro, teremos condições de garantir crescimento com estabilidade. E, conforme ressaltou Sampaio, o Rio Grande do Sul, por sua vez, terá condições de continuar dando a sua contribuição como maior produtor de arroz, segundo maior produtor de carne suína e, terceiro maior produtor de carne de frango do Brasil, além da grande produção de milho e soja, por exemplo.

2008: Sampaio ainda salienta que o ano corrente está sendo um ano marcado pela alta volatilidade dos preços agrícolas. “Mas não há motivo para desespero”, diz ele. “O momento exige reflexão e uso racional das planilhas de custo para que se adote a tecnologia mais adequada para uma produção sustentável”, aconselha o profissional.


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Sampaio traz uma visão otimista acerca do agronegócio

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann



PONTO PARA

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A cana consome apenas uma unidade fóssil para produzir 9 unidades de energia renovável.

Créditos: Divulgação


  • PRODUTIVIDADE - Apesar de ter uma das estruturas logísticas mais caras e ineficientes do mundo, a alta capacidade produtiva do brasileiro é fato. Nos últimos 15 anos, a área cultivada com grãos cresceu apenas 24% e a produção, 140%. A produção de carne de frango cresceu 200%, a de suínos, 103%, e a de bovinos, 80%.


  • BIOCOMBUSTÍVEIS - Enquanto os países desenvolvidos apresentam apenas 14% da sua matriz energética de fontes renováveis, o Brasil apresenta 45%, sendo a maior parte vinda da biomassa devido ao fato de produzirmos etanol de cana. China e EUA, por exemplo, produzem etanol de milho. O Brasil, por sua vez, produz, há mais de 30 anos, um etanol com muito mais equilíbrio energético, pois a cana consome apenas uma unidade fóssil para produzir 9 unidades de energia renovável, enquanto que o milho produz apenas 1,5 unidade renovável para cada unidade fóssil consumida.



Para o mundo ver

Pastagem rendeu prêmio à fazenda da região na 31ª Expointer


A 31ª Expointer, evento que atraiu as atenções para Esteio entre os dias 30 de agosto e sete (07) de setembro, surpreendeu. As vendas foram recordes, considerando todos os anos da feira. Foram somados R$ 383,5 milhões, conseguidos através de vendas de animais, máquinas, implementos agrícolas, artesanato e produtos da agricultura familiar. Os maiores responsáveis pelo sucesso da feira foram os expositores e seus animais que, como sempre, são as estrelas da festa. Os grandes destaques tiveram seu trabalho reconhecido durante o evento. Foi o caso da cabanha da Fazenda Descanso, do município de São Martinho da Serra. A cabanha obteve o bicampeonato nas ovelhas fêmeas da raça Suffolk e, entre outras premiações, recebeu o troféu “Destaque Ovinos Carne”, oferecido pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e Banrisul. As elogiadas performances que renderam o sucesso no evento se devem à dedicação do criador, João Augusto Botelho do Nascimento, médico veterinário, funcionários da cabanha e às parcerias com seus fornecedores. Uma, entre as mais importantes alianças é a Sementes Gasparim. Nascimento conta que a parceria iniciou em 2003, quando introduziram na propriedade pastagens perenes de verão de variedades africanas, tais como aruana, braquiária MG5, calopogônio e estilosantes. “Com a utilização destas pastagens, começamos a atingir excelentes índices reprodutivos em ovinos, como o resultado de 35% de partos gemelares. Também alcançamos altos índices de lotação por hectare, chegando a 5,5 unidade animal por hectare”, revela o médico veterinário. Com o processo, o ganho diário foi de 215g em cordeiros sob pastagem de aruana, no período de novembro a maio. “Com suplementação energética chegam a atingir ganho médio diário de até 360 g”, complementa Nascimento.


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A imagem das trigêmeas da raça Suffolk fala por si só sobre o mérito na última Expointer.

Créditos: Arquivo fazenda Descanso


Evento

Angus e Texel são destaque em evento da região


Entre os dias 16 a 19 de outubro acontece a 58ª Feira Agropecuária de Cachoeira do Sul (Feapec). Durante os quatro dias do evento, serão expostos e comercializados animais, máquinas, implementos agrícolas, insumos, artesanato, produtos coloniais e culturas alternativas, além de shows e feira comercial. Mas as principais atrações, assim como na tradicional Expointer, vão girar em torno da graça, da funcionalidade e da morfologia dos animais. Só nos leilões desta edição serão ofertados aproximadamente 300 animais. Estima-se que a comercialização total destes deverá movimentar cerca de 1 milhão de reais.

Umas das atrações mais esperadas é o leilão de ovinos da raça Texel da Cabanha Geribá, que acontece às 19h, no dia 16. O criatório já fez história com a Feapec, pois foi a 1° exposição da qual participou, em 1998. Desde então, marca presença em vários eventos e vem consolidando uma trajetória de prêmios sucessivos. O proprietário da Cabanha Geribá, Maximiliano de Carvalho Neves, explica que iniciou a sua seleção de ovinos Texel em 1993, a partir de um rebanho de corte com cruza texel já existente na sua propriedade. Este ano, a Cabanha completa 15 anos e o leilão marcará as atividades alusivas à data. Serão ofertados 50 lotes de reprodutores e matrizes SO, RGB e PO, além de 80 borregas para produção de cordeiros para abate. Sobre o evento, Maximiliano explica: “é um evento para todos, selecionadores de genética e produtores de carne ovina, com animais de alta genética e seus descendentes rústicos de alta produção. Estamos levando animais que gostaríamos de comprar, e vamos colocar em pista sem base de preço em 24 parcelas”.

Também já gera expectativa o tradicional leilão de reprodutores da raça Angus, promovido pelo Núcleo Centro Angus, de Cachoeira do Sul. O núcleo foi fundado há quatro anos e atua diretamente com o produtor de Angus e suas cruzas, promove eventos e exposições, realiza o contato com a associação brasileira, além de divulgar a raça na região central do Estado. O Núcleo participa da feira desde o começo de suas atividades e seu presidente, Luis Henrique Castagnino Sesti, explica que são eles os responsáveis pelo principal remate de bovinos da exposição. Para ele, o Angus se destaca por representar uma raça completa. “Eles possuem maior fertilidade, longevidade, precocidade e rusticidade, bem como facilidade de parto, habilidade materna e qualidade em carne”, diz o presidente que encerra demonstrando sua visão de futuro: “os melhores mercados do mundo estão voltados para a raça”.


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Cabanha Geribá vem consolidando uma trajetória de prêmios sucessivos.

Créditos: Arquivo Pessoal



Cooperativas & Sindicatos

Para render em qualidade e produtividade, tecnologia é a estratégia


De acordo com a Emprapa, o Brasil está entre os dez principais produtores mundiais de arroz, com cerca de 11 milhões de toneladas para o consumo. Essa produção é oriunda de dois sistemas de cultivo: irrigado e de sequeiro. A orizicultura irrigada é responsável por 65% da produção nacional e o Sul do país é o maior responsável por este sistema. A região vem contribuindo, em média, com 53% da produção nacional, sendo o Rio Grande do Sul o maior produtor brasileiro. Este tipo de cultivo requer alguns cuidados, que podem ser responsáveis pelo aumento da produtividade e da qualidade dos grãos.

Maria Alice Silva, engenheira agrônoma da Cooperativa de Agricultores Parceiros da Região Centro Oeste do Estado (Cooparcentro), comenta o assunto. Ela e o colega José Antonio Lisboa, revelam que por aqui o cenário é positivo, mas que a tecnologia é fundamental. Eles contam que equipamentos regulados e em boas condições de uso e mão de obra bem treinada são vitais em todo o processo produtivo.

O engenheiro agrônomo Ledison Fagundes, da Vectis, também aponta a tecnologia como imprescindível. E, nesse contexto, entra o mapeamento do potencial produtivo. Ele explica que uma das vantagens de se mapear a variabilidade de potencial produtivo da lavoura é poder identificar e localizar de forma objetiva os fatores que estão limitando a resposta à adubação, para que sejam corrigidos antes do plantio, aumentando a eficiência no uso do insumo.

Além disso, máquinas e equipamentos apropriados para nivelamento e sistematização de solos e adubação de base, de acordo com as necessidades específicas do solo, e a estimativa de produção são outros fatores que contribuem para a qualidade dos grãos. Maria Alice complementa informando que “seguir o “passo a passo” é um indicativo de que as cultivares poderão exteriorizar todo seu potencial”.


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Seguir o “passo a passo” é um indicativo de que as cultivares poderão exteriorizar todo seu potencial”.

Créditos: Arquivo pessoal


AGENDA

Santa Maria: Entre os dias 6 e 11 de outubro, a Sociedade de Agronomia de Santa Maria (SASM) promove a Semana do Engenheiro Agrônomo. Serão realizadas palestras e discussões acerca de assuntos relacionados à área, além de confraternizações e a entrega do título “Agrônomo do ano”. Na oportunidade, também serão homenageados engenheiros agrônomos egressos da Universidade Federal de Santa Maria. Já entre os dias 10 e 20 de outubro, a cidade de Santa Maria é palco da maior feira de agronegócios do interior do Estado, a 41ª Expofeira. Entre as atrações estão os tradicionais leilões, o I Festival Internacional de Gineteada e os Exposhows. O evento é uma promoção da Associação Rural de Santa Maria com o apoio do Sindicato Rural e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A 41ª Expofeira acontece no centro de eventos da Universidade.

Tupanciretã: A Cooperativa Agrícola Tupanciretã (Agropan) e a Syngenta, em parceria com as secretarias de Educação de Tupanciretã, Jarí e Quevedos, realizam o projeto Escola no Campo. Serão distribuídos, às crianças das quartas séries das cidades envolvidas, kits com jogos educativos e livros que falam sobre natureza, agricultura e agrotóxicos, entre outros assuntos. O kit será utilizado na sala de aula, estimulando discussões entre os alunos acerca do meio ambiente. Em Tupanciretã, o evento acontece na manhã do dia oito (08) de outubro, em Jarí, na tarde do mesmo dia e, no dia nove (09) será a vez dos alunos de Quevedos.


DICA DA TERRA

A Montana 1.4 Conquest continua agradando o gosto do produtor rural na região. Segundo a Nicola Veículos, o desing inovador, o motor 1.4 que tem aliado no mesmo veículo desempenho e economia e a capacidade de carga são as características que mais agradam o homem do campo. “O veículo pode estar em seu território de trabalho todo sujo, mas ao chegar na cidade, após uma boa lavagem, pode ser usado por toda a família do homem do campo sem qualquer evidência de que trabalhou o dia todo”, ressalta Vandri Flores, gerente da empresa em São Borja.


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