SEARCH
TOOLBOX
modified on 23 de novembro de 2010 at 17h13min ••• 3 898 views

50 anos Matemática da Unifra

De Wiki.dois

Capamatematicaunifrapronta.JPG

50 anos Matemática Unifra

  • Data de Publicação: 05 de junho de 2008



Tabela de conteúdo

Curso de Matemática da Unifra chega aos 50 anos reconhecido pela excelência em ensino

Mercado para matemático é de amplas possibilidades

Personagens da história dos 50 anos relatam a emoção da data

Ensino é palavra de ordem na graduação e mestrado


Um curso e muitas possibilidades

É da Unifra o primeiro curso de matemática do interior do Estado


No ano em que o Centro Universitário Franciscano de Santa Maria (Unifra) comemora os 50 anos do curso de matemática, fica também em foco a história das irmãs franciscanas na cidade coração do Rio Grande. Antes mesmo de ser instalada a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), as irmãs já haviam dado o primeiro passo para implantar o ensino superior no município. Elas começaram com o Colégio Sant’ Anna, no início do século XX. Cinqüenta anos depois, deram seu grande salto: expandiram da educação básica para o ensino superior, quando em 1955 fundaram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição (FIC) e a Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora Medianeira (FACEM), que em 1996 transformaram-se em Faculdades Franciscanas (FAFRA).

Com o espaço físico ampliado e as portas sempre abertas para o conhecimento, foi em 1998 que a FAFRA tornou-se a então Unifra. Hoje, a instituição é a maior universidade particular da cidade. Entre seus diferenciais, estão a estrutura modernizada, a preocupação constante com a qualificação dos docentes e a preparação dos alunos para o mercado de trabalho. E, em meio de seus equipamentos de última geração, do intercâmbio e troca de informações com outras universidades e instituições empresariais, está uma das suas diversas histórias de vida e exemplos de empreendedorismo: é da Unifra o primeiro curso de matemática da região. Ele nasceu em 1958, teve origem na FIC e foi reconhecido pelo decreto nº 47.437/59, na modalidade licenciatura.


O curso de matemática teve origem na FIC e foi reconhecido pelo decreto nº 47.437/59.


Foto.matéria1.jpg

A Unifra formou muitos dos mestres e doutores que atuaram e ainda atuam na instituição, na UFSM e, em diversas partes do país.

Créditos: Arquivo Unifra


Pura ou aplicada, a matemática também pode ser fascinante

A matemática é uma ciência formal baseada em axiomas, teoremas, corolários, lemas, postulados e proposições para chegar a conclusões teóricas e práticas. Ela também pode ser vista como um sistema formal de pensamento para reconhecer, classificar e explorar padrões, podendo ser dividia em pura e aplicada. Seus elementos básicos são a lógica e a intuição, análise e construção, generalização e individualização. Para muitos, traduzir isso tudo é uma missão difícil e até impossível. Para outros, é vida. É fascínio. E, é justamente aí que se encaixa a história dos 50 anos do curso de matemática da Unifra.


FELICIDADE:

Foto irmã.JPG

A irmã Felicidade é o grande ícone da área na cidade de Santa Maria.

Créditos: Arquivo Unifra


A matemática também pode ser fascinante. Foi com essa frase que a professora Maria Augusta Silveira Neto, a Irmã Felicidade, recebeu muitos de seus alunos. Enquanto os jovens a conheciam sedentes - e ao mesmo tempo amedrontados, ela soube, como ninguém, ensinar a desvendar os mistérios dos números. Pertencente à Congregação das Irmãs Franciscanas e, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) no ano de 1945, é ela o grande ícone da área na cidade de Santa Maria.

O incentivo aos jovens estudantes para que ampliassem a sua formação foi sua maior marca. A motivação da professora que não carregava a felicidade apenas no nome, mas no sorriso, foi a mola propulsora para a formação dos primeiros mestres e doutores em matemática que atuaram e atuam nos cursos da Unifra e UFSM. “Desde quando eu lecionava no Colégio Sant’ Anna eu já procurava desenvolver neles o gosto pela matemática e o desejo de aprender”, conta a irmã.

Talvez, também por ela, o casamento entre a matemática e as ciências (naturais e físicas) tenha sido marcado aqui por laços ainda mais fortes. A visão de futuro da Irmã Felicidade já apresentava o mundo interdisciplinar de hoje. “Quando comecei a lecionar matemática, havia uma transformação na área. Foi quando eu fui para Portugal em busca da especialização em álgebra moderna. Era preciso trazer tudo de novo para cá”, salienta ela.


VISÃO DE FUTURO:

À frente de seu tempo, parece mesmo ter sido essa a lição que a irmã pregou aos seus discípulos. A atual coordenadora do curso na Unifra e ex-aluna da professora pioneira, Ana Maria Beltrame, é um exemplo. “As demais áreas do conhecimento estão percebendo a necessidade e a valorização da matemática. Hoje, com os ensinamentos anteriores, percebemos que a evolução no ensino e as novas tecnologias fizeram com que o curso na Unifra estivesse aberto a novas perspectivas e a um novo universo de possibilidades, que não só dar aula de matemática”, ressalta ela.

E, não é só a coordenadora quem revela os novos caminhos da matemática. O professor Márcio Violante Ferreira mostrou que a ciência não é nenhum bicho de sete cabeças. “Nós somamos, subtraímos, dividimos, fazemos estimativas o tempo todo. A matemática é a ciência mais próxima do ser humano”, simplifica ele. Compartilhando do mesmo posicionamento, o professor Alcibíades Gazzone, conta que as comemorações pelos 50 anos do curso de matemática denotam a aplicabilidade da ciência no dia a dia e uma história que ainda é escrita. “Os 50 anos marcam o pioneirismo e a ousadia das irmãs franciscanas numa época onde o ensino de matemática era uma área difícil. Essa evoluiu, a Unifra acompanhou e continuará acompanhando”, enfatiza o professor. “Que venham outros 50 e mais 50”, complementou a coordenadora Ana Maria Beltrame.


Foto.professores.jpg

(Da esq. p/dir.) O professor Márcio, a coordenadora Ana e o professor Alcibíades relatam os novos rumos do ensino da matemática.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann


Da história, a excelência

Matemática por todos os lados


Foto formandos.jpg

Se há alguns anos, o mercado de trabalho preocupava os profissionais formados em matemática, atualmente os pretendentes a uma vaga podem estar certos que optaram por uma área promissora. Na foto, alguns alunos que passaram pela instituição.

Créditos: Arquivo Unifra


Além de estar presente no cotidiano de qualquer pessoa, seja quando se calcula o tempo gasto no percurso de nossas casas ao trabalho ou, na hora em que contabilizamos as diferenças de preços de um ou outro produto no supermercado, a matemática também está em outros campos. Conheça a necessidade da ciência em algumas profissões:

  • Administrador de empresas: Deve ter habilidade em lidar com a exatidão dos números, dadas as suas tarefas de planejamento, organização e controle.
  • Agrônomo: Deve saber dimensionar as áreas destinadas ao cultivo ou ocupação de área verde, bem como efetuar cálculos para a quantidade de cada componente químico destinado à fertilização e taxas de variação.
  • Arquiteto: Deve ter o domínio de cálculos entre suas características para bem pensar e executar seus desenhos, projetos de construção, reformas e planejamento físico, local, urbano e regional.
  • Advogado: Ao trabalhar com determinadas causas, se utiliza da matemática para fazer cálculos, já que se depara com bens, valores, partilhas e heranças.
  • Engenheiro: A matemática é essencial para que o engenheiro possa desenvolver o seu trabalho. Sem ela, não seria possível a construção da mais simples casa ou mesmo de um pequeno jardim de inverno.
  • Farmacêutico: Saber trabalhar com sistemas de unidades de medida, percentagens, concentrações, análises de dados, de gráficos e muito mais é parte importante na formação de todo profissional da farmácia.
  • Médico: O número de batimentos cardíacos em um período de tempo, a constatação da necessidade de um exame de freqüência cardíaca e a variação da pressão arterial, entre outros, são apenas alguns exemplos de como os médicos necessitam de conhecimentos inter-relacionados de estatística, física e matemática.


Um olhar sobre a história da matemática na Unifra

Não é de hoje que a Unifra vem somando esforços e multiplicando conhecimentos. Os caminhos que a matemática percorre atualmente em Santa Maria tiveram origem na instituição, por meio da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Imaculada Conceição (FIC). São 50 anos de história a marcar a formação e a atividade docente de muitos profissionais que participaram e participam do processo de desenvolvimento da ciência na cidade. A exemplo do Brasil e do Rio Grande do Sul, a implantação da matemática em Santa Maria foi bastante tardia se comparada aos principais países e cidades da Europa. Contudo, sua chegada na terra de Imembuí não foi menos importante. De passagens da história do País e do Estado que lembram a responsabilidade pela formação de profissionais da área estritamente ligada às escolas militares, a ousadia ganhou forma no município e marcou a implantação do primeiro curso de matemática do interior do Estado.

Criado em 1958, o curso de matemática da FIC, assim como o da UFSM, que só veio a ser implantado em 1966, sofreu influência da orientação trazida para o Brasil de pesquisadores italianos cuja pesquisa estava centrada nos problemas de geometria. Também foi essencial para o seu crescimento a atualização estimulada pela Irmã Felicidade. A professora, assim como a Irmã Peroni, natural da Itália e Doutora em Geometria pela Universidade de Pádua, foram protagonistas na trajetória de sucesso da matemática na Unifra. As irmãs trabalharam juntas por muito tempo e se destacaram por uma característica comum: eram empreendedoras na atividade e a conduziam de forma vanguardista.


PONTO SORTEADO:

A rotina do vestibular das primeiras turmas do curso de matemática da Unifra era marcada por um tal de ponto sorteado. Nessa época, a seleção funcionava de forma bem diferente da atual. Uma turma ansiosa aguardava a entrada de uma banca e o sorteio da disciplina que seria o tema do dia. Após o sorteio, cada aluno recebia, em papel datilografado, o conteúdo a ser desenvolvido. As provas eram feitas em folhas rubricadas de papel almaço e, as questões eram distribuídas em matemática, física, português, língua estrangeira e desenho. E, não era nada fácil. Problemas e teoremas, demonstrações, redação, análise e gramática, traduções e elaboração de representações como parábolas, hipérboles, divisão de segmentos e uma prova oral compunham o temido vestibular da época.


Foto documento.jpg

No documento, assinado pela Irmã Felicidade, os seis aprovados para a primeira turma de matemática.

Créditos: Arquivo Unifra


DEPOIMENTOS:

“Nem parece que já fazem 50 anos. A história é linda. Eu sempre estudei no colégio Sant’ Anna e, desde lá, tinha uma tendência natural para os números, ainda que por um tempo pensasse querer as letras”.

Foto Ligia.jpg

Profª. Lígia Maria Felkl Cassiminho - Matemática aprovada no primeiro vestibular do curso na Unifra


“Os 50 anos revelam uma série de novas oportunidades. A Unifra, além do pioneirismo, comemora a valorização do ensino da matemática, a formação básica e a continuada”.

Foto vanilde.jpg

Profª. Vanilde Bisognin - Matemática e Pró-reitora de Graduação


“Falar dos 50 anos da matemática é falar de consolidação institucional, sustentabilidade e da conquista de formar pessoas com alto padrão de qualidade”.

Foto afrânio.jpg

Prof. Afrânio Righes - Diretor da Área de Ciências Naturais e Tecnológicas


“A Matemática também pode ser apaixonante! Lecionar é apaixonante! É a sensação e o prazer de ter a experiência de usar o que é fundamental na pessoa: raciocinar, saber pensar e resolver problemas”.

Foto alcibiades.jpg

Prof. Alcibíades Gazzone


“As novas tecnologias e a sua aplicabilidade em outras áreas de atuação mostram que é a matemática a mãe de todas as ciências”.

Foto ana beltrame.jpg

Profª. Ana Beltrame - Coordenadora do Curso de Matemática


Da evolução, a formação continuada

Atualização e aperfeiçoamento marcam cinco décadas de graduação


De acordo com a coordenação do curso de Matemática da Unifra, a instituição vem oportunizando, ao longo dessas cinco décadas, o contato e a vivência de experiências nos âmbitos do ensino, da pesquisa e da extensão. Conforme o professor Alcibíades Gazzone, antigo coordenador, incorporar os recursos oferecidos pelas novas tecnologias, dentro das atividades curriculares da graduação, é um dos principais pontos onde hoje são investidos esforços. “Nesses anos todos, a educação continuada e a adaptação às novas tecnologias foram valores sempre presentes na trajetória do curso e, com eles alunos e professores foram beneficiados com atualização e aperfeiçoamento”, relata o professor.

Para a atual coordenadora do curso, Ana Maria Beltrame, com a valorização da Matemática por outras áreas de conhecimento, a perspectiva da graduação foi renovada. Ela conta que durante o ano de 2007, a Unifra atravessou um processo de reestruturação que a Matemática acompanhou. “Fizemos um estudo criterioso. Reformulamos e dividimos disciplinas, assim como criamos novas”, enfatiza Ana Maria. Segundo as informações disponibilizadas pela coordenação, o curso, que é de licenciatura, denota um perfil direcionado para as tecnologias e novas metodologias no processo de ensino. Além disso, a graduação também procura alimentar o Mestrado da instituição.

A contextualização dos conteúdos e a oportunidade de entrelaçar ferramentas de outros campos dão um novo olhar para a ciência Matemática e, com isso, a qualificação dos alunos, na preparação para o ensino, seja na iniciação científica ou na formação continuada, é o ponto chave. O fato é confirmado pelos alunos. “Eu quero dar aula, ensinar a Matemática para as pessoas. É o que escolhi para fazer da minha vida”, revela a aluna Graciele Gomes. O licenciado em Matemática pela Unifra pode atuar na rede pública e particular de ensino fundamental, médio e superior. O egresso também poderá optar por desempenhar serviços em órgãos públicos e/ou privados que exijam profissionais com raciocínio lógico-matemático. O curso é noturno e tem duração de oito semestres.


Fizemos um estudo criterioso. Reformulamos e dividimos disciplinas, assim como criamos novas.


Foto1.página4.jpg

Prometo dignificar minha profissão, consciente de minhas responsabilidades legais, observar o código de ética, objetivando o aperfeiçoamento da ciência Matemática, promovendo a disseminação da ciência, o desenvolvimento das instituições e a grandeza do homem e da pátria. É esse o juramento que muitos dos formandos da Unifra fizeram quando foram graduados.

Créditos: Arquivo Unifra


Mestrado capacita profissionais em exercício nos sistemas de ensino

De acordo com Eleni Bisognin, coordenadora do Mestrado Profissionalizante em Ensino de Física e Matemática, desde 2004, ano de início do curso, foram 56 alunos que ingressaram no Mestrado. Destes, 22 já defenderam suas dissertações. Atualmente, o curso tem 34 alunos matriculados. O corpo docente é composto por 13 professores doutores nas áreas de Matemática, Física, Educação e Informática.

O Mestrado também é uma conquista da instituição no interior do Estado. Conforme a coordenadora, somente a Unifra oferece essa linha na região. O curso tem objetivos que contemplam tanto a apropriação de conteúdos curriculares, como a apropriação objetiva dos métodos de ensino e de pesquisa. Ele visa habilitar os mestrandos para realizar pesquisas acerca dos conteúdos e do processo de ensino-aprendizagem na educação escolar e, a fazer uso dos instrumentos teórico-práticos específicos da função docente. O curso tem 34 créditos e as duas áreas de concentração ofertadas pelo curso são materializadas por meio de duas linhas de pesquisa: Trabalho Pedagógico e suas Repercussões no Ensino de Física e Trabalho Pedagógico e suas Repercussões no Ensino de Matemática. Para Eleni, o Mestrado é apenas o começo de uma série de novas oportunidades que ainda surgirão. “São 50 anos de Matemática e apenas quatro de Mestrado. O caminho recém começou a ser traçado. Muitas serão as novas conquistas”, prevê otimista a coordenadora.


Foto mestrado.jpg

Eleni conta que o Mestrado já gerou um projeto interdisciplinar. O trabalho foi denominado como História, Arte, Matemática e Design nas Igrejas Matrizes da Quarta Colônia de Imigração Italiana.

Créditos: Andrewes Pozeczek Koltermann


A MATEMÁTICA DA UNIFRA:

  • O curso é reconhecido pelo MEC. O decreto é 47.437/59 de 24/12/1959. Teve renovação de reconhecimento pela portaria nº 514, de 27/02/2002, publicada no Diário Oficial da União em 28/02/2002.
  • Atualmente, a graduação conta com cerca de 160 alunos e 21 docentes. Entre os professores, são seis os doutores.
  • Ao longo do curso, é desenvolvida no aluno a capacidade de trabalhar em equipe e de exercer a liderança. Avaliar livros-textos, compreender e utilizar os conhecimentos matemáticos e, ainda, elaborar modelos e resolver problemas também são exercícios que compõem as atividades do estudante.


Foto box.jpg

Créditos: divulgação