Eis que para a alegria de quem gosta e desgosto de quem não curte estreou, na semana passada, mais uma edição do Big Brother Brasil (BBB). Isso na televisão, pois na internet… Antes mesmo de Pedro Bial saudar os brothers, já começou a chuva de críticas, xingamentos, defesas, comentários inúmeros nas mídias sociais, dizendo como o programa é um atentado à cultura, sobre a importância de desligar a TV e ler um livro ou simplesmente trocar de canal. Os adeptos não perderam tempo e apontaram a sua opinião também.
A primeira edição do programa foi em 2002. De lá para cá passaram 10 anos e muita coisa mudou. A internet expandiu-se, as redes sociais hoje são fontes de notícia, lemos a opinião em blogs, onde seus autores já viraram (ou dizem ser) especialistas em BBB. Segundo o Ibope/Nielsen o Brasil possui 46,3 milhões de usuários que acessam a internet regularmente. Se em 2002 tínhamos apenas a versão da televisão e do site oficial, hoje temos uma miscelânea de informações via rede.
Recentemente, uma polêmica no BBB passou a agitar as redes sociais: um suposto estupro que teria ocorrido após a primeira festada edição atual, envolvendo os participantes Monique e Daniel. Antes mesmo da próxima edição regular do programa na noite de domingo, os internautas já tinham a sua versão do fato. A hashtag #danielexpulso ficou nos Trending Topics do Twitter e o vídeo do suposto crime circulou incansavelmente no Facebook. Na era do compartilhamento, em poucos minutos a rede social estava tomada pelo assunto. Eram textos atribuídos a autores famosos, montagens com a foto dos envolvidos e muito julgamento, precipitados ou não estavam todos lá sendo compartilhados em uma velocidade tremenda. A história tomou proporções ainda maiores. A polícia foi até o Projac investigar o caso, os dois brothers tiveram que depor, Daniel foi expulso e a Globo tentou abafar o caso, classificando a expulsão do participante como consequência a um “grave comportamento inadequado”.
Agora, o Ministério das Comunicações ameaça tirar o programa do ar. Segundo o Jornal do Brasil, caso o órgão avalie que a emissora causou algum tipo de constrangimento nos telespectadores, a transmissão do reality não será mais veiculada. Toda essa polêmica, que iniciou nas redes sociais, levou a audiência da Globo aumentar quase 80%. Não teria causado um efeito contrário nessa história toda? É inegável que o Twitter e Facebook são importantes ferramentas de informação e interação. Mas o que está em pauta? O programa? O culto ao espetáculo? A curiosidade pela vida alheia? O comportamento do homem e da mulher? Os efeitos do álcool? Muita coisa para refletir, não?
É necessário, ainda, pensar em quem repercute o assunto. Essas pessoas o fazem de uma forma prestativa. É como se o tema só estivesse em pauta porque dá audiência ou porque as pessoas estão curiosas.
Falo tudo isso porque acredito que as pessoas devam começar a refletir sobre o que postam ou compartilham. Verificar se o texto é mesmo daquele autor, se isso poderá prejudicar seu trabalho, vida pessoal ou outra pessoa. Que tipo de conteúdo quer que leve o seu nome na timeline das pessoas? Nossa vida está exposta o tempo todo. Um de seus amigos, seguidores, quem quer que sejam, provavelmente, nesse minuto, deve ter postado algo que traduz um sentimento, um anseio ou que relate exatamente o que está fazendo agora. É o Big Brother da vida real. Que tal dar uma espiadinha?
