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Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos - Especial: Logística de Recebimento de Grãos e venda de insumos

De Wiki.dois

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Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas e Sindicatos

  • Data de Publicação: 30 de janeiro de 2009




Tabela de conteúdo

Agronegócios: Desenvolvimento, Cooperativas & Sindicatos

  • Especial Logística de Recebimento de Grãos e Venda de Insumos
  • Gargalo logístico e preços altos ainda ameaçam os produtores


Panorama rural

Então é Ano Novo

Como primeiro mês do ano, janeiro que antigamente tinha cara de descanso hoje veste o uniforme de trabalho. No agronegócio não é diferente. As perspectivas para este ano já são assunto principal nas conversas entre produtores e tema para a mídia. De acordo com as informações divulgadas, ao que tudo indica em 2009 o agronegócio continuará seu caminho ascendente, ainda que algum setor não alcance os resultados esperados e que haja oscilações. Três fatores serão os pilares de sustentação: o crescimento da população mundial, a demanda por biocombustíveis e o crescimento da renda nos países emergentes.

Parece que o maior risco capaz de comprometer a previsão seria uma brutal recessão mundial, que traria como conseqüência danos à liquidez do mercado. O tempo, conforme especialistas, é de investir em competitividade, qualidade e produtividade. Ou seja, 2009 tem tudo para ser um grande ano e concretizar a ideia do agro como um grande negócio. Mas produtores e criadores, já calejados pela experiência, sabem que planejamento é a melhor estratégia para que nenhuma decepção no meio do caminho faça morrer a esperança oriunda das expectativas. Por isso, os empreendedores rurais continuam a enxergar, além da alta carga tributária, a infra-estrutura como um dos grandes entraves para sustentar o crescimento do setor.


Logística, a vilã


A logística, por exemplo, continua sendo uma vilã no cenário nacional. Conforme o engenheiro agrônomo Luiz Ataides Jacobsen, da Emater/RS-Ascar, um dos macroprocessos da logística é a distribuição e qualquer custo adicional será debitado na conta do produtor. Assim, uma determinada cotação de algum produto agropecuário no Porto de Rio Grande, por exemplo, chegará ao produtor rural com deduções referentes ao frete, estocagem, despesas portuárias, margem de lucro no processo de intermediação, dentre outras. “Quanto maiores as facilidades no processo de logística, maior será a parcela do preço a ser apropriada pelo produtor rural”, explica o especialista.

Para Jacobsen, a logística poderia ser favorecida com melhorias no sistema viário em geral, facilidades no acesso portuário e maior agilidade no processo de carga e descarga de navios. Apesar de ser um gargalo que continua a ameaçar o empreendedor rural no Brasil, a situação do Rio Grande do Sul é razoável no confronto com outras regiões do País, que até por questões geográficas têm no processo de logística maiores entraves.


Você sabia?

Que o trigo é um dos produtos onde o processo de distribuição é fundamental? É verdade. E, além disso, ele se ressente de melhores opções para alcançar os grandes centros consumidores. Também por grande parcela da produção nacional estar em território gaúcho, o arroz passa por dificuldades semelhantes.


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O trigo é um dos produtos onde o processo de distribuição é fundamental.

Créditos: Divulgação/stock


Antes & depois

Prevenir é melhor que remediar

O produtor tem muito mais preocupações do que o consumidor possa imaginar e a precaução ainda é o melhor remédio. Análise do solo, planejamento da safra, evolução da lavoura, colheita, transporte, comercialização. Os aspectos a considerar são muitos. E não é só a logística que assume o papel de gargalo. Outras etapas, se em más condições, representam perigo.

  • Análise do solo: A maior parte dos solos agricultáveis no Rio Grande do Sul apresenta uma acidez considerável. As conseqüências são os prejuízos causados pelo baixo rendimento produtivo das culturas. De acordo com a Indústria de Calcários Caçapava (Inducal), o produtor precisa optar por métodos corretivos e o calcário é uma alternativa. Não atentar para a questão é como dar um tiro no próprio pé. A cada dois ou três anos, todo produtor deve fazer a análise de solo. A acidez deve ser corrigida com calcário sempre que o PH do solo for menor do que 5,5 no sistema plantio direto e 6,0 no convencional, ou quando a saturação de bases for menor de 60%.


  • Pós-colheita: Outro aspecto que merece atenção é o processo da pós-colheita. Muitos produtores, por desconhecimento, pulam etapas que podem ser decisivas na hora de obter lucros com o trabalho. Após a secagem e a limpeza, por exemplo, os grãos são armazenados e isso precisa ser feito sob condições adequadas. Elas dependem do tipo de grão que será armazenado. Assim, os produtos mantém por mais tempo a mesma qualidade adquirida logo após a colheita. O sócio diretor da Puro Grão, Giancarlo Fagundes, indica unidades com boa recepção, credibilidade na região e que estejam próximos dos grandes centros de comercialização. Para que o produtor obtenha os melhores resultados, é fundamental atentar para características particulares que definem o modo como cada um dos processos será realizado. Fagundes explica: “dependendo do produto, os processos terão características próprias”. Sabendo da importância destes procedimentos, agora é só escolher o modo de realizá-los que mais se adeque com as atividades desempenhadas.


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Tanto a colheita como o armazenamento são fundamentais para que o ciclo de qualquer cultura seja fechado de forma lucrativa.

Créditos: Divulgação


Qualidade & Retorno

Manutenção é sempre palavra de ordem

Evitar perdas e gastos desnecessários são atitudes fundamentais dentro do contexto do agronegócio. Uma das formas de se buscar economia e otimizar os investimentos é manter constante manutenção nos maquinários. Estando em dia com a manutenção, as máquinas desenvolvem corretamente suas funções, sem desperdiçar tempo nem investimentos, e sem perder em qualidade nos produtos.

Uma manutenção bem feita é diretamente proporcional ao rendimento futuro que o produtor terá na comercialização de sua safra. “A colheita feita com uma colheitadeira muito bem revisada assegura ao produtor um menor índice de perda e um produto de melhor qualidade, trazendo um preço melhor e mais rendimento financeiro”, afirmam Marco Aurélio e Luciano Ramos, da Comeg Peças Agrícolas.

Também a economia em insumos pode ser relacionada com uma boa manutenção no maquinário. Rogério Alex Bergmann, sócio gerente da Bergmann Máquinas e Implementos Agrícolas, comenta que, dos seis bilhões de dólares que o mercado de defensivos agrícolas movimenta no ano, estima-se que 600 milhões são desperdiçados por simples falta de calibração nos pulverizadores. Também a falta de mão de obra qualificada para o manejo das máquinas prejudica seu correto funcionamento. Então, investir em manutenção é, certamente, ter garantias de produtividade e economia na safra.


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A Bergmann é parceira e tem a certificação da marca STIHL.

Créditos: Arquivo Bergmann


Boa dica

Duas dicas de Bergmann podem contribuir também no rendimento do produtor. Ele recomenda que os produtores aproveitem neste ano os recursos de programas do governo como o Programa “Mais Alimentos” e PRONAF, que segundo o empresário, estão com boas taxas de juros e alavancam a economia no todo. Ele ainda indica a plantadeira SA11500 como maquinário interessante para a evolução nos negócios.


  • Reboque é alternativa viável para pequeno produtor: Quem vai ao supermercado frequentemente pode falar com propriedade sobre a alta dos preços nos produtos agrícolas no ano passado. E a culpa geralmente cai sobre o produtor rural. O que a maioria da população não sabe é que muitos são os custos que acabam encarecendo o produto, mesmo que não estejam relacionados diretamente ao plantio. Um destes é o transporte, que pode gerar prejuízos tanto para quem produz como para quem consome. Segundo o proprietário das Surdinas Bellé, Fernando Bellé, um bom planejamento pode diminuir os custos nesta fase, além da aquisição ou frete de produtos com antecedência, que podem ser reboques ou caminhões. Uma das dicas do empresário para o pequeno agricultor é o uso de reboques, que podem ser utilizados para o transporte de animais, de insumos para a produção e a colheita, demonstrando sua viabilidade e garantindo uma redução dos custos no transporte de várias safras e, consequentemente, a redução de preços na hora da compra.


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O uso de reboques é sempre uma boa alternativa para o homem do campo que lida diariamente com atividades rurais.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann


Tradição

Grão danificado: Nem pensar

Durante a colheita da safra, uma das preocupações do produtor é a qualidade de seus grãos. Após a colheita, os grãos, entregues para cooperativas ou cerealistas têm sua qualidade analisada, e posteriormente são classificados conforme padrões pré-estabelecidos. O valor pago ao produtor dependerá do resultado desta análise, o que torna fundamental a adoção de maquinário e técnicas adequadas para garantir qualidade ao produto final. Grãos com impurezas ou avariados terão uma classificação para uso de menor valor agregado.

A Massey Ferguson, com os olhos voltados também para essa questão, disponibiliza aos produtores colheitadeiras com sistemas de trilha que oferecem uma excelente debulha, sem danificar os grãos, acrescendo alta qualidade à colheita. Neste sistema de trilha, os grãos são tratados mais gentilmente, mantendo-os mais saudáveis e resistentes.

“O segredo para manter a qualidade neste nível é o sistema indireto de transmissão do cilindro de baixa inércia, possibilitando a operação em baixa rotação, mantendo a alta debulha sem danificar os grãos”, conta Michele Smiderle, engenheira de vendas da Massey Ferguson. A limpeza dos grãos é garantida por sistemas de limpeza de alto desempenho, que garantem a boa atuação das máquinas tanto em terrenos planos quanto em áreas inclinadas, já que o ar é conduzido em túneis que mantêm em flutuação o palhiço e a palha leve, não importando a distribuição da carga em cima das peneiras.

As colheitadeiras, como as da Massey Ferguson, dotadas dessas características garantem menos perdas por impurezas na lavoura e maior rendimento na colheita. Contudo, além de presentes tais mecanismos, é fundamental que a manutenção do maquinário seja constante. A Massey Ferguson aposta na tecnologia e o homem do campo que não abrir mão da mesma vai sempre contar com qualidade e vantagem de custo benefício em seu uso.


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Na foto, a colheitadeira MF 32 Advanced. Com plataformas de corte de 18 e 20 pés, e motor de 200CV, proporciona um nível de produção sem igual na sua classe com elevada qualidade de trabalho.

Créditos: Nilson Konrad


Pastagem

Escolha da semente influencia na produtividade da pastagem

Não é à toa que um dos mais reais ditos populares é “o barato sai caro”. Até no campo o ditado virou regra. A escolha da semente é uma oportunidade que o empreendedor rural tem para provar que nem sempre economia rima com sucesso. De acordo com a Embrapa, mesmo tendo à disposição uma avançada tecnologia para maximizar ganhos, ainda há homens do campo que procuram comprar sementes levando em consideração o preço. O fato é que eles acreditam estar fazendo economia, mas não sabem que o custo da semente na formação da pastagem representa somente cerca de 5% diante de todo o processo. Quem conhece o assunto sabe que vale a pena. De acordo com Giuliano Souza, que gerencia a Sementes Gasparim no Rio Grande do Sul, numa pastagem bem formada, o pecuarista pode aumentar consideravelmente a produtividade, diminuindo a idade do animal para o abate e produzindo mais arrobas por unidade. Em visita a uma das propriedades que presta consultoria, o profissional revela aspectos surpreendentes. Localizada no município de São Vicente do Sul, a fazenda Vista Alegre, das irmãs Silvia e Marly Annoni, apostou na braquiaria Mg5, feita em cima do capim annoni. Souza revela que a partir do plantio direto foi feita uma dessecação com glyfosato e que o sucesso já rende quatro anos. O administrador da propriedade, Moacir Tessele, esposo de Silvia e um dos pioneiros a implantar as Sementes Gasparim na região, explica que se trata de uma área experimental. Mas a estratégia permite observar que, obedecendo a um bom manejo de pastoreio, é possível adquirir altas lotações devido a utilização de pastagens de verão. A fazenda Vista Alegre vem trabalhando em torno de quatro a cinco unidades de animais (UA) por hectare, considerando 450 quilos a UA. Vale ressaltar que a área foi bem adubada e calcariada devido a fraqueza dos solos na região.


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Satisfeito, Tessele (dir.) pode utilizar um sal orgânico protéico com 300 terneiros numa área de 50 ha, obtendo um ganho de 230 gramas por dia. No período de verão, o ganho tem sido de 950 gramas por dia.

Créditos: Arquivo Gasparim


Irrigação

Pesquisa daqui é destaque

Pela primeira vez, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) fechou contrato para que uma tecnologia desenvolvida na instituição e já patenteada seja explorada comercialmente por uma empresa. Ela é chamada de Cigir, que significa Sistema Informatizado de Gerenciamento de Irrigação. Para os produtores que já ficaram curiosos, é, basicamente, um programa de computador que controla automaticamente a irrigação de lavouras a partir da análise de clima, da planta, do equipamento de irrigação e de solo. A tecnologia vem sendo estudada e aperfeiçoada desde 1999 e o responsável é o professor Reimar Carlesso, do Departamento de Engenharia Rural. O Sistema Irriga®, como é denominado o conjunto de serviços tecnológicos, de manejo e monitoração da irrigação, foi criado, desenvolvido e mantido pela UFSM, é uma determinação prática e eficiente de quando irrigar e quanto de água aplicar. O principal objetivo é o manejo das irrigações visando maior efetividade das mesmas. De acordo com Carlesso, daqui para frente a intenção é atentar para dois aspectos: a exploração econômica e o desenvolvimento de novas ferramentas. “Voltar os olhos para a projeção empresarial e investir no estudo para o desenvolvimento de novas tecnologias são os principais objetivos”, diz ele. Para conhecer os detalhes de funcionamento, os interessados devem acessar o sítio eletrônico www.irriga.proj.ufsm.br.

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O professor Reimar Carlesso (foto) vê na exploração econômica e no desenvolvimento de novas tecnologias os principais pontos da iniciativa.

Créditos: Arquivo pessoal


O Sistema Irriga® já conquistou o prêmio O Futuro da Terra. Instituído em 1997 pelo Jornal do Comércio, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), a homenagem procura destacar os projetos que buscam o desenvolvimento tecnológico do Estado. O Sistema Irriga® foi premiado na categoria Tecnologia Rural em 2005.



Cooperativas & Sindicatos

ENTREVISTA


Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), conta ao Agronegócios as perspectivas para 2009 no sistema cooperativista. Tanto em âmbito nacional como para o Rio Grande do Sul as atenções estão voltadas para os reflexos da crise financeira e para a ampliação das linhas de crédito de produtores e cooperativas.


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Créditos: Divulgação/SistemaOCB


Esperamos que a crise financeira internacional não se estenda por mais tempo, que as medidas tomadas realmente funcionem e que o mercado volte a fluir nos próximos quatro/cinco meses. Márcio Lopes de Freitas



Agronegócios - Quais são as perspectivas para 2009 na Organização e onde serão concentrados os esforços da OCB?

Márcio Lopes de Freitas – Em 2009, o País vivenciará diretamente reflexos da crise financeira internacional, como a depreciação dos preços e retração da oferta de crédito. A grande dificuldade, inclusive, será o acesso ao crédito. Por isso, no trabalho de representação do setor, levamos ao governo federal medidas essenciais, como linhas de capital de giro e capitalizações. A OCB trabalhará junto ao governo e agentes financeiros para o desenvolvimento de mecanismos que, pelo menos, equacionem essa situação e permitam que o setor produtivo tenha condições de, efetivamente, acessar os créditos disponibilizados.

Agro - Quais os objetivos para o Rio Grande do Sul em 2009?

MLF – Como parte importante, de destaque do setor produtivo agropecuário brasileiro, o Rio Grande do Sul merece todo apoio e atenção da OCB como órgão de representação do cooperativismo brasileiro, além, é claro do acesso a todas as conquistas do setor cooperativista.


OPINIÃO

No mês passado, o caderno Agronegócios trouxe as expectativas para o ano que já iniciamos. O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, o senhor Vergílio Perius, nos contemplou com a apresentação dos objetivos da entidade. Na seção, também trouxemos a opinião do presidente do Sindicato Rural de Júlio de Castilhos, Rogério Francisco Salles, e do gerente geral da Cooperativa Agrícola de Tupanciretã, Volfe Gobatto. Outros representantes falam neste mês sobre o que é reservado para este 2009. Confira:


Nós, diante do cenário de crise que se vê no mundo, suspendemos as ampliações da cooperativa. Mas o setor de fomentos (assistência e apoio aos associados com relação aos insumos) e os veterinários estão prestando serviços a todo vapor, para o nosso produtor ter resultados. Nossa área técnica continua atendendo o associado. Atualmente, estamos investindo no leite para que o produtor, principalmente o pequeno, possa ficar na sua propriedade realizando seu trabalho. Em 2009 continuaremos prestando assistência para melhoramento de pastagem, de genética e controle de criação.

Aldo Michelom - Presidente da Cooperativa agrícola Júlio de Castilhos (Cotrijuc)


Com respeito à expectativa sobre o ano agrícola em 2009, somos otimistas, mas com cautela, se formos querer fazer uma previsão, provavelmente iremos nos enganar. Estamos esperando que o clima continue favorável, e que tenhamos uma boa safra. Com referência aos preços, quero crer que serão favoráveis, pois os estoques mundiais estão menores que em anos anteriores. O que nos deixa mais em dúvida, é de até aonde a crise econômica irá prejudicar o setor do agronegócio.

Lauro Scherer - Presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi Ltda. (COOMAT)